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Goteira milionária

A maior das mancadas contra a Cidade Verde foi a venda da Sanecap

PAULO ZAVIASKI

Nas planilhas de análises políticas de Cuiabá, nota-se um panorama de mudanças radicais de posicionamento popular diante da maior conscientização dos eleitores no próximo pleito. Não podemos esconder as grandes verdades que estão aí expostas ao povo.

Por exemplo, a indignação popular pelo deboche que a Câmara Municipal de Cuiabá faz diariamente com o seu povo cuiabano. De cara, escândalos sexuais, aliás, ninguém tem nada a ver com isso, a não ser o ditado sobre a esposa do imperador Cesar que, além de ser honesta, tem que parecer honesta. Um vereador, além de honesto, tem que parecer honesto. Não pode ser desonesto e ter cara de bandido.

A maior palhaçada da história das mancadas contra a Cidade Verde que o prefeito mandou pintar de vermelho foi a venda em surdina da Sanecap. Criminosa por escondida do povo. Matreiramente manipulada pelos inimigos de Cuiabá, como se fora vontade de nosso povo que só ficou sabendo dessas maquinações após corre-corre noturno, bebedeiras misturadas com remédios, ajudadas por garfos enormes de churrasco.

Parece mentira, mas não é! Até chegaram a assumir a prefeitura só para avalizar a ordem do dono deles que, ao invés de se responsabilizar pelo ato, escondeu-se em sua cidade natal no interior paulista e mandou seus bois de piranha fazerem o trabalho sujo... E notem que ninguém é contra a venda, mas, sim, o túnel desse esconderijo que até hoje ninguém viu.

Os verdadeiros grandes heróis de nosso passado recente, vereadores que não tinham salários, como acontece nos países mais civilizados do mundo, que legislavam em favor da cidade que todos respeitavam, estão revoltados.

O ex-presidente Giunchíglio Luiggi Bello, Gilson e Evaldo de Barros, Newton Alfredo, Augusto Mário Vieira, Ana Maria do Couto, a nossa eterna “May” (lê-se Maí); Maria Nazareth Hahn, Torquato, Alves de Oliveira e tantos outros bons, que fizeram a história de conquistas, honra e competência de nossa Câmara de antanho, renunciariam imediatamente diante de tais fatos.

Aliás, na verdade, tais fatos jamais aconteceriam. Os maus é que levavam os pontapés. O saudoso amigo e colega do Rádio e de lutas político-estudantis, Gilson de Barros, quando vereador, numa das calorosas discussões na Câmara Municipal, foi ameaçado por um colega edil que tirou o revólver e o engatilhou...

Se não fosse a vereadora, como todos, corajosa, Maria Nazareth Hahn, que passou na frente do revólver impedindo um tiroteio desnecessário, algo poderia acontecer.

Hoje, todo mundo aceita passivamente que até uma goteira cujo conserto é de cinquenta reais seja abduzida pelos cientistas da atual Câmara para a mágica quantia de dezessete milhões de reais.

O pior aconteceu nesta última chuva de verão e cheiro gostoso de terra molhada. A goteira da câmara do impossível acontece retornou bonita, altaneira e alegre. Agora com um metro de diâmetro, inundou vergonhosamente a cadeira do enriquecimento hipnótico dos covardes vendedores de ilusão e coisas nossas. Todos os vereadores e funcionários saíram nadando, se afogando desesperadamente, lá de dentro.

Já fizeram um novo orçamento não oficial e calcularam que, agora, deverão gastar “emergencialmente” setenta e dois milhões de dólares e dois centavos para que uma tal de Delta, empresa dessa gentaiada toda, tape o furinho já de quase metro.

Mas, uma coisa boa é saber que o povo já comenta isso. O que também está pegando fogo é o fato de tantos candidatos a candidatos entupirem nossas TVs e rádios, como apresentadores, fazendo campanhas gigantescas nas barbas da Justiça Eleitoral e do MP, que fingem que são impotentes.

Todo mundo com pena de o excelente cuiabano deputado Maluf escolher um apoio que tira seus votos. Só se fala que a primeira coisa que perguntarão aos candidatos nesta eleição é se eles são alienígenas ou extraterrestres, pois sabemos do que são capazes contra o povo daqui.

Pena, também, outro cuiabano, ex-Unimed, Fares, outro grande nome, aceitar e se sujeitar a ser vice. Seja titular. Mas tais discussões, desde agora, são salutares e cívicas. Para Cuiabá!

PAULO ZAVIASKY é jornalista em Cuiabá.
verpz@terra.com.br






2 Comentário(s).

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Teodoro da Silva Junior  26.05.12 14h12
Quer dizer então que o articulista estava satisfeito com a SANECAP pública? Ao contrário do Paulo Zaviaski entendo que a melhor coisa que o Galindo poderia ter feito por Cuiabá foi a privatização da SANECAP. Esse discurso de demonizar a privatização é tão atrasado que nem o PT faz mais, aliás, pratica o contrário. Será que o articulista é favorável à volta do Roberto Franc, para reestatizar e empencar novamente a SANECAP de compadres, comadres e lideres de bairro????
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Alessandra  26.05.12 09h52
Essa foi uma época em que os políticos saiam com o mesmo patrimonio depois de serem eleitos vereadores. Quanta saudade daquela Cuiabá ...
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