Cuiabá, Domingo, 24 de Março de 2019
BOA ESPERANÇA
28.11.2011 | 09h35 Tamanho do texto A- A+

Bairro nobre é um dos preferidos da bandidagem em Cuiabá

Assaltos são constantes, a Polícia Comunitária defende a parceria de moradores

MidiaNews

Boa Esperança, bairro com grande extensão e terrenos baldios, é um dos preferidos dos ladrões

KATIANA PEREIRA
DA REDAÇÃO

O bairro Boa Esperança, vizinho da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, virou uma áreas preferidas pelos bandidos, principalmente os que são "especializados" em crimes contra o patrimônio.

Na comunidade, residências são invadas, furtadas e assaltadas, constantemente. A maioria dos moradores, assustados com a violência, investe em segurança privada. Mas, mesmo assim, os ataques continuam.

Alguns, já cansados e amedrontados, começam a deixar o bairro e procuram por lugares mais seguros. Placas de "vende-se" ou "aluga-se" estão tomando conta das fachadas das residências.

Um exemplo disso é o caso do fiscal do Estado aposentado, Sebastião de Moraes, 73, proprietário de uma casa com 300 m2, com três quartos, suíte, área de lazer com piscina e outros benefícios. Ele se mudou, recentemente, com a família para um pequeno apartamento de 72 metros quadrados, na Avenida das Torres. O motivo da mudança é o medo da violência, que tem atormentado os moradores do Boa Esperança.

"Tivemos que nos mudar. Todos os dias, eu escutava notícia de assaltos, casas invadidas, ladrão que pulou muro, pessoas que tiveram a vida exposta ao perigo...  Não quero isso para minha família, prefiro me mudar. Investimos alto nesse imóvel, para ter momentos de lazer com os netos, filhos, mas os bandidos observam até os carros que ficam na porta de nossas casas", disse o idoso.

Sebastião recordou que a mudança foi motivada, principalmente, após a invasão de uma residência, na mesma rua em que residia. "A nossa câmera de segurança filmou um ladrão entrando na casa do vizinho. Era madrugada, ele entrou de forma fácil, parece que tinha até a chave do portão. Ficou por lá uns 15 minutos, não conseguiu levar nada porque o pessoal acordou. Fiquei assustado, as pessoas dormindo e os bandidos agindo", disse.

O aposentado revelou, também, que já teve a casa invadida no mês de agosto. Os bandidos entraram na calada da noite, sem serem percebidos pelos moradores, que dormiam. Na ocorrência, foram subtraídos um som automotivo e ferramentas que eram usadas em uma reforma. O prejuízo passou de R$ 2 mil. Mas, o pior mesmo, para Sebastião, foi a impotência de saber que esteve na mira de pessoas perigosas.

"Nos roubaram na madrugada, ficaram só na parte externa. Se tivessem entrado na casa, não teríamos como nos defender. Somos pessoas de bem, não usamos armas. Um vizinho do bairro teve que matar um ladrão dentro da sala dele. Isso não é vida", desabafou.

Depois de ter sido alvo dos ladrões, Sebastião investiu pesado em segurança privada. Ele gastou cerca de R$ 9 mil com equipamento de segurança. Foram adquiridas quatro filmadoras e um sistema de alarme. Dentro da casa foram instalados dois monitores, por meio dos quais é possível ver toda a movimentação do lado de fora.

Sebastião percebeu que, mesmo após a instalação dos equipamentos, casas passaram a ser assaltadas com técnicas diferentes das normais. Ele acredita que, de alguma forma, os bandidos conseguem informações privilegiadas e a Polícia fica impotente para evitar os assaltos.

A Polícia confirmou que ladrões passaram a "invadir" as casas pela porta da frente, usando controles e chaves. Eles também costumam deixar os carros em local distante das filmadoras; alguns se disfarçam de pedreiros, entregadores para poderem andar pelo bairro, sem levantar suspeitas.

Polícia confirma e sugere prevenção

O comandante da Base Comunitária da Polícia Militar do Boa Esperança, capitão Paulo César Melo, disse que os índices de violência no bairro já foram bem menores.

"Em 2010, a Base atendia cerca de uma a duas ocorrências de assaltos e furtos, diariamente. Em outubro deste ano, atendemos oito ocorrências. O número é alto, mas precisamos da ajuda da comunidade para acabar com a onda de violência", disse o oficial.

Melo apontou que um dos motivos do aumento de violência é a falta de comunicação entre os próprios moradores, que, segundo o militar, estão cada vez mais reclusos em suas casas e deixaram de agir como vizinhos solidários.

"Isso é uma anomalia social. Hoje, ninguém mais sabe quem mora na casa ao lado. Não sabe os horários em que as pessoas estão em casa e, se percebem movimentações estranhas, preferem se calar, não se envolver. É cada um na sua... Esse tipo de comportamento é muito comum em bairros de pessoas com maior poder aquisitivo. E temos a conclusão de que isso somente enfraquece as relações sociais e expõem as pessoas a um perigo ainda maior", disse o comandante.

Outra justificativa para o aumento da criminalidade, segundo o capitão, são pequenos descuidos que as pessoas fazem e nem se dão conta. Melo apontou que não são poucas as ocorrências que envolvem a participação de empregados domésticos e prestadores de serviços, que são contratados sem nenhuma investigação prévia.

"Moradores contratam diaristas e o muito que sabem dessas profissionais é o nome, não pegam referências, não vão ao endereço que elas informam. Aí, saem para trabalhar e deixam com elas com a chave, controle e os segredos das residências. Quando percebem o furto, já é tarde, a pessoa sumiu e não tem como encontrar. Um morador deu um tiro na testa de um ladrão e, quando fomos revistar o corpo do rapaz, ele estava com a chave da diarista no bolso. Além disso, temos que lembrar os moradores que os portões não podem ser deixados abertos. Estamos fazendo a nossa parte, mas a sociedade tem que ser parceira nessa luta contra o crime. É um trabalho de equipe", completou.

O capitão informou ainda que, para otimizar o trabalho, os moradores devem informar à Base Comunitária sobre as pessoas que estão contratando, para trabalharem em suas residências. A Polícia pretende checar esses trabalhadores, anotar endereço e ter o máximo de informações possíveis.

"Infelizmente, temos que fazer isso. Afinal, tem morador que vai reformar a casa, fazer um pintura, e enche a casa de pessoas sem referências. Pode colocar toda a comunidade em risco, além de abrir brecha para ser atacado. Não é uma discriminação, mas, devido à repetição de casos que envolveram funcionários, essa é uma medida preventiva", informou.




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COMENTÁRIOS
8 Comentário(s).

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CARLOS  30.11.11 17h35
A solução do BOA ESPERANÇA é torná-lo condomínio FECHADO!!!pensem nisso!!!não há outra saida!!!
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Manoel  29.11.11 09h54
Moro na 48 e estou ficando apavorado. Quinta feira 24/11 dois motoqueiros tomou de assalto a moto da vizinha por volta da 18:30hs, quando ela chegava do trabalho. Ontem 28/11, dois motoqueiros, quase no mesmo lugar, assaltaram uma moça levando sua bolsa, horário 18:30hs. No primeiro assalto ligaram para a policia durante uma hora e não apareceu no local. No segundo ligaram durante 40 minutos - Ufa! chegaram, assim porque o ocorrido foi a 500 metros do posto policial, onde se vê estacionado diuturnamente duas viaturas da PM e uma da civil. Nos EUA a policia atende uma ocorrencia em 3 minutos, em Mato Grosso, sinceramente não sei o que acontece com os nossos policiais, tamanho descaso com a populaçao que hoje vivem a mercê da bandidagem
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Carlos  28.11.11 23h00
Conheço o Capitão Melo e ele parece ser uma pessoa bem intencionada, mas essa de culpa a falta de solidariedade dos vizinhos foi de doer. Estamos reclusos dentro de nossas casas justamente por causa da violência, já que a maioria dos assaltos ocorrem quando as pessoas estão na frente de suas residências com aconteceu no caso do Dep. Eliene. Tive minha residência assaltada em 2010 e apesar de morar a pouco mais de 1 km do posto policial, eu só fui atendido 45 minutos depois de ligar ao mesmo. A justificativa foi que os únicos dois carros que atendem 7 bairros da região estavam no porto para a troca de turno. O detalhe é que eram uns 19 horas da noite em horário de rush e por isso eles demoraram.
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Elaine  28.11.11 16h12
A Polícia acha mais fácil responsabilizar os moradores e os vizinhos do que agir com tática e investigação. As pessoas estão se mudando do bairro e de Cuiabá, de Mato Grosso. Tenho conversado cm várias pessoas do bairro e todas estão decepciondas com a desproporcionalidade com que a vilência cresceu no Estado. Pra um Estado que gasta milhôes e milhôes com campo de futebol e trens sobre trilho, de eficência técnica duvidosa, não é de se espantar.
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gabriel  28.11.11 15h43
é só passarem por lá voces verão que eles raramente sai do posto, só vão se ja tiver ocorrido algum delito, não fazem ronda, aí é facil jogar culpa nos moradores
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