O jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca, minimizou o fato de o senador Pedro Taques (PDT) ter anunciado que irá processá-lo judicialmente por conta do artigo que publicou ontem, em vários sites do Estado, intitulado "A Máfia de Pedro Taques".
Ele também fez novas acusações quanto à ligação do senador com o setor de combustível. "O escritório de Samira Martins, esposa do senador Pedro Taques, chamado Saulo Gayva Advogados, mantém um contrato milionário com o SindiPetróleo", disse.
Sobre as ações por suposto crimes contra a honra, o jornalista se disse "tranquilo". "Recebi essa notícia (sobre os processos) com tranqüilidade, de maneira natural, e não vou me intimidar. Até já esperava isso. Mas, se pensam que com isso irão calar minha voz, estão enganados, porque são essas ameaças que vão me impulsionar cada vez mais. Não temo ameaças e processos", afirmou.
Segundo o jornalista, ele não se arrepende do que escreveu. "Tenho convicção sobre tudo o que escrevi; não mudaria nenhuma vírgula. Aliás, tenho uma série de dez artigos sobre o senhor Pedro Taques. Esse foi só o primeiro", disse.
Muvuca disse também que as ações contra ele "são interessantes e úteis". "O processo judicial é bom porque me dará a oportunidade de provar tudo aquilo que sei a respeito dele. O tiro pode sair pela culatra. Inclusive, o que tenho recebido de informação a respeito desse cidadão (Taques), de coisas que ele esconde embaixo do tapete, não está escrito. São coisas escabrosas", afirmou.
O jornalista negou que tenha escrito o artigo a pedido de outras pessoas - ou grupos políticos, como insinuou Taques.
"Ele está equivocado, sou independente, não dependo de nenhum político desse Estado. Não vendo minha consciência; não faço artigo por encomenda. Acho que ele mostra, mais uma vez, que vê assombração onde não existe nada, apenas a luz", disse.
Demissão
José Marcondes afirmou ainda que, menos de duas horas após ter publicado o artigo, ontem, recebeu uma ligação do radialista Lino Rossi, que comanda o programa "Chamada Geral", na Rádio Mega FM.
"Fui sumariamente despedido do programa, onde fazia comentários políticos. Fui cerceado por uma opinião, fui cerceado em meu direito de livre expressão. O Lino me disse que o senhor Aldo Locatelli, presidente do SindiPetróleo, ligou de São Paulo e exigiu que eu saísse do programa. Do contrário, não investiria mais em patrocínio no programa", disse.
"Quer dizer, o setor de combustível já conseguiu me demitir. Só que isso provou, mais uma vez, o que eu disse e reafirmo: a ligação cabal do Pedro Taques com o setor de combustível".
Contrato com a esposa
O jornalista disse também que o SindiPetróleo mantém um "contrato milionário" com o escritório de advocacia Saulo Gayva, da qual a esposa de Pedro Taques seria sócia.
"Queria que o senador Taques viesse a público negar que esse contrato não existe. A mulher dele é sócia e o contrato é de R$ 1 milhão. Portanto, mais uma vez, a ligação dele com o segmento de combustíveis é clara", disse.
Outro lado
A assessoria jurídica do senador Pedro Taques foi contatada para confirmar ou não a existência do contrato entre o SindiPetróleo e o escritório de advocacia Saulo Gayva. A reportagem não recebeu retorno até a edição desta matéria.
A assessoria de imprensa do SindiPetróleo disse que enviará nota de esclarecimento ao site a respeito das declarações do jornalista José Marcondes.