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VENDA DE ATESTADOS
27.01.2011 | 13h30 Tamanho do texto A- A+

Coronel diz que médico ajuda a manter bandidos na PM

Comandante Farias afirma que Ubiratan é pernicioso para a corporação; expulsões já são admitidas

Marcos Negrini/Setecs-MT

Comandante-geral da PM, coronel Farias: Ubiratan (destaque) contribui para a impunidade de militares

Comandante-geral da PM, coronel Farias: Ubiratan (destaque) contribui para a impunidade de militares

ISA SOUSA
DA REDAÇÃO

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Osmar Lino de Farias, classificou o médico psiquiatra Ubiratan de Magalhães Barbalho de "obstáculo" para a corporação. A observação foi feita ao analisar que os atestados prescritos pelo profissional, permitindo o afastamento dos policiais, são uma forma de impedir que os "bandidos" sejam expulsos da corporação.

"São bandidos - porque esses homens não são policiais - infiltrados na Polícia Milutar e que respondem a processos. Ao conseguirem atestados falsos, eles não comparecem às audiências, postergando ainda mais a sua saída da corporação", afirmou Farias, em entrevista ao MidiaNews.

Ubiratan foi o personagem principal de matéria exclusiva do programa Fantástico, da Rede Globo. Ele foi flagrado por uma policial militar, com uma câmera escondida, vendendo atestado médico.

Além dos atestados, receitas eram prescritas com medicamentos tarjas preta (venda apenas sob apresentação de receita médica) indiscriminadamente. De acordo com números da Corregedoria da Polícia Militar, que investiga o caso, 87 militares compraram o atestado, que chegava a custar R$ 150.

Para o comandante da PM, as gravações que denunciaram o esquema de Ubiratan, feitas durante investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e da Corregedoria da PM, foram humilhantes para a corporação. Sobretudo, segundo ele, quando o psiquiatra, na gravação veiculada pela TV Globo, afirma que é "amado" pelos coronéis, pelo fato de facilitar a obtenção dos atestados médicos.

"Não conhecia esse cidadão, nunca troquei nenhuma palavra com ele, mas percebia que o nome dele figurava sempre nos atestados. Além disso, ele deixou o oficialato da PM numa situação jocosa. Obviamente, os oficiais concordam com o esquema. Ubiratan não tem defesa e é pernicioso para a instituição", afirmou Farias.

"As "indiretas" que o comandante da PM afirmou terem sido dirigidas a ele pelo psquiatra se referem ao caso de Claudemir de Sousa Sales, policial lotado na Rondas Táticas Motorizada (Rotam), acusado de matar, no ano passado, a amante, Ana Cristina Wommer, grávida de 8 meses. Sales acabou conseguindo atestado prescrito por Ubiratan, que alegou transtornos psicológicos.

"Quando ocorreu o caso de Claudemir, eu disse que duvidada da coragem de algum médico em afirmar, por meio de atestado, que o policial tinha algum tipo de transtorno bipolar, o que acabou ocorrendo. A indagação que fica é: o único requisito de Ubiratan é só pedir? Pedir e ganhar?", observou Farias.

Segundo o comandante-geral, o que a Polícia Militar quer é que os processos relacionados àqueles militares que já estão respondendo a procedimentos administrativos, que se encontram parados exatamente em função dos atestados de Ubiraran, tenham continuidade.

Além disso, segundo ele, é imperativo que processos sejam abertos contra policiais, que, por outros motivos, estão afastados.

"Bicos"

"Temos caso de ver o policial apresentando atestado e, duas horas depois, o sujeito estar atuando como guarda de supermercado, farmácia, posto de gasolina e, até mesmo, em boates", revelou o coronel Farias.

De acordo com a Corregedoria da PM, em 2010 foram emitidos 89 atestados médicos a policiais militares. Em fase de investigação, a Polícia está fazendo levantamento do número exato e de quantos homens estão licenciados.

Expulsão

Ao MidiaNews, o corregedor da PM, coronel Joelson Sampaio, informou que não há prazo determinado para finalização do levantamento, mas que toda celeridade possível está sendo posta no caso, já que, com o término da licença, será mais difícil comprovar que o diagnóstico não era verdadeiro.

"Com o atestado ainda em validade, o policial passará por uma nova análise, que comprovará ou não a veracidade da prescrição. Se o atestado tiver vencido, é difícil provar que ele não estava doente", afirmou.

Caso seja comprovada falsificação do diagnóstico, os policias poderão restituir o que receberam pelo período que eme estiveram afastados. E podem ser expulsos da.

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Pedro Paulo  28.01.11 15h40
Caros leitores, informem-se melhor antes de disparar críticas. Quem promove ao posto de coronel não é própria PM, mas sim o governador. A polícia apenas avalia os policiais e manda uma lista com essa avaliação para o governador. É o governador quem decide quem vai ser promovido a coronel ou não. Um exemplo disso ocorreu na última promoção para coronel. A pessoa escolhida pelo governador estava em último na lista de avaliação da polícia.
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Nelson Bondespacho  28.01.11 08h59
Já que o Comandante chama de "BANDIDOS" aqueles que respondem a processos criminais, o que ele fala dos coroneis que foram promovidos por MERECIMENTO e que respondem a processos criminais por formação de quadrilha, desvio de dinheiro e combustível....
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João Batista  27.01.11 22h39
Gostei da reportagem, mas gostaria de deixar somente uma pergunta: Qual o motivo que a Policial Militar que esteve no consultório do Dr Ubiratan, comprando e desmascarando o referido médico sem ética profissional, porém não prosseguiu com a filmagem, fins de realizar o trajeto de outros militares, e constatar que a Perícia Médica do Estado também age de forma irregular, pois os Peritos que ali se encontram não realizam o serviço que é pago, pois eles não submetem ninguém a uma avaliação, pois nem olham direito ao servidor que por ali passam. gostaria de receber pelo menos uma resposta plausivel, pois ela deveria ter percorrido o trajeto, pois, a Pericia do Estado Homologa esses atestados baseados em que???????? se eles são falsos???? porque são homologados?????
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Marcos Santana  27.01.11 22h35
ENTÃO O QUE DIZER DOS OFICIAIS QUE ESTÃO NOS GRANDES COMANDOS, E QUE FORAM PROMOVIDOS, MESMO RESPONDENDO A PROCESSOS GRAVÍSSIMOS NA JUSTIÇA MILITAR. SÃO BANDIDOS TAMBEM COMANDANTE, NÃO FIZERAM O PROCESSO DE EXPULSÃO?? A SIM, FORAM PROMOVIDOS POR MERECIMENTO, 2 PESOS E 12 MEDIDAS BEM DIFERENTES, E BOTA DIFERENTE: PRAÇA / OFICIAL. VERGONHA.
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Sandra Sandelli  27.01.11 22h11
O comandante fala em "bandidos, porque respondem a processos criminais" Então pergunto ao comandante: Por que foram promovidos POR MERECIMENTO a Coronel os oficiais que respondem a processo criminal por Formação de Quadrilha, outro por desvio de dinheiro, outro por desvio de gasolina, outro por corrupção, outro por grilagem e outros, por que comandante. Esse praça será expulso, matou por ciume, grande emoção.... e os oficias, pegaram dinheiro etc etc etc qual a diferença???
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