Cuiabá, Segunda-Feira, 16 de Fevereiro de 2026
GIBRAN LACHOWSKI
13.04.2011 | 17h03 Tamanho do texto A- A+

Bullying, tráfico de armas, psicose

Massacre do Realengo: mídia potencializa ainda mais a violência

Bem mais que a semi-vitória do líbio Khadafi sobre os interesses petroleiros de Estados Unidos, França e Inglaterra, a raridade de Realengo tomou conta do noticiário nacional.

A morte de 12 crianças por Wellington Menezes de Oliveira (23 anos), na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, concentrou atenção e despertou debates nos últimos dias.

A cobertura da mídia comercial caracteriza-se, como já era de se esperar, por sensacionalizar o fato e potencializar ainda mais sua violência.

Há defensores de que os colégios se transformem em presídios, com detectores de metais, aumento de câmeras, catracas eletrônicas, intensificação de rondas militares... As empresas que vivem do estímulo ao pânico urbano agradecem.

Outra voz corrente é a que sataniza o rapaz que assassinou as crianças, como se isto fosse puni-lo.

Para quem ressalta essas visões constituem-se informações menores a constatação de que Welligton era psicótico, sua mãe (falecida há um ano) tinha demência e ele havia sofrido bullying na infância.

Portanto, é preciso enxergar a situação de forma mais ampla. Dado importante nessa tentativa: 8,6 milhões de armas ilegais “correm as ruas” do país, conforme o Ministério da Justiça.

Número que aponta a necessidade de uma política pública capaz de diminuir essa circulação desmesurada e – a meu ver – restringir a venda dos armamentos.

Aí, a gente mexe com os ricos fabricantes de armas, que têm tentáculos em vários países do mundo e bons contatos no Congresso Nacional brasileiro. Por isso, é bom que se chegue às profundezas do problema.

Outra esfera a ser considerada corresponde às formas de lidar com os preconceitos, os estereótipos, as diferenças, e isto na escola, na família, na igreja, no trabalho...

Pois negligência, intolerância, violência e tortura emocional também podem ser responsáveis em certa medida por desfechos como o que aconteceu em Realengo.

É por essas e outras que não qualifico Welligton como um assassino. Não que ele não tenha cometido assassinatos, posto que praticou uma ação que mereça a referida qualificação. Contudo, ele não era um assassino “por ofício” ou alguém contumaz no tipo de conduta.

Para além de conclusões que santifiquem as crianças mortas e queimem no inferno o autor dos disparos, temos que refletir sobre condições em sociedade que se pautem pela atenção especializada, o respeito incondicional e o afeto ao ser humano.

GIBRAN LACHOWSKI é jornalista, blogueiro e professor universitário em Rondonópolis.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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Alfredo Martez  14.04.11 05h21
O que a midia faz nada mais é do que mostrar aos futuros Welintons onde é que o primeiro eerou escondendo-se atras do rotulo de informaççao. Caso como estes deveriam ter o minimo de espaço para não estimular outros esquisofrenicos.
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Julio   14.04.11 00h01
Eu concordo com vc. Mas o que chocou mesmo é o fato dele ter praticado esses atos contra pessoas indefesas. Crianças, todos ja fomos crianças e cada um deve ter tido que superar algo, isto é da vida - mas faltou mesmo na vida desta pessoa foi ter familia. A familia é o primeiro convivio social que todos temos - sem ela não somos nada. Fiquei bastante emocionado com declaração que saiu na internet. que uma irmã falou para outra que se algo acontecesse era pra outra saber que ela a amava. Espero apenas que aquelas crianças tenham permanecidas fortes e que terror por elas sofrido tenha sido rápido. Eu acredito no amor - na força do amor - não me iludo achando que não existem pessoas más e crueis - que não existem pessoas desiquilibradas - malucas - sem senso de bondade e compaixão.
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