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Judiciário / ARMA NA CABEÇA
11.07.2016 | 17h29
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Esposa de ex-secretário detalha terror de sequestro

Marnie de Almeida Cláudio relatou à Polícia Civil que bandidos exigiam R$ 7 milhões

Marcus Mesquita/MidiaNews

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Depoimento de Marnie de Almeida foi prestado na GCCO

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

A empresária Marnie de Almeida Cláudio, esposa do ex-secretário de Estado Marcel de Cursi, que denunciou ter sido sequestrada no dia 21 de junho, disse em depoimento à Polícia Civil que os autores do crime chegaram a engatilhar o revólver em sua cabeça e puxar o gatilho por três vezes, dizendo que tinham ordens para matá-la.

 

O relato do crime foi prestado perante a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na tarde da mesma data.

 

O ex-secretário está preso desde setembro de 2015 no Centro de Custódia da Capital, por conta da Operação Sodoma. O depoimento de sua esposa foi juntado à ação penal da Operação Seven, da qual Cursi também é réu.

 

Em seu depoimento, Marnie de Almeida relatou que chegou à sua residência por volta das 10h, a bordo de uma camionete Hilux SW4, e acionou o portão eletrônico para estacionar de ré, momento em que foi abordada por três homens vestindo camisetas da Polícia Civil.

 

“Que falaram para a declarante ‘você está presa’ e falavam que queriam o dinheiro que o marido da declarante teria roubado do Governo e falavam no valor de 7 milhões”, disse.

 

A empresária disse que os bandidos a obrigaram a descer da camionete, mas ela tentou fugir e acabou sendo agredida por um deles, que logo após teria colocado seus braços para trás e a algemado.

 

Que falaram para a declarante ‘você está presa’ e falavam que queriam o dinheiro que o marido da declarante teria roubado do governo e falavam no valor de 7 milhões

“Que a declarante gritava chamando seu cunhado Helder, que estava dentro da residência; que os suspeitos colocaram a declarante no banco de trás da SW4 enquanto que os outros dois suspeitos seguiram no banco da frente”.

 

Durante o trajeto, segundo a esposa do ex-secretário, o criminoso que estava no banco de trás colocou um capuz em sua cabeça e passou a agredi-la “com socos na cabeça e nas coxas”.

 

“Que achavam que a declarante sabia onde o tal dinheiro estava escondido; que a declarante falava que eles estavam enganados e que esse dinheiro não existia; que pelo valor que os suspeitos citavam, a declarante desconfiou que haviam tirado essa informação dos jornais”, contou, referindo-se às matérias sobre a movimentação financeira da empresa registrada em seu nome.

 

De acordo com a empresária, os criminosos também afirmaram que estavam com sua mãe, irmã e filho, mas ela suspeitou que fosse um blefe, uma vez que deu informações falsas a eles e eles passaram a fazer ameaças com base em tais informações.

 

“Que o celular da declarante começou a tocar e os suspeitos ficaram irritados e começaram a bater na declarante novamente”.

 

Arma engatilhada

 

Pouco mais de 20 minutos após o sequestro, conforme Marnie Almeida, os suspeitos pararam o veículo, a retiraram do carro e a arrastaram para um barranco, dizendo: “Vamos levar ela mais para o fundo para não acharem o corpo”.

 

“Que nesse momento a declarante conseguiu abrir o fecho do seu relógio e jogou ele para o lado com a intenção de deixar algum vestígio caso alguém viesse a procurar a declarante”.

Que a declarante escutou o barulho quando o suspeito puxou o gatilho da arma e falou ‘ah ta sem bala na agulha’

 

Posteriormente, de acordo com o relato, os suspeitos obrigaram a empresária a ficar de joelhos, bateram na nuca dela e a ameaçaram de matá-la caso não dissesse onde estava o dinheiro.

 

“Que os suspeitos falaram que a declarante estava dando trabalho e que ‘a ordem lá de cima é para te matar, mas se você disser para nós onde está o dinheiro a gente é bonzinho e te libera’”.

 

Segundo Marnie, um dos suspeitos colocou o cano da arma em sua testa e disse que iria contar até três e, se ela não falasse onde estava o dinheiro, iria atirar.

 

“Que a declarante escutou o barulho quando o suspeito puxou o gatilho da arma e falou ‘ah ta sem bala na agulha’; que a declarante escutou o barulho do suspeito manobrando a arma e tornando a falar que iria matar a declarante”.

 

No relato, a esposa do ex-secretário disse que não tinha o dinheiro para dar a eles, mas os criminosos novamente a agrediram na cabeça.

 

“Que ao todo o suspeito puxou o gatilho da arma por três vezes, mas que em todas não efetuava disparo”.

 

Logo após, Marnie contou que os suspeitos a arrastaram a aproximadamente 10 metros do local e disseram que era ali que ela seria morta.

 

“Falaram ‘aqui tá bom, vamos passar ela e jogar o corpo na água’; que mandaram a declarante ajoelhar de novo e lhe ameaçaram dizendo ‘é aqui que vamos lhe passar’.

 

Porém, conforme a empresária, um dos suspeitos falou ao telefone "cadê você", instante em que eles passaram a se afastar dela. Pouco depois, eles retornaram, tiraram o capuz de sua cabeça e limparam os vestígios do crime.

 

“Que os suspeitos falaram para a declarante não erguer a cabeça e tornaram a se afastar da mesma; que passados alguns segundos a declarante começou a

chamar ‘moço, moço’ e ninguém respondeu”.

Falaram ‘aqui ta bom, vamos passar ela e jogar o corpo na água’

 

Carona com caminhoneiro

 

Com o afastamento dos suspeitos, Marnie Almeida declarou que se levantou e correu, com os braços algemados para trás.

 

Na fuga, ela disse que caiu várias vezes e passou por matas, córregos e arames farpados, até conseguir subir em um barranco e pedir auxílio a um caminhoneiro que passava no local.

 

O caminhoneiro então a levou até o escritório dele, local onde a empresária conseguiu ligar para a irmã. A Polícia Militar encontrou o local e a levou até a GCCO para prestar depoimento.

 

Veja fac-símile de trecho do depoimento:

 

PRINT SEQUESTRO DE MARNIE ALMEIDA

 

 

Empresa citada

 

Marnie Almeida chegou a ser citada na Operação Sodoma em razão de a empresa aberta em seu nome (a M de A Claúdio EPP) ter movimentado mais de R$ 6,8 milhões entre os anos de 2012 a 2015. 

 

Segundo os investigadores da Polícia Civil, a empresa foi aberta em 6 de julho de 2012, dois dias após a nomeação de Cursi como secretário de Estado de Fazenda pelo então governador Silval Barbosa (PMDB). A empresa não possuiria fornecedores, funcionários e tampouco clientes.

Marnie e Marcel

A empresária Marnie de Almeida e o ex-secretário Marcel de Cursi

 

Entre 2012 e 2014, a empresa recebeu, em contas abertas no Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú e HSBC, centenas de depósitos que somam R$ 3,53 milhões.

 

Além do R$ 1,75 milhão em 2012, Marnie recebeu R$ 1,59 milhão em 2013 - e R$ 188 mil em 2014. Nos dois primeiros anos os recebimentos vieram na forma de 503 cheques.

 

A defesa de Marcel de Cursi, em razão do sequestro, recentemente pediu o sigilo da ação penal da Sodoma, mas o requerimento foi negado pela juíza Selma Arruda.

 

Na visão da juíza, os fatos mostram que a imprensa e as informações contidas na ação não foram as únicas fontes de informação dos bandidos que sequestraram Marnie de Almeida.

“Afinal, segundo ela, sabiam da existência de sua irmã e de sua mãe e sabiam que ambas residem no Jardim das Américas. Os meliantes também falaram sobre o filho da vítima e chegaram a dizer que sabiam que a vítima fala três línguas. Ora, a existência de mãe, irmã e filho, o local onde elas residem e a habilidade com idiomas da vítima certamente não foram tratados neste processo”, disse.

 

“Provavelmente, trata-se de ação executada por pessoas que tinham conhecimento da vida pessoal da vítima, e não apenas de notícias veiculadas na mídia”, completou a juíza.

 

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Luiz pinto  12.07.16 07h37
Luiz pinto, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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