Dez bairros concentraram 20% das ocorrências de violência contra mulheres em Cuiabá, de acordo com o 2º Anuário Estatístico da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher da Capital. No Pedra 90, que lidera o ranking de registros, 85 mulheres foram vítimas de violência em 2018.
A delegada titular da unidade especializada, Jozirlethe Aparecida Magalhães Criveletto, explicou, porém, que as ocorrências de violência contra mulher não são restritas aos bairros da periferia cuiabana.
“Costumamos dizer que a violência contra a mulher encontra-se pulverizada na Capital, porque temos bairros como o Jardim Itália [de classe média alta], onde existem ocorrências. Não é só na periferia”, apontou a delegada.
Apesar da maior incidência de ocorrência figurar em dez bairros de Cuiabá, os dados do anuário apontam que mulheres de 229 logradouros da Capital sofrem violência doméstica.
O CPA 3 aparece em segundo lugar na lista de locais com maior número de registros, seguindo por Dom Aquino, Doutor Fábio Leite, Tijucal, Centro Norte, CPA 4, Porto, Santa Izabel e Osmar Cabral.
A delegada afirmou que os dados coletados para a confecção do estudo auxiliaram ainda nos atendimento da Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar.
De acordo com ela, os bairros com maior incidência recebem atendimentos da equipe especializada da PM.
“Os trabalhos nesses bairros foram feitos em cima das estatísticas de mulheres que chegam à delegacia e pedem pela medida protetiva. Foi utilizado esse estudo para que o atendimento dessas vítimas fosse prioridade da patrulha”, explicou.
Mês mais violento
Segundo o anuário, 3.054 mulheres vítimas de algum tipo de violência foram atendidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em 2018. O número é 19% maior na comparação com o mesmo período de 2017.
Ainda de acordo com as informações do anuário, no mês de agosto foi registrado o maior número de vítima de violência: 288 atendimentos.
“No mês de agosto temos o aniversário da Lei Maria da Penha. Então trabalhamos com muitas ações nos bairros de Cuiabá. Também é o mês em que mais fizemos pronto-atendimentos e procedimentos”, avaliou.
Outubro e julho, com 284 e 262 ocorrências respectivamente, também aparecem como os meses de maior incidência na capital.
Agressões às terças-feiras
Conforme o anuário, terça-feira foi o dia com maior quantidade de registros em 2018, tendo sido atendidas 448 mulheres vítimas de agressão pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher. Em seguida, aparece o domingo: 405 ocorrências.
Em 2017, quarta-feira foi o dia com maior número de ocorrências de violência contra mulher. De acordo com a delegada, o fato foi relacionado aos jogos de futebol que normalmente acontecem neste dia.
Horário
Segundo o anuário, o período entre 12h e 17h59 é o horário em que o maior número de mulheres foram vítimas de violência em 2018, chegando a 924.
Porém, de acordo com a delegada, somando os registros feitos durante a noite e a madrugada, a incidência de violência contra a mulher se torna maior.
“Somando o período noturno e a madrugada, estamos dizendo que a mulher ainda é mais violentada nos períodos em que não temos a Delegacia da Mulher funcionando, que seria entre os horários de 19h e 7h”, explicou.
Juntos, os períodos compreendem a 987 dos registros de violência contra a mulher de 2018.
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