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Cotidiano / DEFICIENTES
25.06.2017 | 13h40
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Cadeira adaptada permite que deficientes visitem Véu de Noiva

Dispositivo faz parte de um projeto de acessibilidade para pessoas com problemas de locomoção

Reprodução

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A cadeira Julietti 11 em Chapada dos Guimarães

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO

O Véu de Noiva, atração turística em Chapada dos Guimarães, ganhou uma cadeira adaptada que permite que pessoas com deficiência possam visitar o local.

 

A Julietti 11 - como é chamada pelos criadores Guilherme Simões Cordeiro, de 31 anos, e Juliana Tozzi, de 34 - foi doada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e já está no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

 

A iniciativa surgiu da paixão do casal pelo montanhismo e em razão de um problema de saúde que quase impediu que Juliana continuasse a fazer uma das coisas que mais gosta.

 

A cadeira foi criada após Juliana perder alguns movimentos permanentemente, durante a gravidez. Ela permite que uma pessoa que não ande, ou com mobilidade reduzida, consiga ser levada em qualquer lugar onde alguém consiga passar a pé.   

 

“Ela é estreita e com uma roda só. Então consegue vencer qualquer obstáculo, uma trilha difícil, chegar numa cachoeira, uma montanha, fazer um passeio na praia, ir num rio. A única coisa é que a gente tem que ter alguns amigos, tem que ser no mínimo duas pessoas para ajudar a conduzir, uma que vai na frente e outra atrás”, explicou Guilherme, que é engenheiro civil.

Ela é estreita e com uma roda só, então ela consegue vencer qualquer obstáculo, uma trilha difícil, chegar numa cachoeira, uma montanha, fazer um passeio da praia, ir num rio

 

Ao todo existem 11 Juliettis espalhadas pelo Brasil, que são distribuídas em locais em que Guilherme e Juliana são convidados a dar palestras.

 

“São todos grupos de pessoas bem-intencionadas que querem proporcionar isso para fazer o bem a alguém. Então eles nos chamam e a gente vai entregando”, disse Guilherme.

 

Em Cuiabá, a entrega e a palestra, realizada dentro do 1º Fórum Acessibilidade e Inclusão, foram organizadas pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), realizado neste mês em Cuiabá.

 

“Eles queriam levar uma cadeira para Mato Grosso. Então a gente acertou um valor de R$ 4 mil. Nesse valor estão incluídos uma cadeira e o nosso bate-papo, que foi realizado durante o fórum”, explicou o criador.

 

A cadeira, a princípio, ficará no Véu de Noiva, mas, segundo Guilherme, deve ser utilizada em outros lugares também.

 

“Há um grupo que já está mapeando as trilhas que podem realizadas de uma forma fácil com a Julietti”, disse o engenheiro.

 

O casal já conhecia Chapada antes de Juliana perder os movimentos e já gostava muito da cidade.

 

“Quando ela andava, fomos ao Véu de Noiva, nas cavernas Aroe Jari, no Morro de São Gerônimo. E agora a gente foi só na Cidade de Pedra, mas gostamos bastante”, disse.

 

Porém eles já planejam voltar. No ano que vem iniciarão uma viagem de cinco anos, sendo um pelo Brasil e mais quatro pelo Mundo, deixando uma cadeira Julietti em cada Estado e País visitados.

 

“Com certeza nós vamos passar na Chapada pra ficar com calma, pelo menos mais duas semanas, e conhecer os atrativos”, prometeu Guilherme.

 

Reprodução

Cadeira Julietti

Em Chapada dos Guimarães a cadeira estará no Véu de Noiva, mas deve ser usada também em outros pontos


 

O projeto Montanha Para Todos

 

A cadeira Julietti foi desenvolvida pelo casal quando Juliana começou a perder os movimentos por causa de uma síndrome neurológica muito rara, a degeneração cerebelar paraneoplásic, durante a gestação.

 

“Ela começou a perder o movimento de perna. E a gente sempre foi montanhista. E como ela perdeu muitas coisas primordiais na vida, eu não queria que ela perdesse o esporte. Foi aí que a gente começou a pensar nessa cadeira para conseguir levá-la na montanha de novo”, disse Guilherme.

 

Porém a foto do primeiro teste acabou repercutindo na internet. Em um dia a imagem teve 36 mil visualizações. Com isso o casal foi convidado a participar de programas de TV nacionais e deu entrevistas para diversas matérias na internet.

 

“A gente viu que estava chamando atenção e que poderíamos usar isso como uma missão para ajudar outras pessoas, outros cadeirantes, que não têm tanta possibilidade de praticar um esporte, ou algo diferente. Aí veio a ideia de criar o Montanha Para Todos”, contou Guilherme.

 

Com o projeto, que está sendo formalizado para se transformar em uma ong, o casal distribui cadeiras em lugares públicos, que ficam sob tutela de alguma pessoa, entidade, ou do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), como no caso de Chapada.

 

“A ideia é que ela possibilite a prática de uma atividade outdoor, uma atividade na natureza. E a gente também quer criar um banco de voluntários, que vão estar ajudando essas pessoas cadeirantes a praticar uma atividade”, disse Guilherme.

 

O projeto fez um ano no dia 12 de junho e já distribuiu 11 cadeiras adaptadas. Os locais estão relacionados no site oficial do projeto, na aba “Onde tem Julietti”, que também tem os nomes, email e telefones das pessoas que estão cuidando da cadeira, para que assim o cadeirante possa fazer a reserva.

 

Em janeiro de 2018 eles iniciam uma volta ao mundo em cinco anos, em que irão entregar pelo menos uma Julietti em cada Estado do Brasil e também uma em cada país em que passarem.

 

“E pra gente conseguir realizar isso tudo, a gente precisa de parceiros, precisa de patrocínio, apoio, amigos. E quem tiver interesse e quiser ajudar a causa, no nosso site há várias formas, tem nossa lojinha virtual, tem como colaborar com valores, com cadeira...”, disse Guilherme.

  

Quem quiser saber mais sobre o projeto pode acessar a página oficial no Facebook, ou o site do projeto.  

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