Cuiabá, Quinta-Feira, 21 de Fevereiro de 2019
INCÊNDIO
12.02.2019 | 09h00 Tamanho do texto A- A+

“Foi uma fatalidade”, diz cuiabano que estava no CT do Flamengo

Lateral esquerdo de 14 anos lamenta a perda dos dez amigos: "Tinha e tenho eles como irmãos"

Reprodução

O atleta cuiabano Kenedi Lucas (detalhe), de 14 anos, um dos sobreviventes

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

O jogador cuiabano Kenedi Lucas, de 14 anos - um dos sobreviventes do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (8) - não acredita que o clube tenha culpa pela tragédia.

 

O incêndio matou dez jogadores da base do time carioca. 

 

“Foi uma fatalidade. Isso poderia acontecer com qualquer um clube e infelizmente foi com a gente do Flamengo”, disse em entrevista ao MidiaNews.

 

Kenedi vive no alojamento sub-14 e 15, onde começou o fogo. No entanto, no dia da tragédia, ele dormiu em outro ambiente, ao lado.

 

O adolescente mora no Centro de Treinamento desde julho de 2018. Ele estava de férias em janeiro em Cuiabá e havia retornado à capital fluminense na última semana.

 

Ainda bastante triste com o episódio, Kenedi voltou para Cuiabá nesta semana para fazer novos documentos, após perder os que tinha no incêndio. Ele ainda não tem uma data para retornar ao Rio de Janeiro.

 

Todos ali são meus amigos, tinha e tenho eles como irmãos

 

O incêndio

 

O incêndio ocorreu no fim da madrugada de sexta, em uma parte antiga do CT, chamado Ninho do Urubu, que servia de alojamento para as categorias de base. Os bombeiros foram acionados às 5h14, chegaram ao local às 5h38 e controlaram o fogo em pouco menos de uma hora.

 

Kenedi relatou que acordou quando as chamas já estavam tomando conta do alojamento. Ele afirma que não ouviu nenhum barulho. E após ter percebido o que acontecia, deixou o local para pedir ajuda.

 

O cuiabano, que é lateral esquerdo, dormia no quarto 1 do alojamento, exatamente aquele onde as chamas chegaram primeiro. Apesar de não estar no local na hora do incêndio, todas as suas roupas eram guardadas ali e foram queimadas.

 

O adolescente lamenta pelos amigos que perdeu na tragédia. “Todos ali são meus amigos, tinha e tenho eles como irmãos”, afirmou.

 

Segundo o jogador, todos os que morreram tinham muito talento e poderiam, em breve, estar jogando inclusive na Seleção Brasileira.

 

Ele rebate às criticas ao clube, que não teria autorização para construir um alojamento no local.

 

“Para mim é um alojamento muito bom, foi uma fatalidade que não prevíamos. Lá é tudo de primeira qualidade”, disse.

 

Sobre ter escapado com vida, ele disse apenas uma frase: “Não acredito em sorte, eu acredito em Deus e para mim foi Ele”.




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COMENTÁRIOS
3 Comentário(s).

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Rodrigues Schneider  12.02.19 15h42
Fatalidade é uma situação em que não se pode ser evitado. Geralmente, é associado ao acaso, ao destino, ou a forças sobrenaturais. O ocorrido no "ninho do urubu" é um aberratio criminis com resultados múltiplos/diversos. Houve uma intenção inicial, de reduzir gastos, cortar despesas, entre outras intenções de cunho econômico-financeiro, o que invariavelmente,resultou nessa tragédia pré-anunciada. Criminalizar essa ação, ao passo que, reparar os danos (se é que se pode reparar vidas e sonhos perdidos), é a conduta mais correta, justa e racional.
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lucia martins  12.02.19 12h06
Pobre menino! Não foi uma fatalidade! foi um conjunto de fatores...irresponsabilidade.. negligência
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Maria Sposito  12.02.19 09h33
O guri quer manter seu vínculo com o Flamengo, naturalmente. Mas a morte de 10 garotos não foi uma fatalidade, foi irresponsabilidade mesmo. Para economizar, os clubes colocam os garotos em containers improvisados como alojamento, com apenas uma saída, cheios de aparelhos de ar condicionado e forração de material inflamável, para isolar o calor. Não foi acidente, foi um crime pois os dirigentes do clube deram causa para que a tragédia acontecesse.
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