Cuiabá, Quinta-Feira, 21 de Fevereiro de 2019
R$ 24 MIL
11.02.2019 | 15h30 Tamanho do texto A- A+

Juiz condena Estado a indenizar homem que foi preso por engano

Ele alegou que, após a prisão, sofreu humilhação, sofrimento emocional e psicológico

Reprodução

O juiz Francisco Rogério Barros, da 1ª Vara Especial da Fazenda Pública de Rondonópolis

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

O Governo do Estado foi condenado a indenizar em R$ 24 mil, a título de danos morais e materiais, um homem que foi preso por engano.

 

A decisão é do dia 24 de janeiro e foi assinada pelo juiz Francisco Rogério Barros, da 1ª Vara Especial da Fazenda Pública de Rondonópolis.

 

De acordo com a ação, H.L.V., foi preso em junho de 2015, em uma unidade prisional de Rondonópolis, em cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido pela 3 ª Vara Criminal da cidade, no nome de A.J.V., acusado de ter cometido um delito.

 

A ação de indenização não identifica o crime cometido. 

 

H.L.V. ficou preso por 22 dias e só conseguiu comprovar que não era a pessoa a quem se referia o mandado de prisão após um laudo papiloscópico.

 

Na ação, o homem alegou que, desde o período em que foi preso, sofreu humilhação, sofrimento emocional e psicológico.

 

Em sua defesa, o Estado alegou que a prisão feito pela Polícia Civil não caracteriza responsabilidade do Estado, e que o cumprimento do mandado qualifica um dever legal, portanto não seria ilícito.

 

Ainda afirmou que se houvesse alguma culpa, seria do Poder Judiciário, por ter determinado a suposta prisão indevida.

 

Observa-se que o autor teve sua prisão requerida e decretada, após o verdadeiro criminoso ter utilizado seu nome, quando se apresentou perante a polícia na ocasião da prisão em flagrante

“É certo que, quanto tratar-se de responsabilidade civil do Poder Público decorrente do efetivo exercício da função jurisdicional, o entendimento dominante na doutrina e na jurisprudência é pela não aplicação da regra de responsabilidade objetiva, prevista no art. 37, § 6º, da CF, limitando-se a imputação de responsabilidade ao ente público nos casos de dolo, fraude ou culpa grave, inexistindo qualquer comprovação de tais requisitos”, diz trecho da ação.

 

Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que o Estado tem responsabilidade civil estabelecida pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.

 

O magistrado ainda relatou que houve uma falha judicial grave do Estado e do Ministério Público em não correr atrás da confirmação da identidade da vítima.

 

“Observa-se que o autor teve sua prisão requerida e decretada, após o verdadeiro criminoso ter utilizado seu nome, quando se apresentou perante a polícia na ocasião da prisão em flagrante. Verifica-se, ainda, que o Ministério Público e o próprio Estado-Juiz incorreram em omissão procedimental grave, decorrente da inobservância do Laudo de Confronto Papiloscópico, onde constava que o Requerente é pessoa distinta do real autor do crime que culminou na aludida ação penal. Assim, o descumprimento de uma formalidade processual essencial deu causa à falha judicial grave, que importou na prisão de um terceiro alheio aos fatos investigados”, escreveu o magistrado.

 

Do dano moral, o juiz determinou que o Estado pague R$ 20 mil ao homem.

 

“Julgo PROCEDENTE o pedido formulado por HL.V., e condeno o ESTADO DE MATO GROSSO a pagar ao autor os valores de: a) R$ 20.000,00, a título de dano moral, corrigidos segundo o índice oficial da caderneta de poupança, a partir da data da sentença (súmula 362 STJ), acrescido de juros moratórios equivalentes aos juros aplicáveis à caderneta de poupança, incidindo a partir da data do evento danoso (19/06/2015), nos termos do art.”, arbitrou.

 

Já por danos materiais, o magistrado ordenou que a indenização seja de R$ 4 mil, que foi o valor que a vítima gastou com advogados.

 




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COMENTÁRIOS
2 Comentário(s).

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Cristian  11.02.19 20h19
Como faz falta um Laudo Papiloscopico de Confronto das impressões digitais, quantas pessoas mais não passarão por isso se este serviço realizado por Papiloscopistas vier a morrer, já que a profissão neste Estado é cada vez mais desprivilegiada...
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JONAS DE SOUZA  11.02.19 16h52
Parabéns ao juiz pela determinação legal. Todavia, 24 mil reais é uma vergonha, diante da grande humilhação pela qual a vítima passou.
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