Cuiabá, Segunda-Feira, 19 de Janeiro de 2026
EFEITO CNJ
03.02.2012 | 09h21 Tamanho do texto A- A+

Juízes temem fim de privilégios com a nova Lomam

texto da nova Lei da Magistratura está atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF

Divulgação

O texto da nova Loman está atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF

O texto da nova Loman está atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF

AGÊNCIA BRASIL

A discussão recente sobre os limites do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) acabou suscitando outro tema que inquieta os juízes brasileiros: a edição de uma nova Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Foi por falta de uma norma atualizada – a atual é de 1979 – que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entenderam, por exemplo, que o CNJ pode decidir como investigar desvios cometidos por magistrados.

A Loman é anterior à Constituição de 1988 e à criação do CNJ em 2004, e por isso, muitos pontos precisam ser atualizados. Ainda assim, essa ideia não agrada a todos os setores da magistratura, segundo indicaram as três maiores associações nacionais de juízes à Agência Brasil. Elas acreditam que, caso a nova Loman vá para o Congresso Nacional em um futuro próximo, há risco de os parlamentares derrubarem direitos como férias de 60 dias e aposentadoria remunerada como máxima punição administrativa.

Nos anos 2000, essas entidades participaram ativamente da discussão de uma nova Loman, criando, inclusive, comissões para estudar o assunto. As propostas eram encaminhadas para o STF, responsável por reunir e consolidar as informações. A movimentação mais recente nesse sentido ocorreu entre 2007 e 2009, quando o STF fez uma comissão para tratar da Loman e recebeu as últimas contribuições das associações de juízes.

Para o representante da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) Fabrício de Castro, hoje não há espaço político para votação de uma nova lei da magistratura. “O Legislativo e o Executivo estão tentando hipertrofiar nossas garantias. Enviar a Loman para o Congresso pode ser um cheque em branco para aqueles que patrocinam a intimidação do Judiciário”. Ele defende alterações pontuais em vez de uma reforma completa.

O texto da nova Loman está atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF, Cezar Peluso. Logo no início de sua gestão, em 2010, ele recebeu da comissão de ministros do STF a sugestão do documento a ser enviado para o Congresso. Perguntado pela Agência Brasil se pretende agir antes do fim da sua gestão, em abril, ele disse: “Vou enviar se me deixarem enviar.”

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, discorda da previsão de levar o texto ao Congresso ainda em 2012, já que o quórum deverá estar reduzido devido às eleições municipais. A AMB também quer um tempo para reanalisar as propostas que serão enviadas ao Parlamento. “Muitas das críticas feitas à Loman padecem de base concreta. Ela foi feita no regime militar e traz garantias para a magistratura que nosso regime quer abolir.”

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) acredita que o Congresso não deverá retirar garantias da Loman. Ele espera que o texto chegue ao mesmo patamar da Lei Orgânica do Ministério Público (MP), de 1993. A norma que rege o MP tem garantias como o auxílio-alimentação e a licença-prêmio, inexistentes na Loman.

“Falam que dentro do Congresso a Loman pode ser modificada, mas legislação sobre a magistratura que implique perda e ruptura de direitos, só vi isso em regime ditatorial”, argumenta o presidente da Anamatra, Renato Sant'Anna. Ele acredita que uma possível interferência negativa do Legislativo será passível de questionamento judicial.

Mesmo sem saber o futuro da Loman, todas as entidades garantem que não permitirão retrocessos para a magistratura. “É inadmissível que a situação atual dos juízes venha a ser piorada”, diz o representante da Ajufe. A Anamatra destaca que sua posição é “ceder zero em termos de direitos”. Para Calandra, da AMB, “não se pode quebrar regime democrático para fazer graça para a opinião pública”.

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rita de cassia  04.02.12 07h43
Que moral tem um juiz p/ julgar um cidadão que paga seus altos salários, suas mordomias, auxílios isto e aquilo, férias absurdas, etc, etc. Só enxergam o próprio umbigo! Sejam justos, estão erperneando p/ não perderem mordomias pagas com o suor do sofrido povo.
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Júnior  03.02.12 21h33
O Congresso NacionaL precisa alterar a Lei Orgânica da Magistratura para acabar, o mais rápido possível, com os privilégios concedidos aos Juízes deste País. Não é razoável férias de 60 dias para magistrados, sem contar o recesso forense. Outra aberração: punição de juiz resulta em aposentadoria compulsória. O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO.
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Freitas   03.02.12 21h12
Juiz não pode ter férias de 60 dias, dentre outras mordomias. Sugiro que o Congresso Nacional acabe, o mais breve possível, com todas as mordomias dos magistrados deste País da corrupção e impunidade.
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Marcelo  03.02.12 19h41
enquanto a maioria dos trabalhadores tem apenas 30 dias de férias e tem a demissão ou até a prisão como máxima punição os senhores juízes tem 60 dias de férias e ainda se roubam vão ser aposentados essa é a injustiça os juízes tem que ser tratados como cidadãos comuns porque até agora eles não rendem o q deveriam pelos seus altos salários.
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