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/ "ROLEZINHOS"
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Juiz nega pedido de shopping para impedir "rolezinhos"

Movimento, formado nas redes sociais, está marcado para o dia 2 de fevereiro, em Cuiabá

MidiaNews

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Juiz Yale Sabo Mendes (detalhe) negou pedido do Pantanal e diz que jovens lutam contra "apartheid"

LAÍCE SOUZA
DO MIDIAJUR

O juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, negou pedido do Pantanal Shopping Center para proibir a realização do chamado “rolezinho” nas dependências do estabelecimento comercial, na Avenida do CPA,  marcado para o dia 2 de fevereiro próximo.

A decisão liminar é desta segunda-feira (20).

O Condomínio Civil do Pantanal Shopping, autor da ação de interdito proibitório, alegou que os integrantes do “Bonde do Rolezinho”, como são chamados os participantes desse tipo de encontro que reúne jovens de classe social menos abastada, marcaram o encontro com o único fim de “turbarem e esbulharem a posse da área de lazer no local”.

A defesa do shopping sustentou ainda que, recentemente, no dia 28 de dezembro, teria sido vítima, juntamente com seus frequentadores, de briga generalizada provocada pelo “Bonde do Rolezinho”.

Afirmou ainda que “há predisposição da ocupação dos espaços físicos do estabelecimento, demonstrado em conversas na rede social Facebook”.

"Do que se extrai das redes sociais, é que os idealizadores do evento buscam dar um basta no ‘apartheid brasileiro’"



Entretanto, no entendimento do juiz Yale Mendes, “não se pode também perder de vista que esses encontros, que vêm ocorrendo nos shoppings centers, na verdade, não possuem o escopo de expropriação ou moléstia de posse, mas sim, a princípio, cingem-se tão-somente a uma reunião de determinado grupo de jovens que usualmente se relacionam pelas inúmeras redes sociais virtuais”.

“Ora, vivemos em um Estado Democrático de Direito, princípio adotado como fundamental da nossa sociedade, e que tem a particularidade de emprestar respeito às ações individuais e coletivas legítimas e de proteger toda e qualquer manifestação do pensamento que venha ser feita, porque, só assim, poderá ser assegurado o direito de igualdade, de ir e vir, dentre outros instituídos em nossa Carta Magna”, disse o juiz, na decisão.

Yale Mendes destacou, ainda, que, do que se extrai das redes sociais, é que “os idealizadores do evento buscam dar um basta no ‘apartheid brasileiro’, que, ao meu sentir em nada se difere das recentes e grandiosas manifestações que também ocorreram no ano passado em todo o país, inclusive nas principais avenidas de nossa Capital, onde se registrou ‘quebra-quebras’, tumultos, algazarra, e nem por isso foram alvo de qualquer proibição pelo Judiciário”.

“Ao revés, referidas manifestações foram noticiadas pelo mundo, com apoio de inúmeras autoridades, inclusive com a compreensão das repartições públicas que suspenderam o expediente a fim de que os servidores pudessem aderir ao movimento”, destacou.

Ao contrário do que o shopping alegou, para o magistrado, não é possível afirmar que o movimento social e a organização do encontro visa exclusivamente tumultuar e abalar a ordem social, "de modo que deve-se garantir o direito legítimo do cidadão à sua liberdade individual à manifestação de seu pensamento, de reunião, os quais estão a ser violados em caso da concessão da medida perquirida pelo autor”.

Na avaliação de Yale Mendes, cabe ao Pantanal Shopping “tomar as medidas que se fizerem necessárias a debelação das irregularidades evidenciadas caso houver uma deturpação no adequado uso direito à manifestação nos eventos assemelhados, não sendo o caso de proteção possessória”.

Rolezinho

O “rolezinho”, termo utilizado para definir os encontros de jovens menos abastados marcado pelas redes sociais em ambientes públicos e em shoppings, ganhou projeção nacional com os recentes incidentes ocorridos no Estado de São Paulo.

Na oportunidade, policiais retiraram à força os jovens dos locais, mesmo sem a prática de delito, a pedido dos proprietários de lojas.

Em entrevista ao site UOL, a antropóloga e professora da Universidade de Oxford, na Inglaterra, Rosana Pinheiro-Machado, afirmou que fechar os shoppings para os "rolezinhos" é apartheid.

Ela fez referência ao regime de segregação racial adotado na África do Su,l na segunda metade do século 20.

"No fundo, o que se teme é ver o que antes não se via: a periferia negra, a pobreza e a desigualdade", afirmou.

Na rede social

Conforme o site MidiaNews revelou, na semana passada, em um grupo formado no Facebook, jovens marcaram “rolezinho” para o dia 2 de fevereiro, às 14h, em Cuiabá.

O local ainda está em votação, mas, conforme se apurou, a tendência é de que o evento aconteceria no Goiabeiras Shopping Center, localizado na Avenida Lavapés, no bairro Duque de Caxias, um local frequentado pela elite cuiabana, por abrigar muitas lojas de grifes.

Intitulado "Rolêzin no Tchópe" (clique AQUI), o grupo, que até então já contava com 114 pessoas que teriam confirmado a participação, é uma versão cuiabana dos atos que começaram em São Paulo e se espalham por várias regiões do Brasil.

Os jovens são, em geral, da periferia ou de classe média.

Recurso

Da decisão do juiz Yale Sabo Mendes, o Pantanal Shopping Center pode recorrer ao Tribunal de Justiça, por meio de um agravo de instrumento.

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21 Comentário(s).

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FECHAR

Diogo F  21.01.14 15h59
Que tal um rolezinho no Forum?
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4
Gean  21.01.14 14h59
Está certíssimo o Juiz, tanto que ele, mulher e filhos vão neste dia ao Shopping como todos os idosos, crianças, clientes irão, com a certeza que não haverá baderna, correria, furtos, medo nos corredores da situação de um local que deveria ser tranquilo virar um parque num espaço confinado e privado, certíssimo Juiz, esperamos vossa excelência neste dia para seu argumento ser "legítimo e autêntico".
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Diogo Federer  21.01.14 11h34
Diogo Federer, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Daisy  21.01.14 11h02
Nao tenho noticias de nenhuma pessoa barrada em shopping por ser "desfavorecido socialmente", os rolezinhos nao tem reivindicaçao alguma. Ja' foi demonstrado que muitos deles JA' sao frequentadores de shoppings. O que se busca evitar é a AGLOMERAçAO exagerada e desordeira desses jovens, onde inevitavelmente estara' presente TAMBEM gente disposta a depredaçoes. Como sempre, sera' preciso acontecer uma tragédia para vermos açoes efetivas da parte do poder publico.
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LISARDO  21.01.14 08h40
AS REALIZAÇÕES DOS "ROLEZINHOS" SIGNIFICA "O GRITO DOS PRIMIDOS"
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