Cuiabá, Quarta-Feira, 4 de Fevereiro de 2026
SUPERLOTAÇÃO
01.09.2018 | 16h20 Tamanho do texto A- A+

Déficit de vagas em unidades prisionais de Mato Grosso é de 80%

Servidores alertam que, em alguns casos, celas abrigam quase 5 vezes mais presos do que a capacidade

Imagem Ilustrativa

Superpopulação carcerária em MT ainda é menor do que o índice nacional, diz Sejudh

Superpopulação carcerária em MT ainda é menor do que o índice nacional, diz Sejudh

BIANCA FUJIMORI
DA REDAÇÃO

Com uma população carcerária de aproximadamente 11,7 mil presos, Mato Grosso possui um déficit de 80% no número de vagas em unidades prisionais.

 

Os dados foram apresentados pelo secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Fausto José Freitas da Silva, durante um evento sobre Segurança Pública realizado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na última quinta-feira (30).

 

Segundo ele, Mato Grosso tem apenas 6,5 mil vagas em todas as 55 unidades prisionais do estado. Apesar da superlotação nas unidades, ele destacou que o déficit do Estado ainda está abaixo da média nacional, que é de 97,44%. 

 

secretário da Sejudh falou, ainda, sobre o tratamento dado pelo Estado para combater a atuação do crime organizado dentro dos presídios.

 

Para conter a rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo, é feita a separação dos detentos membros das facções.

 

Em uma cela feita para seis ou oito presos, nós temos de 35 a 40 pessoas. Eles ficam todos amontoados

Ele também ressaltou que Mato Grosso está há um ano e meio sem rebeliões e, no 1º semestre, apenas 15 fugas foram registradas no Estado.

 

“Esse foi o menor índice dos últimos anos”, disse.

 

"Problema grave"

 

Para os agentes penitenciários, porém, a superlotação é vista como um problema grave - tanto para os servidores do sistema quanto para os próprios detentos.

 

Segundo a agente penitenciária Josilene Muniz, membro do sindicato que representa a categoria (Sindspen), os presos vivem em condições desumanas e apertados em uma cela pequena, o que gera reclamações e acaba refletindo no serviço prestado pelos servidores.

 

Em alguns casos, as celas suportam quase 5 vezes mais detentos do que o previsto.

 

“Em uma cela feita para seis ou oito presos, nós temos de 35 a 40 pessoas. Eles ficam todos amontoados”, afirmou.

 

Como exemplo, Josilene citou a realidade da Penitenciária Central do Estado (PCE), no Bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, onde ela atua - e também onde se encontram presos considerados de alta periculosidade, principalmente por terem ligações com facções criminosas.

 

Nós vivemos com medo, com tensão. Temos que ficar alertas o tempo todo e muitos adoecem. Temos vários agentes com depressão, ansiedade, problemas com alcoolismo

Segundo ela, no local, 35 presos dividem apenas um chuveiro.

 

Medo e rebeliões

 

Conforme Josilene, existem cerca de 2.500 agentes em todo o Estado, número que é insuficiente para atender as demandas dentro dos presídios.

 

Ela ainda ressaltou que as condições de trabalho são desafiadoras e que muitos servidores acabam enfrentando problemas de saúde devido às condições do serviço ao qual estão expostos.

 

“Nós vivemos com medo, com tensão. Temos que ficar alertas o tempo todo e muitos adoecem. Temos vários agentes com depressão, ansiedade, problemas com alcoolismo”, disse.

 

Segundo os agentes prisionais, as situações precárias das unidades prisionais aumentam a revolta nos detentos, o que acaba resultando em rebeliões e tentativas de motins.

 

"O preso já tem a revolta de estar confinado e, nessas condições, gera um descontentamento ainda maior com o Estado, contra quem eles começam um guerra", disse.

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COMENTÁRIOS
4 Comentário(s).

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Maurilio Flores Gimenez   13.08.19 22h47
Isso ocorre devido também, ao mau uso do dinheiro público. Corruptos e corruptores. Ninguém é criminoso porque acha bonito. O estado tem o dever de tratar pessoas com dignidade. Se não tem condições peça ajuda ao governo federal ou transferência para outro local. Pra tudo existe uma saída.
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Heitor  02.09.18 07h25
Se a cela foi feita para 8 e possui 35 a 40 presos, é porque cabe 35 a 40. Se querem conforto que não aprontem para cair lá dentro.
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Maria  01.09.18 22h16
Se ruim do jeito que está o sujeito comete crime, imagina se for um lugar bom.
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Antônio   01.09.18 18h16
Antônio , seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas