Cuiabá, Domingo, 24 de Março de 2019
ALVO DA SANGRIA
18.12.2018 | 11h04 Tamanho do texto A- A+

Defaz: fora da Saúde, Huark coagiu testemunhas e ocultou provas

Ex-secretário da Prefeitura de Cuiabá foi preso na manhã desta terça-feira em Santo Antônio de Leverger

Alair Ribeiro/MídiaNews

O delegado Lindomar Tofoli aponta Huark Correia como um dos cabeças do esquema

CÍNTIA BORGES E JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

O delegado Lindomar Aparecido Tofoli, da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), afirmou que o ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Correia, é um dos cabeças do esquema que, segundo a Polícia Civil, tentava monopolizar os serviços de saúde no Estado.

 

Huark é um dos sócios da empresa Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), alvo da primeira e segunda fases da Operação Sangria. A segunda, deflagrada na manhã desta terça-feira (18), prendeu sete pessoas, entre elas o ex-secretário.

 

“Pelo o que foi apurado até agora, ele é a pessoa que mais influencia, a pessoa que mais usa de mecanismo e servidores para atrapalhar a investigação”, disse o delegado em entrevista coletiva nesta manhã.

 

Conforme as investigações, um grupo de empresas teria montado um esquema para monopolizar contratos da área de Saúde na Prefeitura de Cuiabá e no Governo do Estado.

Pelo o que foi apurado até agora, ele é a pessoa que mais influencia, a pessoa que mais usa de mecanismo e servidores para atrapalhar a investigação

 

O grupo é formado pela ProClin, Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar Ltda) e a Prox Participações, que tinham contratos com o município de Cuiabá e o Estado.

 

A prisão de Huark ocorreu duas semanas depois da primeira fase da Operação Sangria, quando seus endereços foram alvos de busca e apreensão. Na ocasião, ele pediu demissão do cargo na Prefeitura.

 

O delegado explica que, mesmo não estando mais na Prefeitura de Cuiabá, Huark exercia poder dentro da Pasta, tentando apagar provas.

 

“Nós começamos a receber informações que provas começaram a ser ocultadas, destruídas, que estavam sendo coagidas testemunhas, e acontecendo interferências dentro da própria Secretaria de Saúde – mesmo [Huark] não estando mais lá dentro. Então isso caracteriza crime de obstrução à Justiça praticado por uma organização criminosa”, afirma o delegado. 

 

Braço-direito

 

Alair Ribeiro/ MidiaNews

HUARK CORREIA

O ex-secretário Huark Correa chegando a Defaz nesta manhã

Na segunda fase da Operação Sangria II, ainda foram presos o sócio da ProClin, Luciano Correa Ribeiro, Fábio Liberali Weissheimer, Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo, Celita Liberali e Fábio Alex Taques. Todos foram levados para a Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz).

 

Foram expedidos oito mandados de prisão preventiva. No entanto, Flávio Alexandre Taques da Silva não teve mandado cumprido, e encontra-se foragido.

 

Segundo o delegado, Flávio Taques, que era secretário-adjunto de Gestão, na Secretaria de Saúde, atuava com um dos braços-direitos de Huark dentro do Hospital São Benedito.

 

“O Flávio – que está foragido – era um dos braços direitos dele lá dentro. Então temos que apurar o que efetivamente está acontecendo”, afirma.

 

CPI da Saúde

 

Em junho deste ano uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada na Câmara de Vereadores de Cuiabá para apurar supostas irregularidades na saúde de Cuiabá.

 

Em uma das acusações, o vereador Diego Guimarães (PP) acusou Huark de cometer improbidade administrativa. Ao todo, o parlamentar disse que já foram pagos mais de R$ 10 milhões para a ProClin.

 

O delegado Tofoli aponta que o ex-secretário de Saúde, desde essa época, já vinha ocultando provas.

 

“Tem provas colhidas na CPI da Saúde também. Inclusive, há informações de que provas foram sendo destruídas após o início da CPI”, disse. 

 

Leiam mais sobre o assunto: 

 

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Carlinhos  18.12.18 13h43
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