O ex-deputado estadual Maksuês Leite confirmou que articulou um esquema de desvio de dinheiro e fraude em licitações na Câmara de Cuiabá, em conjunto com o ex-presidente daquele órgão, João Emanuel - atualmente preso.
Maksuês presta depoimento na tarde desta quarta-feira (15) à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital. Ele é réu de uma das ações penais derivadas da Operação Aprendiz.
Esta ação apura o desvio de mais de R$ 1,6 milhão dos cofres da Câmara Municipal de Cuiabá em conluio com a gráfica Propel Comércio de Materiais para Escritório Ltda, que pertencia ao ex-deputado.
Além dele e de João Emanuel, são réus: o ex-secretário-geral do Legislativo municipal, Aparecido Alves; o ex-chefe do almoxarifado, Renan Moreno Lins Figueiredo; e Gleisy Ferreira de Souza, ligado à gráfica.
Em sua oitiva, Maksuês garantiu que irá devolver aos cofres públicos os valores que arrecadou com o esquema. Tantos os relativos às fraudes na Câmara quanto os da Assembleia, que teve o mesmo "modus operandi".
"Eu vou devolver R$ 560 mil da Câmara e da Assembleia junto. Vou entregar um imóvel que eu tenho em Sinop e pagar o restante".
O ex-deputado disse que não era o real dono da Propel e que a empresa simulava a entrega de materias gráficos para a Câmara, para justificar os pagamentos. Dos valores pagos, 75% ficava para João Emanuel e 25% para ele.
"Eu falei com o João Emanuel no início da gestão dele, quando ele era casado com a Janaina [Riva]. Eu conversei com ele em frente a [Clínica] Femina".
Ele relatou que foi junto de um funcionário encontrar João Emanuel, que estaria acompanhando uma enteada na clínica. Na ocasião, o ex-vereador não estava acompanhado de seguranças.
“Ele ficou em pé comigo acho que cinco minutos no máximo. Acertamos a adesão, que já estava pronta e só tinha que acertar o valor”, completou.
Maksuês explicou, ainda, que a Propel, do qual ele era proprietário “oculto”, funcionava em um anexo da Gráfica O Documento, que seria legal.
Segundo ele, a O Documento era encarregada de demandas particulares e a Propel tratava com os órgãos públicos, como Câmara e Assembleia.
“A gráfica eu desfiz dela, aquilo lá foi minha sentença de morte. Toda vez que venho aqui eu sou exposto na imprensa. O que sobrou da minha vida foram poucos amigos. Nós estamos juntando os cacos e tentando recuperar”, afirmou.
"Sem rolos"
Após a audiência, em entrevista, o ex-deputado afirmou que está tentando mudar de vida.
“Eu estou aliviado, me sinto pronto para trabalhar, para recomeçar. Mudei minha vida, meus hábitos, sou uma pessoa que é feliz hoje”, afirmou Maksuês.
Segundo ele, sua imagem pública foi queimada devido a seus “rolos” e, com isto, ele diminuiu o ritmo de vida.
Ele afirmou que andava em carro importado e morava em um apartamento de 250 m² e hoje tem um celta 2009 “caindo aos pedaços” e vive em um apartamento de 60 m² alugado.
“A vida de quem trabalha é essa: ganha pouco e trabalha muito. Quero devolver o dinheiro e seguir em frente de cabeça erguida”, finalizou.
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3 Comentário(s).
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| Renato 16.03.17 07h32 | ||||
| então não era feliz antes? faça-me favor !!!! | ||||
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| Soyara Batista 15.03.17 19h33 | ||||
| Gostei de ler esta matéria. Pessoas erram, mas mudam. Se for isto mesmo, o Macksues está de parabéns!! | ||||
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| Edegar 15.03.17 18h58 | ||||
| Parabéns Maksues, a vida fica melhor e a paz não tem dinheiro que pague . Muitos vão criticar mas, o caráter ninguém apaga confessar o erro e virtude. | ||||
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