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Cotidiano / CARNAVAL
10.01.2017 | 18h15
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Enredo de escola de samba carioca revolta o agronegócio em MT

Tema da Imperatriz Leopoldinense insinua que setor é responsável pela destruição do ambiente

Wellington Carvalho

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Ensaio da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval de 2017 no Rio de Janeiro

ÉRIKA OLIVEIRA
DA REDAÇÃO

O samba-enredo deste ano da escola Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, está gerando protestos de diversas entidades ligadas ao agronegócio de Mato Grosso e do País.

 

Produtores de sementes de soja divulgaram nota nesta terça-feira (10) repudiando o enfoque da escola.

 

A Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso) chegou a anunciar que também divulgaria uma nota, mas até o fechamento desta edição o documento não havia sido publicado.

 

Intitulado "Xingu - O Clamor que Vem da Floresta", o samba-enredo faz uma homenagem ao Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso, e insinua que a destruição da natureza está ligada à produção do agro.

 

A escola, que integra o Grupo Especial do carnaval carioca, vai se apresentar no Sambódromo da Avenida Marquês de Sapucaí no dia 26 de fevereiro à 0h50, com transmissão ao vivo pela Rede Globo.

 

Em um dos trechos, a música diz que “o belo monstro rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios”.

 

A composição é de Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna, e o responsável pelo desfile é carnavalesco Cahê Rodrigues.

 

O setor diz que o tema leva à “desinformação sobre a realidade do agronegócio brasileiro”.

Reprodução

logo samba enredo

O samba-enredo faz uma homenagem ao Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso

 

“O setor produtivo de semente de soja não pode fechar os olhos para as inverdades que o enredo cita, tendo em vista que o carnaval carioca é uma festa que atrai os olhares do mundo todo. Não se pode defender os índios denegrindo o agronegócio”, diz trecho da nota divulgada pela Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) e também assinada pela Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat).

 

A nota é subescrita ainda pela Associação Goiana dos Produtores de Sementes e Mudas (Agrosem) e a Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba (Aprosem). Matopiba é a região formada pelos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Paraíba.

 

“O agro é atacado inoportunamente, de maneira injusta e sem necessidade (...) As entidades Abrass, Agrosem, Aprosem e Aprosmat, em nome de todos os seus associados, não poderiam deixar de se posicionar diante dessa injustiça a este segmento que tem garantido resultados positivos ao Brasil”.

 

Além de repudiarem o samba-enredo, as entidades solicitam a retirada das alas chamadas “Fazendeiros e Seus Agrotóxicos” e “Pragas e Doenças”, por “denegrirem” a imagem do setor.

 

Em outra nota, divulgada pelo Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), o setor ressalta sua importância e diz que, graças ao agro, o Brasil escapa de uma “recessão ainda maior”, referindo-se à crise econômica.

 

Outro lado

 

Por telefone, a assessoria de imprensa da Imperatriz Leopoldinense afirmou que está acompanhando a repercussão do samba-enredo em toda a sociedade. Mas, por enquanto, não irá se manifestar sobre o assunto.

 

A escola disse, ainda, que não prevê nenhuma alteração nem retirada de alas do projeto de apresentação deste ano.

 

Confira o samba-enredo:

 




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33 Comentário(s).

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Martinho Cortez  17.01.17 21h55
Ouvi a música, li alguns comentários de "cima" e de baixo. Democracia, no Brasil, é algo discutível, mas ficamos com aqueles que defendem os povos originários assaltados e desprezados.
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Elizabeth Aracy Rondon Amarante  12.01.17 09h47
Para a escola Imperatriz Leopoldinense, desejo parabenizar por esse enredo e pela letra. Vivo com os Povos Indígenas de MT a triste realidade do agronegócio. NÃO DESISTAM!! NÃO SE ACOVARDEM! MANTENHAM O ENREDO E A LETRA! SERÁ IMPORTANTÍSSIMO ESSE TESTEMUNHO DA IMPERATRIZ!!! UMA DENÚNCIA QUE CHEGA NA HORA! Unida aos povos Indígenas agradeço a coragem desse compromisso com a causa indígena. Vamos em frente. Quero assistir a esse desfile e desejo que vocês sejam altamente classificados e vencedores no carnaval carioca desse ano.
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Cléa de Castro Neves  12.01.17 08h30
Espero que aconteça o que costuma acontecer: diante de uma proibição, a reação é muitísiimo maior. Que o povo assuma a causa da Imperatriz Leopoldinense e EXPLODA NA AVENIDA" Não mudem nada, por favor!!!!!!!
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Sheyla Rejane Klosinski  11.01.17 20h03
Como está a qualidade do ar e da água do Rio e de São Paulo? E do solo? Pilhas e baterias contaminam lençóis freáticos e causam muito mais danos à saúde que os agrotóxicos - que são caros e o grande agricultor não irá aplicar a esmo -, infelizmente necessários em nosso clima. Saibam que existem PEQUENOS e GRANDES agricultores, responsáveis e irresponsáveis, como em qualquer função. Realmente, o Brasil menospreza suas várias fontes de energia, mas quantos (MORADORES DAS GRANDES CIDADES) desperdiçam, kW a kW, obrigando o uso das termoelétricas e a construção de novas, danosas e caras fontes.
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Viktor Cardosso  11.01.17 16h36
Primeiro q o Carnaval deveria ser proibido nesse país. Segundo que Carnavalesco sabe somente oque ve na televisão. Terceiro, então manda o país viver através do que é produzido pelos índios e, o pessoal do agro parar... vamos ver oque acontece !!!
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