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Manifestações no Brasil

Vivemos a uma emancipação dos sujeitos do século XXI

RENATO SANTANA

Os jovens sempre estiveram presentes nos acontecimentos de mobilização que marcaram a história de nossa sociedade brasileira. Com o processo de globalização dos mercados se aprofundando e levando a desterritorialização dos processos produtivos, novas leituras foram surgindo e vem-se desenhando a ruptura com o “paradigma” moderno.

No Brasil desde a redemocratização a partir da década de 1980, passando pela estabilização da moeda na década de 1990 e chegando as políticas de inclusão social na primeira década do século XXI, o povo viveu acorrentado á um discurso localizado no plano da democracia e da cidadania, tanto que a Carta Magna de 1988 é conhecida como Constituição Cidadã.

As promessas de igualdade, liberdade e fraternidade, ecoadas na modernidade desde a Revolução Francesa, não se concretizaram até hoje, assim como também não se concretizaram as promessas das revoluções Socialistas. Institucionalizaram-se totalidades teóricas que na contemporaneidade, não refletem aos anseios emancipatórios do cidadão do século XXI.

A partir das mobilizações que tomam todo o território brasileiro, surgiram reflexões cujo consenso momentâneo é que a classe de dirigentes políticos do país, de situação a oposição, da extrema direita a extrema esquerda, não sabe até o momento o que está acontecendo e quais as consequências futuras.

O italiano Domenico de Masi que se tornou conhecido no Brasil por seus ensaios sobre o ócio, em “a revolução necessidades,” ao falar da sociedade pós-industrial, constatou que as pesquisas do campo da psicologia, de visões pessimistas aos com visões otimistas, convergem para o entendimento em que as necessidades individuais e a estrutura da personalidade passam por mudanças. Cada sujeito tem uma carga própria com tensões de necessidades e desejos, em que se equilibra entre si, o ambiente físico e o ambiente social. Essas necessidades não tem sua origem no próprio sujeito, mas sim no meio.

É possível que o fenômeno que vem tomando o Brasil nesses últimos dias, seja fruto dessas necessidades individuais. Os movimentos que iniciaram com a bandeira da redução da tarifa de transporte urbano em algumas capitais, tomou o país e recebeu novas bandeiras como: questionamento dos gastos com o evento da Copa, PEC 37, reforma fiscal, reforma política, entre outras.

Muitos analistas insistem em uma leitura de conflito de classe, como fez o Presidente do IPEIA, porém, acredito que fomos deslocados do um universo de segurança e certeza, para um território de insegurança e incertezas. Sou da opinião que nossa incapacidade de perceber as transformações sociais se dá porque somos frutos da modernidade, onde tudo era linear, de fronteiras bem definidas, ordeiras e institucionalizadas.

Na contemporaneidade do século XXI, vivemos um hibridismo onde as fronteiras estão em constante deslocamento e as identidades em constantes negociações e posicionamentos (o que Stuart Hall escreveu como “o jogo de identidade”). É importante compreender também que a velocidade se dá com maior rapidez do que estávamos acostumados.

Devemos fazer a leitura dos atuais acontecimentos com outras lentes é provável que agora eu dê razão a Fukuyama, não do “Fim da História” sobre a ótica do “triunfo definitivo” do liberalismo ocidental, mas da linearidade e binarismo comum da modernidade. Estou sendo levado a acreditar que as manifestações ocorridas nos últimos anos no mundo e agora no Brasil, sejam um movimento emancipatório da sociedade atual, referente às amaras da modernidade.

RENATO SANTANA é historiador e Mestre em Educação.






2 Comentário(s).

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Queila Menezes  04.07.13 08h45
Muito bom seu ponto de vista. Acredito que os brasileiros estão passando por uma fase de concretização de identidade, até antes das manifestações o povo reclamava da política brasileira em rodinhas de amigos, bares e filas de atendimento, falavam como se não houvesse solução para esse problema, as pessoas reclamavam e nunca eram ouvidas. A força crescente das redes sociais e o acesso a internet garante uma participação maior da sociedade no atual momento que o país se encontra, vozes estão sendo ouvidas e algumas mudanças já se é percebida. Viva a voz do povo brasileiro Viva a democracia!!
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caroline bento macedo  02.07.13 13h30
gente para de ir para rua porque só esta piorando o brasil se voces querem melhorar o brasil entao negociem e façam do jeito certo porque isso esta distruindo o brasil
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