Os sete acusados de fraudar o vestibular de Medicina da Universidade de Cuiabá (Unic) não serão mais transferidos para o Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé).
Presos em flagrante pela Polícia Judiciária Civil no sábado (27), eles obtiveram nesta tarde um habeas corpus, remédio jurídico que lhes garante a liberdade, e devem ser liberados ainda hoje (30). O HC foi concedido pela juíza da 3ª Vara Criminal, Marcimila Mello dos Reis.
Agripos Lucas Matheus dos Santos, 20, Fortunato Simões Franco, 19, Hélcules Cleiton, 18, Juan Tiago Pagnassant, 21, Pedro Simões Franco, 21, Paulo Cezari Frizanco, 20, e Nathan Lúcio Moreira, 20, estavam presos na Polinter.
Os jovens, que segundo a delegada responsável pelo caso, Ana Cristina Feldner, faziam propaganda da fraude "boca a boca", cobravam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil de vestibulandos de Medicina, curso mais concorrido da instituição de ensino superior.
No esquema, Fortunato, conhecido como "piloto", fazia a prova em menos de duas horas e, em seguida, passava o resultado para os comparsas, que encaminhavam as respostas para os celulares dos estudantes, presos sob pés ou colocados nas palmilhas.
Durante os dois dias de exame, no sábado (27) e domingo (28), a Polícia Civil apreendeu R$ 52 mil, divididos em um cheque de R$ 7,5 mil, dois cheques de R$ 15 mil, R$ 5 mil, escondidos na cueca de um dos sete envolvidos; e ainda R$ 25,5 mil em dinheiro, que estava na casa da namorada de um dos acusados.
Com a prisão em flagrante, a delegada tem dez dias para concluir as investigações. Além dos sete responsáveis pelo esquema, que não tiveram como negar o crime, alguns pais estão sendo chamados para confirmarem ou não se pagaram para os filhos.
Médico e deputado
Apesar das especulações de que um dos pais dos 22 estudantes envolvidos seria médico da própria Unic e ainda haveria o filho de um deputado, a delegada Ana Feldner afirmou, em entrevista ao MidiaNews, que não entrará neste mérito.
"O foco não são os pais, são os vestibulandos, sejam eles filhos de quem quer que seja, de 'gente importante' ou não. Estamos tomando os mesmos procedimentos para todos. Infelizmente, o ato é ilegal, imoral, antiético, deturpador e até revoltante, mas não há punição legal para estes jovens", afirmou a policial.
A respeito dos sete acusados e presos, Ana Feldner reforçou que o tratamento será igual, "independentemente de ser filho de quem quer que seja". Porém, um fato que a delegada analisou como evidente, desde o princípio, é que todos os estudantes que compraram as provas tinha um alto poder aquisitivo.
"Quem compra um gabarito por R$ 20 mil e ainda pagaria uma mensalidade de R$ 3 mil não é uma pessoa que ganha um salário mínimo. Com certeza, deve ter empresários envolvidos, o que não é novidade", disse a delegada.
A Polícia Civil entregará o relatório final das investigações no dia 6 de dezembro. Os sete acusados responderão pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha em liberdade.