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Contra a maré, renda rural de Mato Grosso cresce até 10%
Boas safras de milho e soja, além de maior produção de leite, puxam faturamento da agropecuária no Estado
Marcos Bergamasco
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Otimismo dos produtores de MT se deve à produção de soja, além do milho
RODRIGO VARGAS
FOLHA DE S. PAULO
A renda agropecuária de Mato Grosso deverá crescer 10,9% em 2012 em relação ao ano passado, puxada por boas safras de milho e soja e por maior produção de leite.
A previsão é do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
De acordo com a entidade, o Valor Bruto da Produção (VBP) no Estado vai passar de R$ 28,39 bilhões para R$ 31,48 bilhões.
O VBP é uma estimativa de renda no meio rural, que combina previsões de safra e preços de mercado.
O Ministério da Agricultura projeta para 2012 queda de 2,3% nesse indicador para todo o país - R$ 216 bilhões para R$ 211 bilhões -, motivada pela seca no Sul e no Nordeste e pela retração de preços. Seria o primeiro recuo desde a crise de 2009.
O otimismo mato-grossense se deve principalmente à produção de milho, soja e leite - que, juntos, representam 59% do VBP do Estado.
Somente a cultura da soja, responsável por metade da renda bruta estadual, terá aumento de 17,3% em seu VBP, de R$ 12,2 bilhões para R$ 14,3 bilhões. Além do aumento da produção (4%), o resultado leva em conta avanço de 13% na cotação do produto.
O milho terá a maior projeção de elevação de VBP no Estado, de 72,1%, passando de R$ 2,2 bilhões para R$ 3,8 bilhões. O motivo, considerando queda de 4% nos preços, é a produção 68% maior.
A perspectiva para a pecuária é menos favorável do que a da agropecuária, embora mantenha tendência de crescimento: 2,6%, com os setores do leite (10%) e das aves (9,2%) como principais impulsionadores.
No caso da carne bovina, a previsão é de crescimento mais modesto, de 1,1%.
O superintendente do Imea, Otávio Celidônio, disse que a alta do dólar, que encareceu insumos e componentes, foi considerada na estimativa, mas não prejudicou a percepção favorável.
"Não muda muito porque a soja, que é praticamente 50% do VBP mato-grossense, já está quase toda vendida."
Risco cambial
Em relação aos insumos, segundo ele, o impacto também é reduzido pela prática de usar a produção como moeda de troca. "Boa parte da comercialização não é mais tanto em dólar. O produtor tem passado esse risco para quem faz a troca, para as revendas, para as grandes multinacionais", afirmou.
Com o resultado positivo das últimas safras, o superintendente do Imea disse que o produtor está mais "capitalizado", com capacidade para comprar a maior parte dos insumos à vista.
"É um cenário com o agricultor mais protegido em relação aos riscos cambiais."
Para a safra 2012/2013, a conjuntura também deve se manter favorável, na opinião do instituto. "A tendência é que tenhamos uma boa safra, em termos de comercialização e custos."
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