
O inquérito da Polícia Federal referente à Operação Maranello (alusivo à cidade italiana onde se localiza a fábrica da Ferrari), realizada no dia 29 de setembro passado, foi dividido em duas frentes. A parte sobre o tráfico de drogas, que investigou a compra de cocaína da Bolívia, estocada em fazendas no Estado e, posteriormente, vendida no Esado de São Paulo, foi concluída e encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF).
Nos crimes relativos ao tráfico de drogas, segundo informações da Polícia Federal, 25 pessoas foram indiciadas. Na conclusão, os indiciados tiveram três tipos de qualificação: tráfico de drogas, associação ao tráfico e outros com agravante de tráfico internacional de entorpecente. Carros de luxo importados e nacionais eram utilizados como forma de pagamento das drogas; nove foram apreendidos, além de motos de alta potência. Além dos traficantes, um advogado foi acusado por tráfico de influência.
A outra parte, que ficou centralizada na questão da evasão de divisas e lavagem de dinheiro, ainda encontra-se em fase de apuração pela PF. De acordo com informações, o delegado responsável pelo caso, Evandro Iwasaki, ainda aguarda perícias nas movimentações bancárias do dinheiro oriundo do tráfico de droga. Com as investigações a serem realizadas, não foi descartado o envolvimento de outras pessoas no crime.
Outro fator que contribuiu para visibilidade da operação foi a apreensão de carros importados, de altíssimos valores. A maior parte dos veículos consta como de propriedade da empresa Gold M2 Investimentos e Participações S/A, firma que tem como responsáveis os sócioproprietários Michelly Regina de Paula Zangarini e Moacir Francisco de Paula Zangarini. Os dois são filhos de Alexandre Zangarini.
Entre os carros de propriedade da empresa Gold M2 estão: Ferrari F430 Spider (2007), de placas MSQ-5266; Porsche Boxster S (2008), placas LSN-2450; Mercedes Benz SLK 200 K, ano 2007, de placas NIY-3431; BMW 320i VA71, ano 2006, de placas FYV-7474; moto Kawasaki ZX 14 (2006), placa DUY-1400. Ainda: Chevrolet Corvette C6, placas MFJ-2926, ano 2008, no nome de Alexandre Zangarini.
A ação da Polícia Federal é seqüência de uma apreensão de cocaína feita em dezembro de 2008, quando a Polícia Civil, após sete meses de investigações, encontrou 383 quilos de cocaína em uma fazenda em Barão de Melgaço (134 km ao Sul de Cuiabá). Na época, cinco pessoas foram presas, incluindo dois investigadores da própria instituição.
Foragido
O advogado Edesio Ribeiro Neto, 31, o "Binho", apontado como líder da facção criminosa, continua foragido da Justiça. Informações dão conta que as busca por Binho continuam. Ele foi incluído no cadastro de procurados, mas, até o momento, as pistas de seu paradeiro são consideradas "fracas".