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Equilíbrio / SAÚDE PÚBLICA
12.05.2018 | 22h00
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Há judicialização na saúde com objetivo criminoso

Peguei a pior crise financeira da história do País

Do ISTO É

O infectologista David Uip é destas figuras públicas que não têm muito medo de se envolver em polêmicas. Há anos fala abertamente sobre os comportamentos que levam as pessoas a se infectarem pelo HIV, o vírus da Aids, e, mais recentemente, nos embates sobre ações e responsabilidades envolvendo o combate da febre amarela no País. No comando da secretaria estadual de saúde do estado mais rico do Brasil quando o surto explodiu justamente em São Paulo, no início do ano, Uip recebeu críticas de todos os lados: da população em geral, médicos, estudiosos do tema.

 

Em abril, aos 66 anos, ele finalmente deixou o comando da pasta após quase cinco anos. Reconhece as dificuldades que o estado enfrentou para informar a população corretamente, mas está satisfeito com o trabalho. “Poderia ter sido uma situação muito pior do que a foi”, O mais difícil foi ser secretário. Peguei a pior crise financeira da história do País e mais cinco problemas estrondosos: epidemia de H1N1 (subtipo do vírus Influenza, causador da gripe suína), zika, chikungunya, dengue e febre amarela.

 

Nesse período, o estado deixou de arrecadar R$ 26 bilhões. Levando em consideração que 12% do coletado são direcionados à saúde, deixaram de ser destinados à área R$ 3 bilhões. O governador Geraldo Alckmin (que deixou o cargo para concorrer à presidência da República) aumentou o percentual de 12 para 13,9% e não deixou faltar dinheiro.

 

Mas isso foi feito em cima de uma crise enorme. E as pressões ocorrem 24 horas por dia.De um lado temos uma doença difícil de explicar, que quando exige internação leva à morte em 40, 50% dos casos. Aí você sugere como prevenção uma vacina imperfeita, que apresenta efeitos adversos, inclusive morte.

 

Depois da corrida aos postos pela vacinação, com gente invadindo unidades, a campanha de imunização não atinge 60% dos objetivos. A população não acreditou, ou pelo menos parte dela não acreditou, na vacina fracionada, que é de fato uma novidade real, resolutiva. Combinado a isso tudo, vieram as notícias falsas, os absurdos. As pessoas saíram matando macacos!

 

Ficamos disponíveis para a imprensa 24 horas por dia, mas assim mesmo foi a loucura que todos nós vimos. Foi muito complicado. E ainda tivemos aqueles que queriam aproveitar os cinco minutos de fama. Não tinham ideia do que estavam falando e saíram acusando o estado de ter sido irresponsável.

 

 

Fonte     https://istoe.com.br/ha-judicializacao-na-saude-com-objetivo-criminoso/




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