Cuiabá, Quarta-Feira, 23 de Janeiro de 2019
ALVOS DA SANGRIA II
19.12.2018 | 11h01 Tamanho do texto A- A+

Empresas receberam R$ 82 milhões do Governo de MT em 7 anos

Proclin, Qualycare e Prox Participações são responsáveis por prestação de serviços médicos hospitalares

Alair Ribeiro/MidiaNews

Operação Sangria foi deflagrada nesta terça-feira pela Delegacia Fazendária

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

As empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações receberam R$ 82 milhões do Governo do Estado em sete anos por prestações de serviços médicos hospitalares. 

 

Os valores não contabilizam os contratos mantidos pelas empresas com prefeituras.  

 

Os dados constam em levantamento feito pela Controladoria Geral do Estado (CGE) nos registros do Fiplan (Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças). 

 

As três empresas foram alvos da Operação Sangria, deflagrada nesta terça-feira (18) pela Delegacia Fazendária (Defaz).

 

Na ação foram presos os sócios das empresas, o ex-secretário de Saúde de Cuiabá Huark Douglas Correia, Luciano Correa Ribeiro, Fábio Liberali Weissheimer, além de Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo, Celita Liberali e Fábio Alex Taques. 

 

A Polícia Civil ainda tenta encontrar o secretário-adjunto da Saúde de Cuiabá, Flávio Alexandre Taques da Silva para cumprir o último mandado em aberto.

 

Conforme a Defaz, o grupo monopolizava os serviços da Saúde em Mato Grosso há 14 anos, por meio de influência política e econômica, oferecendo propinas, fraudando processos licitatórios e superfaturando contratos administrativos.

 

Os mandados de prisão foram expedidos após os acusados tentarem atrapalhar as investigações. 

 

Antes da operação, as empresas já eram alvos de um procedimento da CGE, aberto no dia 21 de setembro, para apurar a regularidade das suas contratações com o Estado. 

 

Durante a investigação, conforme a CGE, foi identificado, via Fiplan, que as empresas receberam, por meio de contratos de prestação de serviços médicos hospitalares, principalmente UTI, UTI móvel e Home Care, cerca de R$ 82 milhões nos períodos de 2011 a 2018.

 

Esses serviços são prestados nos hospitais regionais do Estado, no caso da contratação com recursos do Fundo Estadual de Saúde e em hospitais conveniados ao Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Mato Grosso (MT Saúde).

 

Foi identificado ainda, segundo a CGE, superfaturamento de até 50% nas compras feitas pelo MT Saúde e hospitais regionais com as empresas Proclin, Qualycare e Prox Participações.

 

Além de contratos com o Estado, as empresas também possuem negócios com o Município de Cuiabá.

 

De acordo com a CGE, três auditores estão dando apoio à operação para verificar se o sobrepreço com o Estado também ocorreram nas aquisições com o Município de Cuiabá. 

 

Ainda conforme a Controladoria, a auditoria está em andamento. O prazo de conclusão é na primeira quinzena de janeiro.

 

Após a investigação, pode ser aberto processo administrativo contra as empresas para recuperar os valores. Além disso, as empresas podem ser sancionadas com proibição de licitar e contratar com a administração pública.

 

Operação Sangria 2

 

A operação é um desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com a Proclin, Qualycare e a Prox Participações, firmados com o Município de Cuiabá e o Estado.

 

O delegado Lindomar Aparecido Tofoli explicou que no transcorrer das investigações do inquérito principal (119/2018), ficou constatado que o grupo teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ameaças feitas a testemunhas.

 

“O que chama a atenção é que atos totalmente reprováveis estão sendo cometidos por alguns membros da organização criminosa no intuito de ocultar, destruir provas, limpando gavetas, coagindo testemunhas, usando da influência política e econômica para interferir diretamente no cumprimento de contratos provenientes de processos licitatórios”, disse o delegado.

 

A investigação da Operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.

 

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