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Esposa de Catra sobre poligamia

A diferença é que nas comunidades é mais fácil de “uma esbarrar com a outra”

Reprodução

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Silvia e Mr. Catra com as crianças

DO IG
Casada há 16 anos com o funkeiro Mr. Catra, Silvia Regina, 32 anos, fala sobre a relação, dividida com mais três mulheres oficiais e duas “consortes” (que em breve serão promovidas a esposas) com naturalidade. “A poligamia já acontece há muito tempo na favela. Lá as mulheres apenas não declaram que aceitam, mas todo mundo vive assim”, afirma Silvia, que tem quatro filhos com o funkeiro: Wagner, 12 anos; Samuel, 11 anos; Noemi, 8 anos; e Silvinha, 3 anos.

Catra, pai de 21 filhos, faz coro: “A poligamia na favela é normal e não é só com o traficante. Isso acontece em toda a comunidade”. Para Silvia, a mudança de comportamento aconteceu nas comunidades porque os moradores vivem uma realidade a parte do restante da sociedade. “É diferente do mundo de quem vive lá fora. As pessoas se casam com outras que já conhecem. É alguém que cresceu junto, viu criança, ou estudaram juntos e, quando você vê, estão casados. Então a mulher já conhece aquele homem, ela sabe como é o ritmo dele”, diz ela.

E completa: “Todo mundo sabe que a outra mulher do cara mora na rua do lado, no beco de cima, só não fala abertamente porque agora que está chegando esse negócio de falar, de expor como vive”.

Filhos se dão bem

Para Catra, não revelar que tem outras esposas é uma forma de traição. “Eu acho isso uma sacanagem. Como vou amar a minha mulher e ficar enganando ela? Então eu não amo a minha mulher!”, afirma o funkeiro. Silvia vai além e afirma que no asfalto as relações só não acabam sendo reveladas por uma questão geográfica. “Na sociedade, de uma maneira geral, o cara bota uma mulher dentro de casa e outra para morar num apart-hotel em outro bairro. Só que na comunidade um se esbarra com o outro, então fica mais fácil saber que a vizinha do lado tem um filho do seu marido do que saber que a mulher do outro bairro tem”, diz ela, que garante que os filhos de todas as esposas se dão bem.

“Só fora da comunidade que tem essa frescura. Porque é uma frescura sem fundamento, afinal, todas sabem. A gente que é mulher sente se está sendo enganada. Você fala para todo mundo: ‘Acho que estou sentindo que hoje meu marido está saindo com outra?’. Pois eu já falo: ‘Hoje ele não veio porque deve estar fodendo com alguém’. Viu a diferença?”, pontua. Silvia afirma que as mulheres que aceitam a poligamia abertamente se respeitam mais do que as que fingem não saber da relação ou as que descobrem a traição e precisam lidar com as demais.

“Não existe esse negócio de botar marido na Justiça porque se todo mundo é família quem faz a Justiça da família somos nós. Isso aí vem de fora, de uma sociedade que prefere viver camuflada e ensina para as outras famílias que tem que colocar o pai na Justiça, que tem que foder. Tem que foder com o quê? Com a família?”, questiona.

Para Silvia as disputas judiciais só contribuem para a desarmonia do lar. “Como vou ficar feliz em colocar o pai de um filho meu na Justiça? Será que meus filhos vão ficar contentes com isso?”, indaga. Quando o assunto é uma possível falta de sintonia com uma esposa que possa vir a integrar o grupo, é enfática. “Sou a primeira mulher. Para ele ficar com uma mulher tem que ser alguém que tenta pensar ou pensa como eu. Se a pessoa tem um pensamento atrasado não vai conseguir caminhar junto. Então ou ela adere ou não entra. Você não vai se envolver com uma pessoa para depois reclamar da mulher dele sendo que já sabia que ele era casado, né?”, explica Silvia.

Amizade vem com o tempo

Segundo ela, ao primeiro sinal de problema a melhor coisa a fazer é procurar a outra esposa diretamente. “Se ela está dando defeito, não está respeitando a família. Afinal, aceita, de alguma forma, ela é. Se ela entrou é porque eu abri a porta da minha casa, considero ela como pessoa, não estou desfazendo dela. Se o tratamento dela não for o mesmo com você aí ela está dando defeito e tem que se afastar”, afirma.

Apesar da postura decidida, Silvia confessa que as quatro não são amigas. “Deveríamos ser, mas para você ser amiga de uma pessoa ela tem que agir na pureza com você. Até porque a gente tem que se respeitar, temos filhos, somos mulheres, vivemos juntos, gostamos da mesma pessoa. Como você vai me ajudar a tratar do meu marido se não tem uma relação boa comigo?”, diz ela, que acredita que a amizade vem com o tempo. “É complicado porque as que estão vindo de fora ainda estão aprendendo. Você não pode querer cobrar uma amizade de cara. Vai fingir para querer agradar as pessoas? Aqui o negócio é agradar a Deus”, diz Silvia, que aceita que Catra tenha novas esposas.

“A gente aqui tem um lema: faz por merecer que a gente faz valer a pena”, dispara. Se a candidata apresentar dificuldades de relacionamento ela acredita que a melhor solução é tentar dar um toque. “Procuramos ver e estudar o que não está bom para tentar melhorar. Até porque, se somos uma família, tem que dar a dica. Se não melhorar é porque ela também não está se esforçando para conviver com a família”, afirma Silvia, que opta por ela mesma falar com as demais mulheres.

“Automaticamente estou abrindo as portas da minha casa para receber essa pessoa e, se ela não estiver pronta para receber a minha família, não dá”, afirma.




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