Cuiabá, Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
294 ANOS
11.09.2016 | 09h00 Tamanho do texto A- A+

Berço da história cuiabana, Catedral Bom Jesus prepara reformas

Painel do altar foi construído em três anos e é um dos maiores do mundo, com 20 metros; local abriga

Marcus Mesquita/MidiaNews

Estrutura que foi degradada com o tempo começa a ganhar reparos

YURI RAMIRES
DA REDAÇÃO

A Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus, localizada no coração do Centro Histórico de Cuiabá, guarda em sua estrutura 294 anos de histórias vivenciadas em Cuiabá. São três a menos que a Capital, que foi fundada em 1719.

 

Para comemorar os 300 anos da cidade, a arquidiocese agendou uma série de reformas e restaurações para sediar a missa comemorativa, bem como conservar o patrimônio cultural da cidade, que pode ser visitado diariamente.

 

Aos pés da Avenida Getúlio Vargas, a igreja matriz foi construída em 1722. A estrutura era simples e abrigava os poucos fiéis da época.

 

Nivaldo Pinheiro Gomes começou a frequentar a igreja aos 29 anos. Hoje, com 63, é ministro de eucaristia.

 

Ele recebeu o MidiaNews para relembrar a história da matriz, bem como os projetos que visam manter viva parte da cultura cuiabana abrigada no local.

 

“A história da igreja não é tão grande. Os historiadores da época não tiveram a preocupação de registrar. O que se sabe é que tiveram duas grandes reformas que marcaram os períodos históricos”, disse.

 

A primeira foi em 1740, sendo que a primeira torre, só foi finalizada em 1769. Já em 1868, a fachada e a torre foram novamente reformadas.

Marcus Batista/Jornal Fotografico

Igreja Matriz - Catedral de Cuiabá

Para Nivaldo, historiadores não se preocuparam em registrar a história da catedral

 

Anos depois, já na década de 1960, embalado pelo movimento modernista, a catedral foi demolida a mando de Dom Orlando Chaves.

 

“Ele argumentou que Cuiabá estava crescendo, e que a igreja precisava ser maior. Muitos cuiabanos, os mais tradicionais, protestaram contra, mas a demolição foi inevitável”, lembrou.

 

Dom Orlando argumentou ainda que uma mina d’água, que passava pela Getúlio, estava causando danos à estrutura existente, provocando rachaduras e infiltrações.  

 

A demolição total foi em 1968 e a construção da nova catedral durou cinco anos. Em 1973, ela foi inaugurada com a estrutura que hoje é conhecida.

 

Arte

 

O altar da catedral é um espetáculo à parte. Com 20 metros de altura, foi desenvolvido em três anos pelo artista polonês Arystarch Kaszkurewicz.

 

Ele veio para o Brasil fugindo da 2º Guerra Mundial. Chegou aqui sem as duas mãos e cego de um olho.

 

“Ele tinha uns funcionários, que o ajudavam. Na época, as irmãs do antigo colégio Dasa – Atual Cema – também o ajudaram a colagem das pastilhas, que, por fim, formaram a imagem”, lembra Nivaldo.

 

O minimalismo do trabalho só é percebido de perto. Além do painel principal, no altar, ele projetou outros dois, que podem ser vistos nas laterais.

 

“Tudo aqui é original, não foi mexido em nada. As imagens da via sacra, que estão nas laterais da igreja, também é dele. Só mudamos a coloração”.

 

O trabalho foi finalizado em três anos, sendo entregue junto com a inauguração da igreja.

 

Com as portas abertas, a matriz recebe até 800 pessoas por dia.

 

300 anos de Cuiabá

Marcus Batista/Jornal Fotografico

Igreja Matriz - Catedral de Cuiabá

O painel demorou três anos para ficar pronto

Para chegar ao tricentenário da Capital, a matriz já começou a ser preparada. Reformas começaram no mês de julho.

 

“São desgastes do tempo, tem reboques soltos. Vamos fazer reparação futuramente, vamos pintar com a cor original e tudo mais”.

 

O bom disso, para Nivaldo, é que a comunidade se torna mais cuidadosa com a igreja.

 

Em 2014, após 20 anos sem funcionar, os sinos da catedral voltaram a badalar. O relógio também voltou a funcionar.

 

Dessa vez, os trabalhos devem ser concluídos só em 2019, próximo da comemoração dos 300 anos de Cuiabá.

 

Cerca de R$ 600 mil devem ser gastos com a reforma.

 

Turismo

 

A igreja está aberta durante todo o dia para fiéis, turmas de estudantes e até mesmo para turistas.

 

Em suas dependências, estão sepultados nomes importantes da história cuiabana, como Miguel Sutil, Pascoal Moreira Cabral e Dom Orlando Chaves.

 

 

GALERIA DE FOTOS
Marcus Batista/Jornal Fotografico
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Marcus Batista/Jornal Fotografico
Marcus Batista/Jornal Fotografico
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Marcus Batista/Jornal Fotografico
Marcus Mesquita/MidiaNews
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