Cuiabá, Domingo, 24 de Março de 2019
GRAMPOLÂNDIA
13.03.2019 | 17h50 Tamanho do texto A- A+

Juiz vê chance de delação, marca novas oitivas e adia julgamento

Marcos Faleiros atendeu a pedidos dos advogados do coronel Evandro Lesco e do cabo Gerson Corrêa

Alair Ribeiro/MídiaNews

O juiz Marcos Faleiros, que remarcou audiências relativas a grampos ilegais operado em Mato Grosso

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

O juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Militar de Cuiabá, acatou o pedido para reinterrogar o ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, e o cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa.

 

A decisão é da tarde desta quarta-feira (13). Os dois são réus na ação penal que apura o suposto esquema de grampos ilegais operado em Mato Grosso durante o governo Pedro Taques. 

 

O magistrado ainda adiou o julgamento da ação penal - marcado inicialmente para a semana que vem - para os dias 14, 15 e 16 de agosto, às 13h30.

 

Conforme a determinação do juiz, os réus deverão ser ouvidos no dia 16 e 17 de julho, às 13h30, no Fórum da Capital.

 

Na decisão, o juiz levantou a possibilidade de os interrogatórios serem usados para uma possível delação.

 

"Assim, aplicando subsidiariamente o artigo 196 do Código de Processo Penal, bem como diante da possibilidade de durante a realização de novo interrogatório serem trazidos elementos que possam trazer benefícios aos acusados, a exemplo de atenuantes e até mesmo a possibilidade de reconhecimento de delação unilateral e possível concessão de perdão judicial”, disse o magistrado em sua decisão.

 

Esta será a terceira vez que o cabo depõe sobre o caso na Vara Militar. A primeira ocorreu no dia 27 de julho e durou mais de 15 horas. A segunda vez ocorreu um mês depois, no dia 27 de agosto.

 

Já o coronel Lesco será ouvido pela segunda vez no Juízo Militar. Segundo o argumento da defesa, a ação “merece maiores esclarecimentos, não se limitando ao que já foi produzido”.

 

O reinterrogatório de Gerson é uma estratégia de defesa para contrapor eventuais acusações surgidas no novo depoimento de Lesco.   

 

Depoimentos do cabo Gerson

 

Dos cinco réus da ação penal, Gerson foi o único que admitiu o crime de interceptação ilegais, por meio de um esquema conhecido como "barriga de aluguel" - que consiste na inserção de telefones de pessoas que não são alvos de investigações policiais, de forma disfarçada, em pedido de quebra de sigilo telefônico feito à Justiça.

 

Durante o interrogatório realizado no dia 27 de julho, Gerson apontou que o mandante das interceptações ilegais no Estado era o ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques, e deu a entender que os atos foram praticados a mando de Pedro Taques.

 

“Os donos disso aqui [interceptações telefônicas] são Paulo Taques e o governador Pedro Taques”, disse em seu depoimento.

 

Depoimento do coronel Lesco

 

No depoimento que deu em julho de 2018, Lesco admitiu que emprestou R$ 24 mil ao cabo Gerson para que este comprasse equipamentos de interceptação telefônica.

 

Segundo Lesco, apesar de ter apenas emprestado o dinheiro a Gerson, a emissão da nota fiscal em seu nome ocorreu sem sua autorização.

 

“Tomei conhecimento dessa nota fiscal pela imprensa. Não conheço essa nota”, afirmou.

 

Segundo Lesco, ele ainda não recebeu pelo empréstimo feito a Gerson.

 

 




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