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Entrevista da Semana / CONTRA A CRISE
13.05.2017 | 20h40
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Fávaro: “Sou defensor de medidas mais amargas neste momento”

Vice-governador Carlos Fávaro diz que reformas irão gerar mais receitas para se enfrentar gargalos

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O vice-governadro Carlos Fávaro, que defende medidas duras na gestão

RAMON MONTEAGUDO E THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O vice-governador Carlos Fávaro (PSD) defende a necessidade de o Governo adotar medidas consideradas “amargas" para que seja possível atender as principais demandas, como a da área da Saúde.

 

Em entrevista ao MidiaNews, na última quarta-feira (10) - um dia, portanto, antes da saída de Paulo Taques da Casa Civil e denúncias de um esquema de grampos telefônicos patrocinados pela PM -  Fávaro afirmou que a atual gestão ainda está sofrendo para recolocar Mato Grosso nos trilhos, devido aos "desmandos" do Governo passado, além da crise ecônomica.

 

Para reverter esse cenário, segundo ele, é imprescindível a aprovação das reformas Trabalhista, Administrativa e Previdênciária. Os projetos devem ser encaminhados para a Assembleia Legislativa nas próximas semanas.

 

“Não se faz gestão só com diálogo, com conversa, com 'blá blá blá'. É preciso mais recurso. A crise na Saúde, por exemplo, não é só em Mato Grosso, mas em todo o Brasil, e foi agravada com a crise econômica. Por isso, eu sou defensor de medidas mais amargas nesse momento, com corte de gastos, por exemplo, para que nós possamos ter dinheiro e, aí sim, resolver os problemas mais emergenciais”, disse.

 

Para o vice-governador, apesar de consideradas como um “remédio amargo”, as reformas “se transformarão em uma boa sobremesa para os mato-grossenses, num futuro muito próximo”.

 

Na entrevista, Fávaro também falou sobre as eleições de 2018, corrupção e taxação do agronegócio.

 

Confira os principais trechos:

 

MidiaNews – Qual a análise o senhor faz sobre o momento atual do Governo? Houve, no início, uma publicidade muito grande com foco na "transformação" do Estado.  Agora, estamos um pouco além da metade do mandato, já com o processo eleitoral se aproximando, o que tende a tencionar ainda mais não só questões administrativas, como o ambiente político. E isso considerando-se também as entregas tão esperadas, que acabaram não acontecendo a contento. Como está o Governo?

 

Carlos Fávaro – Primeiro, quero contextualizar esse momento de transformação do Estado, com uma gestão mais eficiente e correta. Os desmandos, a maneira como era feita a gestão nos últimos cinco anos, levou Mato Grosso a um caos de gestão. Fruto disso, não precisa nem falar, são os escândalos que apareceram. A mudança de paradigma requer tempo. A retomada da gestão eficiente, uma gestão pró-cidadão, é muito difícil, precisa muita dedicação e é isso que o governador Pedro Taques vem fazendo nesses dois anos e pouco.

 

A retomada da gestão eficiente, uma gestão pró-cidadão, é muito difícil, precisa muita dedicação e é isso que o governador Pedro Taques vem fazendo nesses dois anos e pouco

Agravado a isso [caos da gestão passada] vem a crise nacional. Uma crise sem precedentes. Uma crise que chegou no Estado de Mato Grosso com queda de arrecadação, queda de receita... E o Estado não tem uma plantação de soja, de milho, uma indústria. O Estado vive das forças dos tributos da economia aquecida.

 

Mesmo assim, nós temos números incomparáveis, já com entregas. E eu tenho certeza que nós teremos mais entregas ainda no ano de 2017 e 2018, cumprindo muitos compromissos com a população, em todas as áreas.

 

MidiaNews – O senhor pode dar exemplos dessas entregas?

 

Carlos Fávaro – Posso falar, por exemplo, da Segurança Pública. Três mil homens chamados. Coletes, equipamentos, pistolas, veículos. Nós praticamente dobramos a frota de veículos em dois anos e meio com relação aos últimos cinco anos. O Corpo de Bombeiros então... É gigantesco o incremento de pessoal, de equipamentos. Na área de infraestrutura, fizemos o dobro de rodovias em relação ao Governo passado, quer seja em construção e reconstrução.

 

A própria área da Saúde, que não está bem, que temos muita dificuldade, mas tem um número que não pode ser deixado de considerar. Em dois anos e pouco, nós já entregamos 204 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), enquanto que o Governo passado foi entregue apenas 50, em quatro anos.

 

Na atenção básica, o Governo passado reduziu em 50% o repasse aos Municípios. Esse Governo retornou 100% do repasse e, apesar de toda dificuldade, está indo mais dinheiro para as secretarias municipais de saúde atender a atenção básica.

 

O Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). É muito fácil falar em descentralização dos recursos, muito fácil. Quem passou R$ 1 para os Municípios em toda história do Fethab? O Governo Taques já passou mais de R$ 500 milhões. Conseguimos minimizar a falta de infraestrutura que é gigante no Estado.

 

Está boa a infraestrutura? Lógico que não. Nós temos 25 mil quilômetros de rodovias para ser pavimentadas. Mas com uma ação conjunta, orquestrada com os municípios, de forma séria, nós estamos melhorando sim a infraestrutura no interior.

 

E agora é hora política também, do grupo político se apropriar dessas entregas, que tenho a convicção que serão maiores no ano de 2017 e 2018, para chegar lá na eleição de 2018 e fazer um comparativo com a população. É a população quem vai decidir se foi ou não melhor o Governo.

 

MidiaNews –  O senhor e o governador Pedro Taques admitem que prometeram muito durante a campanha? Levantaram uma expectativa muito grande e, quando tomaram pé da situação, viram que não eram como imaginavam? Porque mesmo com esses dados que o senhor mencionou, é perceptível uma insatisfação de boa parcela da população, principalmente  a dos municípios do Interior. O que pode ser feito para minimizar isso?

 

Carlos Fávaro – Não é que prometemos mais do que devia. Nós não tínhamos conhecimento da real situação de caos que estava instalado em Mato Grosso. Além disso, teve e ainda tem a crise econômica. Olha o tamanho da diminuição dos recursos dos repasses do Governo Federal para o Estado. Eu não podia crer que Mato Grosso estava mergulhando em falta de gestão tão profunda e com tanta corrupção, muito menos o governador Pedro Taques. Tivemos que corrigir o rumo para fazermos as coisas com segurança.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Carlos Fávaro

"Nós não tínhamos conhecimento da real situação de caos que estava instalado em Mato Grosso"

E eu tenho a certeza que, com explicações claras, o cidadão irá entender o porquê o Governo precisou ter austeridade, o porquê que não deu para fazer tudo. E também mostrar tudo que já foi feite e é incomparável. Isso vai habilitar o governador a continuar fazendo e cumprir todos os compromissos feitos com a população.

 

MidiaNews – O senhor é a favor da reeleição?

 

Carlos Fávaro – Sim. E sabe por quê? Porque tem uma eleição no meio onde a população pode avaliar a gestão. A população é muito sábia. Veja as eleições municipais. Mais de 70% daqueles que tinham direito a reeleição não foram reeleitos. Portanto quem fala que reeleição é um passaporte para um novo mandato, se não fez uma boa gestão, a população sabe corrigir.

 

Principalmente, sem querer arrumar desculpa, mas pegando o Estado com uma gestão muito ruim, quatro anos é um período muito difícil para recolocar Mato Grosso nos trilhos.

 

Acho que oito anos é um bom tempo. Tenho certeza que a população vai sentir definitivamente a transformação. E mais que isso. Os procedimentos que estão sendo tomados, as medidas estruturantes, não são medidas só para esse Governo, são para o Estado. É difícil vir uma nova gestão após o governo Pedro Taques e botar de novo esse caminho que o Governo está tomando.

 

MidiaNews –  Muita gente diz que o governador Pedro Taques não gosta de ser criticado. Que autocrítica o senhor julga necessária neste momento?

 

Carlos Fávaro – Eu acho que o governador tem momentos de autocrítica, sim. Por exemplo, ele começou com uma gestão extremamente técnica e foi importante naquele momento para fazer um diagnóstico, dar um choque de gestão. Depois, fez a autocrítica e mudou um pouco o modelo, politizou um pouco o Governo e acertadamente começa a melhorar as entregas e a gestão.

 

MidiaNews – Mas o senhor não concorda que essa mudança demorou muito? Não foi um erro ter eperado dois anos para dar um viés mais político à gestão?

 

Carlos  Fávaro – A tomada de decisão é muito pessoal. O tempo do governador Pedro Taques pode não ser o mesmo do Carlos Fávaro, do Blairo Maggi, do Mauro Mendes. É o tempo dele e a gente precisa respeitar isso. Talvez outro governador teria mudado a gestão para um modelo mais político um pouco antes, ou talvez nem teria mudado. Mas o governador Pedro Taques fez no seu tempo e os resultados melhoraram com toda certeza.

 

MidiaNews – O senhor acredita que essa demora na mudança de gestão pode comprometer o resultado final do Governo?

 

Carlos Fávaro – Eu acho que não. Ainda há tempo. Tem muita coisa sendo entregue, muita coisa sendo realizada. Os números são incontestáveis. Agora precisa estar politizado para que esses números cheguem até a população. E quem faz isso não é técnico, quem faz isso é político.

 

MidiaNews – O senhor acha que o governador está mais solto, mais afeito ao jogo político, no bom sentido?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Carlos Fávaro

"Eu tenho a certeza que com explicações claras, o cidadão irá entender o porquê o Governo precisou ter austeridade"

Carlos Fávaro – À boa prática política sim, não à politicagem. Aprendeu a ouvir as críticas construtivas, a corrigir, a não tomar nenhuma decisão precipitada, mas também não retardar demais as decisões. Está mais equilibrado, é nítida a evolução política do governador Pedro Taques.

 

MidiaNews – A questão da Saúde talvez seja o principal gargalo do Estado, principalmente no Interior, onde a maioria dos hospitais regionais estão com repasses atrasados. O senhor acha que está faltando gestão, priorização nessa área?

 

Carlos Fávaro – Já é prioridade. Nós tivemos pessoas muitas comprometidas na Secretaria de Saúde, não dá para dizer que a área não virou por conta do João Batista, do Eduardo Bermudez, do Marco Aurélio Bertúlio. Precisa melhorar a gestão? Claro que precisa, é fato. Apesar do pouco contato, estou vendo a postura do atual secretário, Luiz Soares, e acredito que ele vai dar um aprimoramento desse choque de gestão que precisa.

 

Mas o que precisa de fato é mais recurso para a Saúde. Não se faz só com diálogo, com conversa, com blá blá blá. Precisa de mais recurso. A crise na saúde é no Brasil todo e foi agravada com a crise econômica, por isso eu sou defensor de medidas mais amargas nesse momento da gestão pré-eleitoral, com corte de gasto para que nós possamos ter dinheiro e aí sim resolver os problemas da saúde definitivamente.

 

MidiaNews – As reformas Tributária, Administrativa e Previdência, que são parte do remédio amargo que o senhor mencionou, até agpra só ficaram no ensaio. Desde fevereiro o Palácio tem sinalizado que vai enviar os projetos para a Assembleia Legislativa, mas até agora nada. Quando, definitivamente, isso será encaminhado?

 

Carlos Fávaro – Já houve uma primeira reforma estruturante no começo do Governo com cortes de gastos, corte de despesa, se não tivesse feito certamente não tínhamos conseguido governar o Estado. Mas com o agravamento da crise, precisamos aprimorar ainda mais o corte de gasto. A demora nesse envio das reformas ficou condicionada a medida do Governo Federal. O presidente Michel Temer queria vincular a reforma da Previdência da União com os Estados, depois disse que não iria fazer mais isso. Então, isso também dificultou a tomada de decisão do governador Pedro Taques. Mas, essa decisão já está tomada e os projetos serão enviados para a Assembleia Legislativa em breve. Talvez serão alguns remédios amargos, mas que se transformarão em uma boa sobremesa para os mato-grossenses num futuro muito próximo, com um Estado saudável e entregando seus compromissos, tanto para os servidores como para a população em geral.

 

 MidiaNews – O Governo vai, de fato, estabelecer teto de gastos, vai congelar os salários dos servidores e o duodécimo aos Poderes?

 

Carlos Fávaro – O Governo está fechando os últimos dados das reformas, falando com os Poderes, para finalizar. Não queria antecipar nesse momento, mas em um pouco mais de uma semana eu acredito que já vai ser enviado a Assembleia Legislativa e a gente vai poder debater com a sociedade.

 

MidiaNews – Qual é a sua postura com relação a Revisão Geral Anual (RGA). Houve uma polêmica grande, um desgaste nítido no inícios da gestão pela postura e posicionamentos do Governo com relação à RGA. Tudo isso gerou um preço muito caro politicamente?

 

Diga-se de passagem, Mato Grosso foi o único Estado que pagou a RGA em 2015 e o de 2016 já está completamente pago. Claro que com dificuldade, com parcelamento. Não foi por maldade, porque queríamos ver os servidores penar

Carlos Fávaro -  Muito caro. Mas como eu já disse, o Governo não tem plantação de soja, não tem indústria, ele vive de imposto e da força laboral dos seus servidores. Por isso, a importância de qualificar, remunerar e dar um ambiente de trabalho cada vez melhor aos servidores. Diga-se de passagem, Mato Grosso foi o único Estado que pagou a RGA em 2015 e o de 2016 já está completamente pago. Claro que com dificuldade, com parcelamento. Não foi por maldade, porque queríamos ver os servidores penar.  Pelo contrário, o que mais queremos é remunerar os servidores, fazer mais entrega a população. Agora, tem que ser feito com responsabilidade

 

Se pagasse a RGA total naquele momento, certamente nós correríamos um risco muito grave de atrasar salários e entrar numa crise como entrou o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O gestor precisa tomar decisões amargas. Talvez uma melhor comunicação naquele momento para explicar isso aos servidores e a população tivesse amenizado a crise.

 

MidiaNews – Faltou trato para com os servidores?

 

Carlos Fávaro – Eu acho que faltou. Fizemos muitas reuniões, não dá para dizer que não conversou, conversou muito até.  Mas não chegou ao entendimento. Mas acho que superamos isso e serve agora de reflexão para que nós possamos conduzir de novo o RGA de 2017 com responsabilidade.

 

MidiaNews – E como está a questão da RGA deste ano?

 

Carlos Fávaro – O Governo quer minimizar isso ao máximo. Agora precisa ser com responsabilidade. Não pode prometer que vai pagar e depois atrasar salário. Tem que ser com responsabilidade. Vamos achar a melhor forma.

 

MidiaNews – No final do ano passado, o secretário da Casa Civil, Paulo Taques, disse que a situação do caixa do Governo era muito crítica, que em alguns dias a conta única ficara literalmente zerada. A situação melhorou?

 

Carlos Fávaro – Nós estamos conseguindo controlar o Estado com pagamento de folha em dia, com obras acontecendo. Desafio você a achar outro Estado da Federação que tenha tantas obras de infraestrutura acontecendo como em Mato Grosso. Nenhum tem tantas. Mas, em áreas específicas, nós estamos com muita dificuldade e, por isso, as reformas são fundamentais para reequilibrar o caixa do Estado e voltar a ter paz, tranquilidade para que os compromissos sejam honrados no prazo.

 

MidiaNews – Voltando um pouco, incomoda ao Governo o fato de a maioria dessas obras que o senhor mencionou tenha sido iniciada pelo ex-governador Silval Barbosa?

 

Carlos Fávaro – O que foi iniciado pelo governo passado foram as obras do então programa chamado “MT Integrado”, um programa que foi feito de forma irresponsável, onde conseguiu financiamento de R$ 1,5 bilhão e alocou obras de R$ 2 bilhões dentro desse programa. E aí fazer caber dentro desse programa foi uma tarefa de muita dedicação, corte de gastos, rever os projetos, as planilhas e tocar todas essas obras. O mérito é de quem está fazendo essa gestão bem feita. Agora, não foi só isso. O governo passado não fez 1 km de reconstrução de estrada. E nós já reconstruímos 780 km de rodovia.

 

MidiaNews – A corrupção é motivo de preocupação para o Governo. Houve, por exemplo, o esquema na Seduc e, agora, a questão de fraudes na Sefaz envolvendo a empresa Caramuru Alimentos. O que o senhor pode falar sobre esse tema?

 

Carlos Fávaro – A corrupção não acaba com decreto. A corrupção se combate com atitude. Eu não posso dizer que não tenha corrupção dentro da Secretaria de Meio Ambiente. Agora, o que tem que acontecer é quando eu tomar ciência dos fatos, eu imediatamente tomar as providências. Sem pré-julgar, mas que seja tomada providência para averiguação.

 

Eu acho que a população tem a nítida impressão que melhorou e muito. Óleo e água comparada com a gestão passada.

 

E esse já é um grande legado. Um modelo de gestão mais transparente. Certamente fica muito difícil para um novo gestor depois de Pedro Taques tomar procedimentos mais escuros, menos transparentes.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Carlos Fávaro

"A corrupção não acaba com decreto. A corrupção se combate com atitude"

MidiaNews – Recentemente houve um embate político entre o governador Pedro Taques e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Antônio Joaquim, em função da restrição de acesso a dados da Sefaz sobre exportação no segmento do agronegócio. O TCE suspeita que haja falta de adequação ou critério nesse processo, para dizer o mínimo, o que pode estar gerando queda de arrecadação no setor. O Tribunal de Contas inclusive acionou a Justiça, mas perdeu, liminarmente. Há alguma preocupação em expor esses dados?

 

Carlos Fávaro – O combate à sonegação está sendo algo constante no nosso Governo. Várias empresas foram desenquadradas no Prodeic [Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso]. O que precisa ser separado, são questões legais de quebra de sigilo. A forma do pedido do TCE foi errada e o Tribunal de Justiça deu a resposta. Se o pedido fosse na forma de preservar o sigilo como diz a lei, eu não vejo problema nenhum em fazer isso. Agora quebrar o sigilo é uma questão que o próprio Tribunal de Justiça já se posicionou e eu restrinjo a isso o meu comentário com relação a esse episódio.

 

MidiaNews – O senhor admite que pode existir transações ilegais relacionadas às exportaçõescomo parte dos produtos serem comercializados no mercado interno, e não ir, de fato, para fora?

 

Carlos Fávaro – Se ocorre, o secretário de Fazenda, Gustavo Oliveira está averiguando e vai combater com rigor.

 

MidiaNews – O senhor é responsável também em fazer a interlocução do segmento do agronegócio com o Governo. O agronegócio está satisfeito com a atual gestão?

 

Carlos Fávaro – As pessoas esperam sempre mais. Foi depositada uma expectativa gigantesca sobre o nosso Governo. Mas há uma percepção clara de que o Governo está fazendo muita coisa para acertar a gestão. É claro que talvez esperava-se mais rodovias, mais melhorias em diversas áreas, mas por conta da crise econômica, isso vem sendo dificultado. Mas não tenha a sombra de dúvida de que o agronegócio é um grande parceiro do Governo. Veja quantas ações estão sendo desenvolvidas em parcerias.

 

Um exemplo são as 800 mil camisetas por ano sendo distribuídas para todos os alunos das escolas estaduais, em parceria com a Associação dos Produtores de Algodão.

 

MidiaNews – A questão de uma eventual taxação do segmento é uma discussão que já foi encerrada?

 

Carlos Fávaro – O agronegócio já é tributado. Falta muito clareza nisso. 52% do ICMS mato-grossense é pago pelo agronegócio. Se alguém comprar 1 quilo de algodão lá numa fiação do Nordeste para produzir fio, malha e depois virar roupa, e se esse algodão foi produzido em Mato Grosso, quando ele saiu daqui ele pagou ICMS. Todos os insumos que são comprados aqui no Mato Grosso para produzir geraM ICMS. O único que não paga ICMS é a exportação, mas nenhum lugar do mundo exporta imposto. Se nós tributarmos a exportação, vamos tirar a competitividade dos mato-grossenses.

 

O Governo Federal faz bondade com chapéu alheio. Ele desonerou a exportação para ganhar competitividade, só que deixa a mercê os Estados e Municípios exportadores.

O que tem que ser resolvido é na esfera Federal. O Governo Federal faz bondade com chapéu alheio. Ele desonerou a exportação para ganhar competitividade, só que deixa a mercê os Estados e Municípios exportadores. Precisa acabar com esse pires na mão, precisa quantificar quanto o Estado exportador perde por conta da bondade do Governo Federal, e aí criar um fundo nacional para compensar. Do mais, o agronegócio paga muito imposto como qualquer cidadão.

 

MidiaNews – Quanto o Governo Federal deve passar para o Estado pelo FEX  [Auxílio Financeiro para Fomento às Exportações] nesse ano?

 

Carlos Fávaro – Se não houver nenhuma correção, cerca de R$ 380, R$ 400 milhões. Um número infinitamente menor que as perdas do Estado. Talvez 10% do que seja a perda do Estado de Mato Grosso.

 

MidiaNews – O setor do agronegócio foi o principal apoiador financeiro da campanha do senhor e do governador Pedro Taques. Esse apoio financeiro se dará na próxima eleição?

 

Carlos Fávaro – E foi feito da forma mais transparente do mundo, eu visitava o agronegócio no interior, fazia reuniões para pedir voto e aproveitava e pedia dinheiro também. Mas pedia da forma clara, transparente, na frente das câmeras de televisão. Tanto que não houve nenhuma denúncia com relação ao modelo de arrecadação da nossa campanha.

 

Mas, por tudo que passa a política brasileira, por conta da Lava Jato, todo doador de campanha não quer mais se envolver, ele não quer mais doar. Então eu acho que a gente vai viver um novo momento, mas acredito que vai ser bom para a democracia. Campanhas mais baratas com a capacidade do candidato de convencer a população pelo discurso, pelo seu passado. O recurso financeiro vai ser menos importante.

 

MidiaNews – Vocês contam, em caso de um projeto de reeleição, com uma composição com o ministro Blairo Maggi e o ex-prefeito Mauro Mendes?

 

Carlos Fávaro – O Partido Progressista do ministro Blairo Maggi não está no Governo, mas está cada dia mais próximo da nossa gestão. Visitou a Caravana da Transformação em Porto Alegre do Norte e viu como é maravilhoso o programa que leva cidadania ao interior do Estado.

 

Tenho certeza que vamos caminhar juntos na eleição de 2018 assim como o Mauro Mendes, que faz parte da nossa base aliada.  Nós vamos nos fortalecer cada vez mais e chegaremos em 2018 com um grupo muito forte, muito coeso para disputar as eleições.

 

MidiaNews – Especulações já apontam uma chapa formada pelo governador Pedro Taques à reeleição e Blairo Maggi e Mauro Mendes ao Senado.

 

Carlos Fávaro – O direito a reeleição do governador Pedro Taques é legítimo. Esse é um fato que o grupo todo já tem se manifestado nesse sentido. Se o ministro Blairo Maggi não tiver outros projetos na vida dele, a reeleição ao senado também é legítima. E depois vem as acomodações, o Mauro Mendes pode ser candidato ao Senado, o Nilson Leitão pode ser candidato ao Senado, o José Medeiros é legítimo ser candidato a reeleição ao Senado. O grupo vai ter maturidade para escolher os nomes para que possamos chegar cada vez mais forte nas eleições de 2018.

 

MidiaNews – O nome do senhor também já é ventilado como eventual candidato ao Senado.

 

Carlos Fávaro – O PSD é um grande partido do Estado, um partido coeso, que tem trabalhado muito com a base aliada, votando junto com o Governo, defendendo o Governo, implementando políticas públicas eficientes. Nós temos já a garantia que o Governo vai bem e o PSD apoia esse Governo. Um partido do tamanho do PSD tem que estar sentado a mesa para discutir a majoritária sim e eu tenho a certeza que estará.

 

MidiaNews – Se por uma eventualidade, o ministro Blairo Maggi não disputar a reeleição, o senhor admitiria uma candidatura ao Senado?

 

Carlos Fávaro – Nesse momento não dá para discutir como hipótese. Mas nós temos o senador José Medeiros que é do partido, está fazendo um grande mandato e é legítimo também ele pleitear a reeleição. A coligação irá decidir o que é melhor. O PSD, tenho certeza, vai ser um elo forte dessa corrente que é a nossa coligação.

 

 




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15 Comentário(s).

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Rafael Oliveira  23.05.17 00h59
estamos em fases de reconstrução e em momentos extraordinários necessitamos de medidas extraordinárias.
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Virginio  22.05.17 20h18
Nosso país se tornará um país de idosos, se não houver uma interferência em como anda nossa previdência em anos ela falirá e ai não haverá para onde correr mesmo. É um estado de emergência total!
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Cuiabano  22.05.17 20h17
Nosso estado está precisando desse empurrão e de medidas amargas para se recuperar da atual situação em que o país vive!
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Juliana Lemos  22.05.17 19h25
As reformas serão uma forma de auxiliar a economia a reconstruir.
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Lima  22.05.17 18h44
Precisamos reformular e cortar gastos em inúmeros setores para que o Brasil não quebre futuramente.
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