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25.11.2011 | 22h41 Tamanho do texto A- A+

CNJ investiga juízes suspeitos de grilagem em MT

Ministra Eliana Calmon aponta esquemas em MS, PI, BA e GO; terras são de cultivo de soja

MidiaNews

Depois de falar em bandidos de toga, ministra aponta juízes envolvidos em grilagem de terras

Depois de falar em bandidos de toga, ministra aponta juízes envolvidos em grilagem de terras

DA REDAÇÃO

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está investigando operações consideradas suspeitas envolvendo juízes de Mato Grosso em um esquema de compra de terras e grilagem em áreas de grande extensão. A revelação é do site do jornal O Estado de S. Paulo, com base em informação da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon.

Conforme a reportagem, a ministra informou que a trama envolve tabelionatos e cartórios de registro de imóveis. Calmon não revelou nomes, mas citou que, além de Mato Grosso, o esquema é investigado também nos Estados de Mato Grosso do Sul e Piauí e na divisa entre Goiás e Bahia.

De acordo com a ministra, os casos dizem respeito, entre outras irregularidades, a cancelamento de títulos e matrículas em cartórios por ordem judicial, intervenções e ações reivindicatórias sem título adequado e concessão de liminares para imissão de posse indevida.

A ministra citou que as terras têm sido usadas para o cultivo de soja.

Confira íntegra da reportagem do Estadão, de autoria dos repórteres Ane Warth e Fausto Macedo:

CNJ investiga juízes suspeitos de grilagem, diz corregedora

A corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, revelou nesta sexta-feira (25), que o órgão está investigando operações suspeitas envolvendo um grupo de juízes em um esquema de compra de terras e grilagem em áreas de grande extensão no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e divisa entre Bahia e Goiás.

A trama envolve tabelionatos e cartórios de registro de imóveis, informou a corregedora.

Os casos incluem cancelamento de títulos e matrículas em cartórios por ordem judicial, intervenções e ações reivindicatórias sem título adequado e concessão de liminares para imissão de posse indevida, tutela antecipada em ação por uso capião, entre outros expedientes.

De acordo com a ministra, as terras têm sido usadas para o cultivo de soja.

"Estão ocorrendo, pelas informações que estamos recebendo e que chegam em razão de denúncias, grilagem de terras que não valiam nada, que eram absolutamente inservíveis, e que hoje são riquíssimas com o agronegócio, com participação de magistrados,", afirmou a ministra, ao participar da 9.ª Reunião Plenária Anual da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), em Bento Gonçalves (RS). "Isso está nos preocupando sobremaneira", afirmou.

Na avaliação de Eliana Calmon, trata-se de um esquema semelhante ao que já ocorreu no Sul do Pará. "Eram terras absolutamente sem valor econômico nenhum e, no entanto, elas começaram a ser valorizadas de repente em razão do agronegócio. O sul do Piauí está um problema sério, porque aquilo ali era terra de ninguém, abandonadas, de repente, cresceu."

Segundo a ministra, alguns casos na Bahia chamaram a atenção da Corregedoria. "Temos algumas denúncias de dois ou três magistrados investigados, que inclusive o próprio Tribunal removeu, colocou outro, e em poucos meses o outro estava no mesmo esquema, porque é muito dinheiro", afirmou.

No Piauí, os casos estão sendo investigados pela corregedoria regional. "Mas eu tenho já os registros de uns três juízes que não estão afastados e estão sendo investigados", revelou.

Eliana defendeu uma mobilização direta e conjunta do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público e CNJ para investigar o caso. "Eu levei minha preocupação ao ministro Cesar Peluso (presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ) porque eu entendo que há necessidade de uma ação conjunta e política.

E nas ações políticas é o presidente do CNJ que deve atuar no sentido de nós termos um enfrentamento conjunto", afirmou. "Não adianta punir o juiz porque nós temos de pegar todo o segmento que vem praticando esse ilícito", disse.

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COMENTÁRIOS
6 Comentário(s).

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Jonair  26.11.11 13h57
é qual será a punição desses juizes em.... ja sei, aposentadoria compulsoria...hhhhhh, o ladrão de galinha vai preso, aquele rouba para matar a fome. e esse juizes l....b....c...., completem com a palavra que vcs quizerem. um abraço a todos.
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Ruth Dourado  26.11.11 12h22
Eu havia prometido NUNCA mais comentar nada por aqui, porque vcs não publicam VERDADES que ferem seus interesses, muito embora eu continue comentando as matérias nos links do facebook... Mas não resisti a esta matéria p/ fazer constar o seguinte: - Eu juro que eu NÃO disse nada... Sra. Ministra, há muito, mas muito mais coisas a serem desvendadas que a deixarão estupefata... Sugiro procurar um cardiologista (e seguranças pessoais) só por precaução... (será que agora publicam???)
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Elaine   26.11.11 11h55
A frase "É bem Mato Grosso" nunca foi tão pejorativa. Em se tratando de maracutaia os representantes matogrossensses não poderiam ficar de fora.
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pedro da lista  26.11.11 11h45
Vou imitar tambem:muito boa a matéria só faltou os nomes
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FLAVIO RIVERA  26.11.11 09h28
Muito boa a matéria, só falta nome aos bois.
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