Cuiabá, Segunda-Feira, 25 de Março de 2019
ROSÁRIO CASALENUOVO
09.03.2019 | 08h42 Tamanho do texto A- A+

A pedofilia no celibato católico

Quantos abusadores ou estupradores estão ainda encobertos?

Porque a pedofilia acontece justamente onde seria o lugar mais isento de sexo?

 

Porque com crianças e jovens, principalmente homens?

 

Porque este crime bárbaro é tratado apenas com um “puxão de orelha” nos padres, bispos ou cardeais?

 

Faz quantos anos ou séculos, que isso acontece na história desta Igreja?

 

Quantos abusadores ou estupradores estão ainda encobertos?

 

Qual a porcentagem que veio à tona, 1, 10 ou 20%?

 

Celibato é a condição que a pessoa abdica do casamento e das relações sexuais.

 

Não imagino qual a porcentagem dessas crianças vítimas na sociedade que depois procuram o celibato, e ao se tornarem adultos, vestem a batina e revidam o que sofreram com crianças indefesas de abrigos de menores ou nos seminários

Poderia nem prosseguir o texto, pois apenas as perguntas seriam o bastante. Mas vejo um ponto interessante sobre o celibato clerical católico, que em tese pode  ser um refúgio para os autoexcluídos por traumas sexuais na infância. Imaginando uma criança que sofreu abuso sexual ou se depara aos 14 anos com a confusão emocional relacionada a opção sexual, ela oculta o fato dos pais e familiares com medo de revelar e ser condenado por um pai autoritário ou ausente,  ou ainda se depara com uma tendência de se tornar um homossexual e ter que enfrentar a todo os conceitos sociais que estão dentro de sua consciência.

 

Não são todos que possuem a coragem de assumir, até mesmo hoje em dia, cuja sociedade está mais tolerante, imagine 50 ou 100 anos atrás. Exercendo a empatia,  se você leitor colocar-se no lugar desta criança com o peso da sociedade hipócrita sanguinária nas costas, encurralado em um quarto escuro de sua mente, se julgando, se condenando, se sentindo culpado e causador de uma decepção ao pai.  Sem saída alguma na sociedade e até mesmo na sua própria casa nos braços de sua família, aparece uma porta que o poderia salvar de todo este inferno, estou falando do seminário para a formação de padre.

 

Uma ilha fora do mundo, protegida, abençoada, onde se tem paz, segurança, se fala de Deus, se pratica a bondade. Sexo lá não existe. Desta forma ele sairia ainda com a família se orgulhando de ter um filho na formação de um padre.

 

No particular, tenho dois amigos. Um homem homossexual que seguiu este caminho, o seminário, procurando este abrigo exatamente pelos motivos descritos acima, mas por acabar se envolvendo com um padre, segundo ele, pediram para que se afastasse de lá. Também uma amiga, que foi estuprada aos 10 e depois aos 14 anos, e procurou o convento para fugir deste mundo, que também depois de um tempo optou por encarar a terra.

 

Alguns dos exilados no celibato acabam por seguir a profissão, mas depois de se tornar adulto  e com nome respeitado, se permitem aos prazeres da carne. Acho natural no ser humano a busca do sexo e com ele o amor mais puro e lindo, ou seja, a união entre duas criaturas na vida. Mas até então em uma relação com pessoas adultas,pois com crianças é um crime dos mais sujos, horrendo, uma doença, é como um vampiro que para seu prazer sulga o sangue e mata a criança na sua inocência.

 

Aqueles que estão em outro extremo do sexo e o abominam devido aos traumas, acabam por definir o rumo de sua vida para fugir, se distanciar, encontrando prazer do ponto negro do círculo da vida.  

 

Não imagino qual a porcentagem dessas crianças vítimas na sociedade que depois procuram o celibato, e ao se tornarem adultos, vestem a batina e revidam o que sofreram com crianças indefesas de abrigos de menores, ou nos seminários.

 

Acredito que a maioria vá ao seminário por missão e dom, se eximindo do corpo e focando na alma.

 

Embora frequente outras religiões com muito prazer e respeito,  sinto que a igreja católica é minha casa, pois nasci nela e os padres são pais ao pé da palavra. Vejo os padres com muito respeito imaginando neles uma vida dedicada a fazer o bem à humanidade. Mas se eles fazem algum mal no seu particular,  pelo menos eu fiz minha parte seguindo na minha inocência ao ver um homem de batina, e quero continuar assim.

 

ROSÁRIO CASALENUOVO JÚNIOR é presidente da Associação Brasileira de Ortodontia em Mato Grosso (ABOR-MT).




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