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/ UNIMED CUIABÁ
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Funcionários dizem que sofreram constrangimentos durante reunião

Superintendente financeiro teria pressionado servidores a aceitar percentual de reajuste em reunião

MidiaNews

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Sede da Unimed Cuiabá: acusações de constrangimento por funcionários

MAYARA MICHELS
DA REDAÇÃO

Servidores da Unimed Cuiabá acusaram o superintendente financeiro da empresa, João Afonso Costa Marques, de ter constrangido um grupo de mais de duzentos colaboradores durante uma reunião para tratar de reajuste salarial. A reunião aconteceu no último dia 2 de setembro, uma quinta-feira, no auditório da própria Unimed, e contou também com as presenças do diretor financeiro da empresa, Douglas Roberto Gomes, e da gerente dos Recursos Humanos, Geane Ribeiro.

Segundo os funcionários, a reunião começou por volta das 16h30 e terminou às 18 horas. A pauta foi o dissídio coletivo. O sindicato da categoria pleiteia um reajuste de 15%, mas os servidores aceitam uma contraproposta de 10%.

Durante a reunião, segundo os funcionários, os diretores argumentaram que a empresa não teria condições orçamentárias de atender a reivindicação e, por isso, o máximo que poderiam conceder de reajuste seria 5%.

Na maior parte do tempo, quem conduziu a reunião foi o superintendente financeiro. Segundo funcionários, ele projetou em um telão exemplos relacionados ao custeio da empresa, e procurou demonstrar o porquê não seria possível conceder o reajuste.

"Pelo que entendi, ele disse que Unimed está em situação financeira delicada e, neste momento, não tem como pagar mais que 5% de aumento. Até aí tudo bem. Acontece que o superintendente financeiro, ao final da reunião, teve uma atitude lamentável. Ele pediu para que os funcionários que estivessem satisfeitos com o reajuste de 5% levantassem as mãos. Como quase ninguém levantou, ele começou a argumentar de novo no sentido de nos convencer. Depois de algum tempo falando, ele disse que iria perguntar de novo, de outro jeito. Então ele falou: ‘Vou perguntar de novo. Quem não ficou satisfeito, levanta a mão'. O constrangimento foi geral. As pessoas ficaram com medo. Apenas uns poucos servidores tiveram coragem de levantar a mão e outro pediu a palavra para reclamar", relatou um funcionário da Unimed Cuiabá, presente à reunião e que pediu para não ser identificado por temer represálias.

O servidor afirmou que o dissídio coletivo da categoria deveria ter sido definido no final de julho mas, como isso não aconteceu, a Unimed Cuiabá adiantou um reajuste de 4,25% até que a questão se resolva. "Eles estão convictos de que aceitaremos os 5%, por isso deram esse aumento, para depois só pagar 0,75%", disse o funcionário.

Outra funcionária confirmou a versão sobre os termos da reunião. "É um tipo de coisa que não pode acontecer. Estávamos ali para dialogar, não para sermos, de certa forma, ameaçados. Ao final da reunião, todos ficaram indignados, pois foi claramente uma tentativa de intimidação", disse. Segundo ela, muitos funcionários foram deixando a reunião em protesto e descontentamento em relação ao teor da fala do superintendente.

"Ele disse alguns absurdos. Disse que nós, funcionários, temos que aprender a economizar, a poupar. Disse também que temos que fazer especializações, pós-graduação para crescer profissionalmente. Mas com um salário como esse, fica praticamente impossível. Será que ele sabe quanto cada um de nós ganha?", indagou.

Segundo ela, teria havido por parte do superintendente uma "ameaça velada" quanto à possível demissão, diante da falta de um consenso sobre o reajuste salarial. "É claro que ficamos com medo de continuar insistindo no aumento de 10%. Eles foram bem claros e deixaram implícito que, se continuássemos com esse assunto, eles poderiam até aceitar o índice de reajuste pleiteado, porém iriam certamente ter que fazer cortes de despesas demitindo funcionários", afirmou.

"Pedir as contas"

Outro funcionário presente à reunião deu mais detalhes sobre a linha de discurso adotada pelos diretores da empresa. "De certa forma me senti pressionado e desrespeitado. Eles humilharam a gente, falando que, se alguém ali não estava satisfeito, que devia buscar lá fora outro emprego, em outra empresa que paga o que nos agrada. Só que a maioria dos funcionários tem dependentes doentes e não saem da Unimed porque precisam do plano de saúde. Por conta disso, e pelo medo de perder o emprego, muitos acabam aceitando o que eles pedem", afirmou.

Sindicato

Segundo Kátia Aparecida Sampaio da Silvia, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso, as negociações com a Unimed estão em andamento.

Ela confirmou a realização da reunião com os servidores no dia 2 de setembro, mas disse que ninguém do sindicato participou devido a uma orientação jurídica. Os trabalhadores não queriam oficializar a proposta feita sobe pressão dos diretores.

"Eu não fui porque sabia que, certa forma, os funcionários seriam forçados a aceitar a proposta salarial. Porque os diretores iriam tentar, de toda forma, convencê-los de que não podem pagar mais, e eu não gostaria de ter compartilhado essa situação de ameaça que eles tiveram. Não queria estar presente para oficializar o acordo", afirmou Kátia.

"Sei também que a empresa já aumentou no mês de julho e agosto o salário dos funcionários, teve um acréscimo de 4.25%. Mas a categoria não aceitou. Esse valor na folha não tem diferença, não significa quase nada de aumento. Queremos os 15% de reajuste", afirmou Kátia.

Para o advogado do sindicato, Silvio Marinho, o relacionamento entre a Unimed e o sindicato é democrático. "Não estamos em confronto, temos um relacionamento democrático. A empresa deu a proposta, os trabalhadores não aceitaram, querem um aumento maior, então vamos continuar nessa luta. Eles estão pagando um valor abaixo do mercado, os trabalhadores querem apenas igualdade, um salário em real, com base no nosso salário mínimo", afirmou.

"Como não houve um acordo na base do diálogo, vamos protocolar no Ministério do Trabalho um termo para chamá-los para uma mesa redonda, para tentar o acordo", afirmou Marinho.

Outro lado

Procurado por quatro vezes, João Afonso Costa Marques, superintendente financeiro da Unimed Cuiabá,  não quis atender a reportagem. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, "não há nenhum registro de queixa de colaboradores nos canais de comunicação existentes na Cooperativa para atender a este tipo de demanda, criados inclusive para resguardar a privacidade de eventuais reclamantes".

A nota diz que "está em curso a campanha salarial dos colaboradores da Unimed Cuiabá, por meio de negociação com o Sindicato que representa a categoria".

"A Unimed Cuiabá já antecipou a reposição salarial aos seus colaboradores em índice superior ao da inflação registrada no período de um ano, correspondente ao da data base da categoria. Esta Cooperativa nunca registrou e não apóia qualquer tipo de comportamento que contrarie os princípios da ética, do respeitoso relacionamento humano e da democracia, inclusive no ambiente corporativo", concluiu a nota.







78 Comentário(s).

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Tobias  06.10.10 02h58
Se vocês trabalhassem na distribuidora da unimed veriam que na sede vocês estão no céu, aqui sim somos escravos.
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marilza  28.09.10 22h41
Concordo plenamente com o que diz a Célia no setor que trabalho na unimed tens mais ou menos 3 a 4 pessoas procurando um jeitinho de ser demitido, pois aqui somos tratados como máquinas e olhado pela liderança de cima para baixo, como se valessemos menos que o micho salário que recebemos. A sorte da Unimed é o plano de saúde que é muito caro e acamos ficando na empresa por termos pessoas que dependem de nós.
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Célia Santos  26.09.10 00h51
Sou funcionária da unimed e a verdade é que a unimed trabalha com mão de obra barato, tanto é que está demitindo todo mundo que ganha um pouco mais e contratando colaborador novo, com isso causa um caos na empresa pois os que entram esperam mais da Unimed e se deparam com uma outra realidade, o (péssimo salário),pois esta metodologia é justamente para pagar um salário inferior pelo mesmo trabalho executado, sem contar que hoje existe fila de colaborador esperando para ser demitido, pessoas totalmente desmotivadas. O fato é que a Unimed usa a ética apenas para questões de MARKTING, o colaborador é visto apenas como um executor de tarefas.
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Amanda  23.09.10 10h01
Não me surpreende o fato da B. defender a cooperativa. Ela, mais do que ninguem, sabe que se perder esta bocada, jamais arrumará outro emprego, nem ganhando 1/3 do que ganha hoje. Afinal, só chegou na posição que está, puxando o saco dos grandões e o tapete dos colegas.
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JOAO NADA SURPRESO  21.09.10 13h57
Quem nestes comentários postou que as pessoas reclamam de barriga vazia é pq não viveu a realidadade desses funcionários. Infelizmente há que se comentar que há diretores que não merecem a reverência de poucos e que o puxa saquismo reina absoluto naquela empresa. Lamentável é perceber que embora já tenham passados vários anos, a realidade permanece, e pior. Pessoas que têm alto gabarito técnico porém, de relacionamento e respeito ao humano que somos, está longe de entender, como o digníssimo diretor (prestador de serviços) que tem o mais alto salário e seus comandados escolhidos à dedo. Não é de hoje que ouço o testemunho de inúmeros empregados e ex que lamentam a condução dessa cooperativa.
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