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Cotidiano / ESCUTAS ILEGAIS
13.08.2017 | 08h04
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Diretor-geral: "A Polícia Civil tem compromisso com a legalidade"

Fernando Vasco Pigozzi reconhece baixo efetivo e diz que concurso vai ampliar o quadro

Alair Ribeiro/Midianews

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Delegado Geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Fernando Vasco Spinelli Pigozzi

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

Há sete meses à frente da Diretoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso, o delegado Fernando Vasco Spinelli Pigozzi diz não acreditar no envolvimento de policiais civis no escândalo de grampos ilegais, que ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo "Fantástico", da Rede Globo, em maio deste ano.

 

Os "grampos" ocorriam por meio da tática chamada "barriga de aluguel", quando números de pessoas não investigadas são inseridos indevidamente em um pedido de quebra de sigilo telefônico.

 

"Eu garanto que os profissionais da Polícia Civil são comprometidos com a legalidade e realizam trabalhos de investigação que garantam a segurança que a população merece", disse Fernando Pigozzi em entrevista ao MidiaNews.

 

O delegado falou ainda sobre a situação das colegas Alana Cardoso e Alessandra Saturnino, ambas citadas no esquema, além de outros temas, como estrutura, concurso e investimentos em inteligência.

 

Confira os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews O Governo do Estado fez concurso e chamou aprovados na Polícia Militar.  A Polícia Civil também não precisa de mais pessoal?

 

Fernando Pigozzi – Com certeza está precisando. O efetivo hoje é aquém do ideal. Contamos com cerca de 220 delegados e o ideal seria pelo menos 320. Existem várias cidades que não possuem delegados, algumas também não possuem delegacia de polícia e o delegado da cidade mais próxima acaba respondendo. O numero de escrivães também acaba sendo inferior ao ideal. Sabemos que o concurso para delegado está aberto. São 100 vagas. Em 2018 esses profissionais já estarão trabalhando nas delegacias.

 

Hoje a maior carência que temos é de delegados, por conta inclusive de inúmeras aposentadorias que vêm ocorrendo. É necessário também que venha acontecer um concurso público de imediato para investigadores e escrivães, para que essas baixas sejam supridas. Hoje são 675 escrivães e 2.080 investigadores em atividade. Então a gente vem trabalhando com um concurso público para pelo menos 1.200 vagas.

 

MidiaNews – O senhor não acha que o fato de o Governo estar priorizando concurso na Polícia Militar seja, de certa forma, um desprestígio com a Civil?

 

Fernando Pigozzi   Não! Eu sinceramente não tenho essa impressão. Porque a Polícia Civil teve inúmeros ganhos. Este ano nós já inauguramos quatro unidade policiais no Estado – a Delegacia de Roubos e Furtos em Nova Mutum, a Delegacia de Fronteira, em Cárceres, a Delegacia de Campos de Júlio e a Delegacia de Poconé. Daqui a 10 dias também vamos melhorar o prédio da Delegacia da Mulher em Várzea Grande, além de viaturas que adquirimos este ano. E ainda temos previsão para novos recebimentos. Nossos armamentos também foram trocados, assim como todos os coletes balísticos. Então entendo que a Polícia Civil vem tendo melhorias. Entendo que o momento econômico não está fácil, mas acredito que, dentro das possibilidades, a PJC também vem crescendo, inclusive com ações desenvolvidas pela nossa Diretoria Estratégica, que vem formando melhorias com várias parceiras.

 

MidiaNews  Recentemente, houve crimes de grande repercussão em Cuiabá, sobretudo de contra o patrimônio, inclusive resultando em mortes. Mas ao mesmo tempo a Polícia Civil divulgou uma melhora na resolução de crimes.  Como está o índice de resolução?

Alair Ribeiro/MidiaNews

Fernando Vasco

"Nossos profissionais são altamente treinados e capacitados"

 

Fernando Pigozzi –  A partir do momento em que assumimos a Diretoria Geral, fizemos algumas mudanças e visualizamos a necessidade de um fortalecimento na Delegacia de Roubos e Furtos de Várzea Grande, inclusive hoje as Derf de Cuiabá e Várzea Grande - com a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (Derfva) e a própria Delegacia de Repressão de Entorpecentes - vêm fazendo um excelente trabalho. Muitas vezes essas delegacias trocam informações muito importantes que contribuem para a elucidação desses crimes. Posso dizer que nesse latrocínio envolvendo o dentista [João Bosco de Freitas], a Derfva deu prioridade absoluta. E os policiais trabalharam diuturnamente para identificar os autores e prender, tanto é que em menos de 24 horas o primeiro suspeito já havia sido preso. E acredito que em 48 horas depois os três já estavam todos identificados e presos.

 

MidiaNews Como estão os investimentos em inteligência, que é um dos grandes trunfos na elucidação de crimes?

 

Fernando Pigozzi – Houve um investimento nos últimos anos e eu acredito que a nossa inteligência tem condições de combater a criminalidade de forma rápida e eficaz. Nossos profissionais são altamente treinados e capacitados. A prova disso é que a nossa inteligência recentemente esclareceu um bárbaro crime na cidade de Planalto da Serra [no total houve quatro mortes neste caso]. Com o apoio da inteligência, conseguimos efetuar a prisão de vários criminosos. Então já efetuamos várias prisões importantes aqui e em outros Estados, tudo com o apoio do setor.

 

Nós também fizemos o fortalecimento da Gecat (Gerência de Combate aos Crimes de Alta Tecnologia), que estava atuando de maneira bem discreta. E nós visualizamos os casos que estavam em evidência, como estelionatos, casos de injúria pela internet, a "baleia azul"... Então nós reativamos essa gerência e conseguimos instruir melhor as investigações para apontar os responsáveis pelos crimes.

 

MidiaNews – Os crimes de tecnologia hoje são uma das grandes preocupações da Polícia Civil?

 

Fernando Pigozzi – É necessária essa investigação porque, em muito desses crimes, os autores estão achando que são impunes. Às vezes pessoas de outros Estados, pessoas que estão realmente distantes aos olhos da Polícia, estão praticando inúmeros delitos. E, se não houver uma investigação específica com profissionais capacitados, com estrutura, fica difícil de essas pessoas serem identificadas. Posso falar que o nosso laboratório contra a lavagem de dinheiro também vem atuando muito próximo aos outros órgãos.

 

MidiaNews –  A Delegacia Fazendária é uma das mais atuantes, já que combate crimes do colarinho branco. Há perspectiva de se incrementar sua estrutura?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Fernando Vasco

"A Polícia Civil é uma instituição formada por profissionais extremamente corretos"

 

Fernando Pigozzi – Com certeza, desde o início do ano a Defaz vem recebendo servidores e também vem obtendo sucesso nas investigações porque tem uma metodologia própria.

 

A gente vem tentando firmar alguns TACs (Termo de Ajustamento de Conduta) para que obtenha maior capacidade de atuar. Nós sabemos que os profissionais de lá são altamente capacitados. Prova disso são as inúmeras operações exitosas. Recentemente houve a prisão de alguns fiscais e também num passado próximo houve a Operação Sodoma. Com tudo isso, podemos dizer que a Defaz é uma prioridade da diretoria. Dentro das nossas prioridades, nós realocamos servidores para compor a equipe.

 

MidiaNews –  Haverá novas fases da Sodoma, com novos personagens?

 

Fernando Pigozzi Eu dou total autonomia e liberdade para as delegacias atuarem. Então não é nosso papel entrar nas unidades e nas investigações que eles executam. O nosso papel aqui é dar condições para que eles tenham efetivo e estrutura para trabalhar. Eu não tenho conhecimento de que novas fases possam vir a ocorrer. Mas caso tenha, a diretoria vai dar total apoio no cumprimento das medidas judiciais que forem deflagradas.

 

A gente tem certeza que a nossa Defaz é uma das melhores do Brasil. Os trabalhos que eles vêm desenvolvendo são prova disso. Então, no que depender deles, excelentes trabalhos ainda ocorrerão este ano.

 

MidiaNews – Ainda no caso da Sodoma, como o senhor enxerga a confissão do ex-governador Silval Barbosa nesta fase processual, tendo ele negado os crimes na fase de inquérito?

 

Fernando Pigozzi – É um direito constitucional que assiste a todo e qualquer investigado de efetuar a sua defesa como ele bem entende. E eu entendo que se ele resolveu colaborar com as autoridades que investigam os fatos, é porque ele entende que pode receber algum benefício da justiça.

 

MidiaNews –  A Corregedoria da Polícia Civil abriu uma investigação sobre a suspeita de grampos ilegais na Polícia Civil. O que houve nestes episódios?

 

Fernando Pigozzi – Na realidade, as investigações são importantes e necessárias para apurar até onde ocorreu alguma irregularidade. E que, se eventualmente houve um ilícito, os responsáveis sejam responsabilizados.

 

A gente sabe que a Polícia Civil é uma instituição formada por profissionais extremamente corretos e que a Corregedoria, ao instaurar essa investigação, está fazendo o papel dela. E também por parte da Diretoria da Polícia Civil ela tem total apoio para realizar todas as investigações que entender necessária. Então agora é só esperar o resultado final.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Fernando Vasco

"Neste ano, as forças de segurança já realizaram a prisão de mais de 15.500 pessoas no Estado"

MidiaNews –  O senhor não teme que este tipo de situação possa manchar a imagem da Polícia Civil?

 

Fernando Pigozzi – Em hipótese alguma. Tenho convicção de que os nossos profissionais realizam trabalho dentro da legalidade, realizando as apurações de maneira profissional, como a sociedade espera que ela atue.

 

MidiaNews – Como o senhor avalia a atuação das delegadas Alana Cardoso e Alessandra Saturnino no episódio dos grampos?

 

Fernando Pigozzi – Acho que não cabe a mim entrar no mérito dessa questão, até porque eu acho que a apuração é voltada para isso. Para realmente dizer até onde houve o acerto ou a eventual irregularidade. Então eu deixo a investigação que está em curso dizer até onde realmente houve algum erro, ou se a delegada agiu de maneira correta.

 

MidiaNews – Mas se por a caso a Corregedoria chegar a conclusão de que houve erro, que tipo de punição pode haver?

 

Fernando Pigozzi – As investigações podem apontar as eventuais práticas de delitos por parte das delegadas, ou podem apontar para outra situação que não seja delituosa. Caso seja apontado para a prática de um delito, o MPE vai analisar e faz a denúncia ao Poder Judiciário. Então caso haja alguma irregularidade, cabe ao juiz analisar o inquérito das investigações.

 

MidiaNews – O senhor acha que elas podem ter sido enganadas ao receber a informação de que haveria um plano do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro contra o governador [a hipótese foi levantada pelo ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que informou os números para as delegadas]?

 

Fernando Pigozzi – Eu conheço as duas, são profissionais capacitadas competentes. E a prova disso é que já ocuparam inúmeros cargos dentro da Polícia Civil. E não acredito que elas, particularmente, tenham praticado alguma prática delituosa. Acredito que que elas possam ter sido levadas a erro de alguma maneira. Mas eu acredito na conduta de ambas as delegadas.

Eu acredito que em hipótese alguma tenha casos “de barriga de aluguel” dentro da Polícia Civil

 

MidiaNews –  O episódio dos grampos criou uma situação delicada dentro da Sesp, com um delegado, no caso Flávio Stringuetta, chegando a acusar o secretário Rogers Jarbas de ter permitido a Paulo Taques ter acesso a um inquérito sigiloso. Não é constrangedor para a Polícia Civil se ver diante de um caso desses?

 

Fernando Pigozzi – Não é comum uma situação como essa. Dentro da democracia, todos temos o direito de expressar opiniões. Entretanto, a gente também acredita que o diálogo e o consenso são a melhor das saídas. Os dois são delegados de polícia, são profissionais de extrema capacidade, então acreditamos que essas situações devem ser sanadas dentro de um diálogo franco, entretanto dentro da urbanidade para realmente o esclarecimento de todas as situações.

 

MidiaNews –  O senhor pode garantir para o cidadão que não há grampos ilegais na Polícia Civil?

 

Fernando Pigozzi – Garanto que, dentro daquilo que a Polícia Civil sempre trabalhou, as investigações ocorrem de maneira legal. São feitas as representações ao Poder Judiciário, que serão analisadas pelo Ministério Público e o juiz tem a total liberdade para deferir e indeferir conforme for. Eu garanto que os profissionais da Polícia Civil são comprometidos com a legalidade e realizam trabalhos de investigação que garantam a segurança que a população merece.

 

MidiaNews – Então não corremos riscos de haver casos de “barriga de aluguel” no âmbito da Polícia Civil...   

 

Fernando Pigozzi – Eu posso falar dentro daquilo que tenho conhecimento. Até porque atuo [como diretor-geral] desde o início do ano. Então dentro daquilo que eu trabalho, acredito que em hipótese alguma haja casos “barriga de aluguel” dentro da Polícia Civil.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Fernando Vasco

O diretor geral anunciou concurso para delegado da corporação

MidiaNews – Recentemente foi divulgado que o índice de homicídios e latrocínios diminuíram em Cuiabá e Várzea Grande, porém há muitas críticas da sociedade afirmando o contrário e questionando inclusive o trabalho da Segurança Pública. O senhor pode falar um pouco sobre o trabalho da Polícia Civil?

 

Fernando Pigozzi –  A divulgação desses número são técnicas, elas são feitas com as maiores lisuras possíveis e nós acompanhamos semanalmente os índices. Então quando nós divulgamos esses dados é porque realmente houve a redução, em hipóte alguma nós temos o interesse de enganar a população.

 

Eu tenho convicção de que realmente diminuíram, mês a mês estão sendo reduzidos, é que no contexto ainda são considerados números considerados razoáveis, então a gente tá trabalhando para melhorar, por isso que é necessário o trabalho integrado para que a gente consiga tirar de circulação pessoas envolvida nessas práticas.

 

MidiaNews – Uma das alternativas para vaga em presídio, são as tornozeleiras eletrônicas e a gente tem visto constantemente pessoas com o aparelho cometendo crimes. Como o senhor enxerga isso, elas ajudam ou atrapalham?

 

Fernando Pigozzi –  Na realidade do começo desse ano de 2017 até agora, as forças de segurança, já realizaram a prisão de mais de 15.500 pessoas no Estado – autuadas em flagrantes e com mandatos de prisão em aberto. Então é inviável que todas pessoas presas em flagrantes permaneçam presas, acredito que inclusive  os valores para que todas essas pessoas permanecem recolhidas causaria um impacto muito grande no Estado. Mas eu entendo que é necessário uma análise muito criteriosa naquele que fazem jus a tornozeleira, até porque muitas vezes a pessoa comete um delito que no primeiro momento pode não parecer muito grave, entretanto essa pessoa tem a índole ruim e um histórico criminoso e também, antecedentes criminais, ou seja ele possui dezenas de crimes e o fato de não haver uma condenação, isso faz com que a pessoa não esteja apta a receber a tornozeleira, isso no meu entendimento.  Entretanto, respeitamos o entendimento do judiciário, que analisa os critérios, no momento que ele é apresentado na audiência de custódia. Então eu acho que essa análise para faze o uso de tornozeleira eletrônica seja criteriosa.




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