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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
15.04.2018 | 07h00
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Discurso não é "embromation"

É da cultura brasileira dar recados nos discursos; o que não se pode falar abertamente costuma ser dito veladamente

É da cultura brasileira dar recados nos discursos. O que não se pode falar abertamente costuma ser dito de forma velada nas falas. Ou então aquilo que se deseja que fique público e não se restrinja a conversas privadas. Discurso tem desculpa pra tudo.

 

Mas o discurso a que me refiro neste artigo está mais pra conteúdo. Não só das falas. Dos propósitos, principalmente.  O exercício da política foi decaindo no conceito popular até chegar ao atual descrédito. Por detrás tem muita coisa. Uma delas foi a perda da capacidade de comunicação entre os anseios da sociedade e a cada vez mais reduzida capacidade de respostas do meio político. Com isso, gradualmente, aumentou a distância entre essas duas pontas.  

Esse período do PT no governo mostrou com mais clareza o quanto o governo pode machucar as pessoas coletivamente e individualmente

Discurso no sentido proposto aqui é uma linguagem de comunicação. Frustrado com a política o eleitor e os cidadãos estão com o pé atrás. Mas colocarão fé em que lhes disser propostas concretas que respeitem as suas ansiedades. Coisa que não se vê há muito tempo. Os políticos tem usado falas muito genéricas que não chegam sequer a ser propostas.

 

Esse período do PT no governo mostrou com mais clareza o quanto o governo pode machucar as pessoas coletivamente e individualmente. A sociedade está machucada e  frustrada demais pra acreditar em propostas genéricas. Quem se dispuser a se candidatar a qualquer cargo eletivo, deve pensar mil vezes antes. O que direi ao meu eleitor que responda às suas necessidades? Não precisa ser no campo material. Pode e deve ser no campo das realizações que mudem a sua vida. Aliás, de preferência!

 

Tem que ser claro o bastante pra que o eleitor entenda que quem pede o seu voto terá a capacidade de efetivamente realizar mudanças. Promessas genéricas assustam, conhecendo-se a capacidade do Estado de arrasar com a vida das pessoas.

 

Marqueteiro de efeitos especiais na vã ilusão de que está construindo a imagem de candidatos já está fora de moda. Poucos efeitos e muito realismo. Não tem outro caminho. Não tem mais espaços pra “embromations”!

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Cuiabá




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3 Comentário(s).

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aloisio  16.04.18 23h21
De fato, chegamos a um momento de discurso, absolutamente, genérico. Não só isso, quando falta argumento prevalece o grito. Se não “ganhar no grito” o outro recurso, por princípio, é dizer em alto e bom tom: “é petista ...”. Fácil né! Tem sido assim nas relações diárias e principalmente nas mídias sociais. Não sou petista, nem tenho simpatia por qualquer “partido” que aí está posto, com sinceridade, qual governo, ao longo da história brasileira, não machucou as pessoas coletiva e individualmente? Qual governo foi capaz de produzir instrumentos para reduzir a brutal desigualdade? Qual governo tratou a educação como prioridade? Essa então nem se fala, é criminosa a forma como a gerenciam.
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Alvaro Castro  16.04.18 11h17
Bom dia, o PT, não só machucou o seu eleitor sendo incompetente, se ficasse somente nisso seria perdoado, fez muito pior, o PT TRAIU a confiança de seus seguidores, no final da tarde da prisão de seu maior líder, dentro do sindicato só ficaram aqueles que também serão presos e fora, somente a militância paga...
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Alzite  15.04.18 12h08
Há controversias na fala desse jornalista; a tendência das pessoas machucadas é repelir quem os machucam; conforme pesquisas mais da metade da população é contra a prisão do Lula e ele, mesmo preso e inelegível lidera as pesquisas de intenção de votos, portanto, será prudente o jornalista ao escrever uma matéria, não se deixar influenciar por suas paixões sob pena de cair em descrédito.
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