Cuiabá, Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2018
"BOM MOMENTO"
12.10.2018 | 07h50 Tamanho do texto A- A+

Após vencer tumor, cuiabana cria linha de capuccinos: "Foi Deus"

Tássia Hermann é bancária e começou empreendimento há quatro meses

Alair Ribeiro/MidiaNews

Tássia Helmann e o marido, Everton Souza, fabricam cappuccinos caseiros

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

Em busca de uma maneira de liquidar contas contraídas ao longo de 20 anos de tratamento contra um tumor benigno agressivo, a bancária Tássia Helmann, de 30 anos, decidiu investir em algo que gosta: capuccinos caseiros.

 

Logo, a produção de capuccinos transformou-se em um complemento da renda salarial e passou a ajudar a bancária a quitar compromissos financeiros diversos.

 

Em entrevista ao MidiaNews, Tássia, que é cuiabana, revelou que conseguiu extrair o melhor dos momentos difíceis que passou ao longo do tratamento da doença, a fim de conseguir fazer com que a sua nova paixão desse certo.

 

Há quatro meses, ela criou a linha de produtos “Bom Momento” e afirma que, além de já ter conseguido quitar todas as suas dívidas, tem investido e notado o retorno do novo empreendimento. Religiosa, ela afirma que a inspiração veio de Deus.

 

“Eu falava pra mim mesma que precisava fazer alguma coisa para sair das dívidas. E eu sentava, ficava pensando e passei um mês assim: pensando. Até que um dia, que eu falo que foi inspiração de Deus, pensei no cappuccino caseiro. Ele é diferente e eu já tinha minha opinião de que era mais gostoso, porque não gostava daqueles de mercado”, disse.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Cappuccino Bom Momento

Quatro meses após a sua última cirurgia, Tássia Helmanncriou a linha de produtos “Bom Momento”

“Quando eu comecei, eu e o meu marido [Everton Souza] descobrimos um universo que nos apaixonamos, que é do empreendedorismo. Então o que era para levantar um dinheiro para uma coisa, tomou uma proporção gigante e a gente começou a amar fazer isso. Assim, a gente foi crescendo a cada dia”, contou.

 

Segundo Tássia, o projeto foi colocado em prática com a ajuda do marido, Everton Souza, atendendo a pedidos de amigos e familiares e, hoje, eles já contam com clientes fixos.

 

Dedicação aos capuccinos

 

O diferencial dos cappuccinos de Tássia, segundo ela, é a qualidade no atendimento e também nos ingredientes.

 

“Nós fomos descobrindo os gostos dos clientes. Então, mesmo eu tendo a minha receita fechada, faço aquelas que as pessoas pedem. Tem gente que quer zero lactose e eu faço, pedem fit (adoçado com xilitol), sem chocolate, descafeinado. Tudo que as pessoas pedem, até hoje, eu consegui fazer”, afirmou.

 

A bancária relata que a diferença entre o produto que faz em sua própria casa e os comercializados em lojas e padarias é a quantidade e a seleção dos ingredientes usados na receita.

 

“Mesmo que os [capuccinos] dos mercados tenham sabores, é usado apenas um leite, um café, um chocolate, e tem gordura. Às vezes, nem chegamos a sentir, por exemplo, o sabor da canela. Essa é a diferença do artesanal, que tem um sabor mais marcante e mais forte”, afirmou.

 

Tássia disse que ainda não pensa em largar a profissão como bancária e que teme expandir as vendas dos cappuccinos e não conseguir dar a devida atenção aos clientes.

 

“Eu penso em expandir, mas não quero tratar as pessoas como multidão, que tratar de cada um. Não quero perder os clientes e amigos que eu já fiz. Eu vejo que cheguei aqui pela qualidade do meu serviço. Primeiro, cheguei pela minha história. Depois, pela qualidade. Tem gente que nem mesmo sabia do meu problema quando eu ia entregar a encomenda", disse. 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Cappuccino Bom Momento

Segundo Tássia, o diferencial dos cappuccinos feitos pelo casal é a qualidade no atendimento e nos ingredientes selecionados

 

Superação

 

Desde os sete anos, Tássia dividou sua infância entre as salas de cirurgias em Curitiba e a vida em Cuiabá.

 

Entre a adolescência e a juventude, passou por 13 cirurgias para tratar o tumor, que insistia em reaparecer em sua perna, impedindo-a de levar uma vida normal.

 

De acordo com ela, por se tratar de um tumor benigno e não um câncer, não havia tratamento no Estado, mesmo sendo agressivo.

 

“Começou no pé, e do pé se estendeu para toda a perna esquerda, chegando até o início do nervo ciático. Eu operava e ele voltava”, disse.

 

“A minha vida era ir daqui para lá [Curitiba] todos os anos fazer o tratamento. Aqui, falaram que não tinha mais tratamento e não sabiam o que fazer”, contou.

 

Conforme a cuiabana, a última cirurgia feita para a retirada do tumor ocorreu há cinco anos. Desde então, ele não mais voltou.

 

Em fevereiro deste ano, ela passou por uma nova cirurgia, mas desta vez com um propósito diferente das anteriores: qualidade de vida.

 

“Hoje, diante da Medicina, posso ser considerada curada. Essa última cirurgia foi pra tentar investir na minha qualidade de vida, porque eu tinha uma seqüela que me impedia de andar. Então, fiz uma cirurgia que mexeu no osso para devolver a minha qualidade de vida e eu recuperar melhor o jeito de andar, mas não 100%", disse.

 

"Antes, eu andava com uma órtese [aparelho externo] bem alta e do outro lado, uma bengala. Mas, desse jeito, eu já estava muito feliz porque, para quem quase perdeu a perna várias vezes, ter a possibilidade de andar com uma órtese e uma bengala me deixava muito feliz”, disse.

Eu falo que no meio das dificuldades aparecem as oportunidades. No meu caso, era não ficar chorando ou virar vítima do meu problema, mas fazer algo e vencer. Tem hora que eu até esqueço das minhas dificuldades

 

Sem medo de arriscar

 

A bancária afirmou que o segredo do sucesso é não ter medo de sair de sua zona de conforto e investir em algo que sonha ou sempre teve vontade.

 

"O nosso crescimento está sendo construído dia após dia e a minha maior dica é essa: não tenham medo, porque as dificuldades da nossa vida não nos param. Se você se comprometer, o resultado vai vir”, afirmou.

 

"Eu falo que no meio das dificuldades aparecem as oportunidades. No meu caso, era não ficar chorando ou virar vítima do meu problema, mas fazer algo e vencer. Tem hora que eu até esqueço das minhas dificuldades, esqueço que ainda eu passo por uma fase difícil”, relatou.

 

A empreendedora avalia que, muitas vezes, as pessoas têm dificuldades de se entregarem aos seus sonhos, têm medo das dificuldades e acabam não olhando para a frente.

 

"Se você fizer isso, entregar algo de qualidade, com preço justo e se comprometer com isso, o resultado vem, as portas se abrem. Eu só preciso ser comprometida com os meus negócios, com os meus clientes, não entregar menos, nem coisas medianas, porque as pessoas querem coisas de qualidade e serem bem tratadas", afirmou.

 

Quem quiser conhecer mais sobre o  trabalho do casal pode acessar a página Bom Momento no Instagram.

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4 Comentário(s).

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Alessander  28.10.18 05h55
Pode haver uma grande história por trás de um "estou bem"! Parabéns Tassia & Everton
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Francielle  27.10.18 23h29
Parabens pela.ousadia e coragem! Eu te apoio mto !!! Sucesso
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Luciana  12.10.18 18h07
É um trabalho perfeito! Adoro!
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Ricardo  12.10.18 17h11
Parabéns pela superação!! Belo exemplo!
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