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Nouriel Roubini alerta para bolha imobiliária no Brasil

Alta rápida dos preços dos imóveis em grandes metrópoles é sinal de risco, avalia o Dr. Apocalipse; 'vivemos uma reprodução do último acidente'

DO IG

Nouriel Roubini tornou-se, nesta sexta-feira (29), o segundo profeta da crise econômica que abalou os Estados Unidos a alertar para a existência de uma bolha imobiliária no Brasil. O primeiro havia sido Robert Shiller, em setembro.

“O que estamos vendo em muitos países parece uma reprodução em câmera lenta do último acidente ferroviário do mercado imobiliário. E, como da última vez, quanto maiores as bolhas ficarem, pior vai ser a colisão com a realidade”, escreveu Roubini, professor de Economia da Universidade de Nova York e conhecido como Dr. Apocalipse por prever, em 2006, sobre a crise econômica de 2008.

Em artigo publicado nesta sexta-feira (29) no Project Syndicate, Roubini coloca o Brasil ao lado de Turquia, Índia e Indonésia como economias em desenvolvimento cujas grandes metrópoles vêm experimentando a emergência de bolhas. Em setembro, Shiller havia afirmado suspeitar dos mercados de Rio e São Paulo.

Os riscos atingem também economias desenvolvidas, como Suíça, Suécia, Noruega, Finlândia, França, Alemanha, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, segundo o economista.

'Território de bolha'

Os sinais de que os preços do mercado imobiliário estão entrando no “território de bolhas”, incluem a disparada no preço dos imóveis, o seu descolamento em relação à renda da população, e a elevação da participação do endividamento imobiliário em relação ao endividamento total.



Segundo Roubini, os mercados imobiliários estão “espumando” pois as autoridades monetárias – sobretudo nas economias avançadas e nos mercados emergentes com renda elevada (dentre os quais ele não inclui Brasil) – estão reticentes em elevar os juros e têm apostado em medidas macroprudenciais como um seguro contra bolhas.

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Essas medidas incluem regras mais rígidas de concessão de crédito imobiliário, o que inclui conter ou diminuir o valor do empréstimo em relação ao valor do bem – a razão empréstimo/valor, ou loan to value ratio, em inglês.

No Brasil, a baixa razão empréstimo/valor é um dos principais argumentos de quem nega a existência de uma bolha imobiliária no País.

Para Roubini, entretanto, tais ferramentas são insuficientes.

“Para ser claro, restrições macroprudenciais são certamente algo a se exigir, mas elas são inadequadas para controlar bolhas imobiliárias”, escreveu Roubini. “Com taxas de juros de curto e longo prazo tão baixas, restrições à concessão de crédito imobiliário parecem ter um efeito limitado nos incentivos à tomar empréstimos para comprar a casa.”

Roubini dá como exemplo um cenário em que o mutuário, obrigado a dar uma entrada elevada (por causa de uma baixa razão empréstimo/valor), acaba tomando empréstimos com parentes ou créditos pessoais menos seguros para angariar a soma inicial.

“Afinal, embora em alguns países o preço dos imóveis tenha diminuído modestamente, os preços dos imóveis em geral ainda estão crescendo em economias onde medidas macroprudenciais para crédito imobiliário estão sendo usadas. Enquanto taxas de juros oficiais – e, consequentemente, taxas de juros no crédito imobiliário – continuarem baixas, tais restrições não são tão eficientes como seriam de outra forma.”

No Brasil, a Selic – taxa básica de juros – atingiu o mínimo histórico de 7,25% em outubro de 2012, mas está em elevação consecutiva desde março de 2013 e, nesta semana, chegou a 10%.

O economista ressalva que um eventual estouro ou desinflar de uma bolha não ocorrerá já, em razão das medidas expansionistas que vêm sendo adotadas pelos bancos centrais. Além disso, as condições do sistema financeiro são mais seguras do que no passado – o que permitiria aos bancos lidar melhor como uma eventual queda abrupta de preços – e as famílias detêm, hoje, uma parcela maior dos imóveis do que ocorria nos EUA à época da crise.

“Mas quanto mais os preços dos imóveis subirem, maior vai ser o tombo, e maiores serão os efeitos colaterais econômicos e financeiros quando a bolha desinflar.”






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