Cuiabá, Segunda-Feira, 23 de Fevereiro de 2026
ASSASSINATO NA ALDEIA
16.11.2011 | 10h27 Tamanho do texto A- A+

Começa julgamento de cacique que degolou chefe da Funai

Crime ocorreu em 2001, em uma aldeia de Água Boa; julgamento é na Justiça Federal

MidiaNews

Familiares do ex-chefe da Funai acompanham julgamento do cacique xavante, na Justiça Federal

Familiares do ex-chefe da Funai acompanham julgamento do cacique xavante, na Justiça Federal

LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO

Começou, na manhã desta quarta-feira (16), na Justiça Federal, o julgamento do cacique Marvel Xavante, acusado de ter assassinado o chefe do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai), Floriano Márcio Guimarães, em uma aldeia de Água Boa (730 km a Nordeste da Capital), em 21 de setembro de 2001.

O Júri Popular deveria ter ocorrido no dia 18 de outubro, mas a ausência de testemunhas consideradas importantes pela acusação fizeram com que a sessão fosse adiada.

No dia, Marvel foi preso, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), sob suspeita de ter coagido as testemunhas. Marvel ficou preso no Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé) até o dia 28, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) lhe concedeu liberdade, por decisão do desembargador Tourinho Neto.

Hoje, com um novo Conselho de Sentença formado e a presença das testemunhas de acusação Aristeu Tserene'ewe Xavante e Pedro Senhu-Bru, o Ministério Público Federal (MPF) pretende convencer os jurados a condenar o indígena.

Marvel será julgado por homicídio qualificado praticado por motivo fútil, cometido mediante recurso que impediu a defesa da vítima, e que pode render uma pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão.

Visivelmente emocionados, familiares de Guimarães pedem justiça e acompanham a sessão.

Depoimentos

A primeira testemunha ouvida pelo Júri foi Aristeu Tserene'ewe Xavante, 39. Aristeu estava junto à Floriano e Marvel no dia em que o crime foi cometido.

A defesa pediu pela suspeição do Aristeu, por ter interesse pessoal com relação ao desfecho da causa. A defesa alega que Marvel acusou Aristeu de ser o verdadeiro autor do delito. O pedido foi negado pelo juiz da 5ª Vara da Justiça Federal, José Pires da Cunha, responsável pela condução do caso.

Durante o depoimento, Aristeu mudou a versão dos fatos que já havia apresentado em juízo, e afirmou que não sabe se Marvel foi realmente o autor do crime. Segundo o índio, os três haviam bebido muito em visita ao município de Nova Nazaré e, durante o retorno à aldeia, ele acabou dormindo.

O índio afirmou que Marvel teria R$ 5 mil e assumiu as despesas com bebida alcoólica do trio, que teria consumido cachaça e caixas de cerveja, em visita ao município de Nova Nazaré.

Aristeu contou que acordou por volta das 3h da manhã e se viu sozinho dentro do Fusca, que era de Floriano. Ao sair do veículo, encontrou a carteira e o canivete da vítima, sujo de sangue, jogados próximo ao carro. O índio recolheu os objetos e seguiu pela estrada, em direção à Aldeia Trítopa, onde entregou os objetos para o cacique Zé da Beira, pai de Marvel.

Em depoimento ao MPF e em juízo, Aristeu havia dito que Marvel havia pedido a ele para ajudar a matar Floriano, segurando a vítima. Hoje, no entanto, o índio negou o fato.

Aristeu negou também ter encontrado o corpo de Floriano na estrada. Segundo ele, outras pessoas da tribo foram à estrada, a mando do pai de Marvel, por volta das 6h da manhã, para recolher o corpo de Floriano.

Aristeu negou ter algum tipo de conflito com Floriano e, ao contrário do que afirmou em depoimentos anteriores, disse que Marvel também não teria nenhum tipo de pendência com Floriano. (Atualizado às 11h15)

Foram ouvidos, em seguida, um mecânico e amigo de Floriano, Dorgival Vieira dos Santos, que o viu, no dia do assasinato, em companhia dos índios, e o cacique-geral da tribo Xavante, Pedro Senhu-Bru, que tinha a vítima como um "afilhado".

Em um depoimento confuso, Senhu-Bru negou o que havia confirmado em depoimento dado no Juízo de Água Boa e afirmou não ter conhecimento de que Marvel teria algum envolvimento na morte de Floriano. A testemunha negou que tenha sido coagida por aguém para mudar as versões dos fatos.

O cacique-geral confirmou, no entanto, que ficou sabendo da morte por Aristeu e que houve uma briga entre os dois índios, no dia em que o corpo da vítima foi encontrado. segundo ele, ambos estavam bêbados e a discussão não foi levada à sério. Em seguida, ele teria ordenado o afastamento de Marvel do posto de cacique de Trítopa, encontrando com o acusado apenas um ano depois. (Atualizado às 13h40)

Mais informações em instantes

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
3 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Manoel  16.11.11 14h54
Com o GUATAMBÚ, vamos ver se ele não confirma a versão dada no primeiro depoimento. Ou então, convoque o Cap. Nascimento para interrogá-lo.
0
0
Bertha Paiva Guimarães  16.11.11 14h05
Como pode meu Papai do Céu, eles negarem o que já haviam falado no depoimento anterior. Porque não esclarecer de uma vez por todas o que realmente aconteceu naquele dia...Papai abençoe, esteja presente neste Júri e que Justiça seja feita com o Marvel, também aqui na lei dos homens...eu creio e tenho fé que assim será...Esta justiça deve ser feita em memória do meu Tio Floriano.
0
0
Charles  16.11.11 13h15
Pura perda de tempo e dinheiro. Esse cidadão indígena não fica preso, são intocáveis. Pra que esse escarcéu todo para dizer que ele vai cumprir a pena em regime domiciliar na sua aldêia? Tenha dó! Vai trabalhar!
0
0