Os dois parlamentares do PT na Assembleia Legislativa, Ademir Brunetto e Alexandre Cesar, têm opiniões diferentes quanto à decisão do deputado federal Carlos Abicalil de firmar pré-candidatura ao Senado.
As posições antagônicas só revelam o evidente racha na legenda, que caminha para a eleição de outubro em clima de disputa interna comprometendo seus projetos políticos.
Brunetto, por exemplo, classificou de "equivocada" a decisão de Abicalil e disse entender que o parlamentar poderia concorrer a outros cargos para fortalecer o PT. "É desnecessária essa candidatura do Abicalil. Ele tem condição de ser governador com apoio do PSB, PPS e outros partidos. Está forçando a barra e parece que quer tirar a qualquer custo o mandato da senadora Serys", afirmou, em entrevista ao Midianews.
O parlamentar afirmou que vai defender, de maneira ferrenha, a reeleição de Serys Slhessarenko e elencou alguns motivos. "Vou defendê-la internamente porque se trata de uma senadora com ações nos 141 municípios, que conhece as dificuldades dos prefeitos e tenta aproximá-los do Governo Federal; tem bom trânsito no Senado, até mesmo com a oposição, e a simpatia do presidente Lula e da ministra Dilma Roussef. Não vejo necessidade de termos outro candidato", destacou Brunetto.
O deputado ainda considerou um "risco sem precedentes" a luta interna que se trava no PT. "Isso poderia ser evitado, a Serys é uma senadora em evolução política e o Abicalil, um destaque na bancada federal e uma liderança respeitada em todo o Estado. Éé um clima desagradável que poderia ser evitado".
No entanto, Brunetto nega que haja racha no partido. "O PT não está dividido, está numa fase de embates, estamos apenas consolidando nossos projetos", completou.
"Serys desagrega", acusa Alexandre Cesar
Fiel aliado de Carlos Abicalil, o deputado estadual Alexandre César declarou que a senadora Serys Slhessarenko segue uma linha de discurso desagregadora, o que, segundo ele, já prejudicou o desempenho do partido em eleições anteriores.
"É um discurso questionável, que já mostrou o quanto pode ser prejudicial ao partido. Em 2006, decidiu concorrer ao Governo do Estado, apenas com o apoio do PCdoB, PTdoB e Prona. Isso impediu o partido de conquistar mais vagas na Assembleia Legislativa e Câmara Federal", afirmou, em entrevista ao Midianews.
Naquele ano, Serys decidiu concorrer ao Palácio Paiaguás, mesmo com a simpatia da executiva nacional da legenda em apoiar a reeleição do governador Blairo Maggi, então filiado ao PPS.
A petista ficou em terceiro lugar, conquistando 159.686 votos, ou 11,32% dos votos válidos. O PT elegeu apenas Ademir Brunetto e Ságuas Moraes para deputado estadual. O segundo cedeu espaço ao suplente Alexandre César, após ser nomeado secretário de Estado de Educação. Na Câmara Federal, apenas Abicalil conquistou uma cadeira.
César ainda criticou a ala que defende Serys Slhessarenko. "Optar pela reeleição é negar a própria dinâmica da vida, sempre devemos estar preparados para mudanças", disse.
O parlamentar ainda anunciou que apoiará, irrestritamente, Carlos Abicalil. "Tem meu apoio integral. A trajetória do Abicalil o credencia para a disputa. A co-relação de forças favorece o Abicalil porque o apoio é maior do que antes. Não estamos apostando numa aventura. Trata- se um de um político experiente, três vezes coordenador da bancada federal e eleito duas vezes de forma surpreendente", disse.
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