Cuiabá, Segunda-Feira, 25 de Março de 2019
ELIZÂNGELA FARIAS
10.03.2019 | 08h55 Tamanho do texto A- A+

Influências contemporâneas na Educação

Vivemos em momentos de grandes e constantes mudanças de valores e cultura

Na atual conjuntura, vivemos em momentos de grandes e constantes mudanças de valores e cultura, seja nos campos da política, economia, social e de aprendizagem. Nesse contexto, gostaria de convidar você leitor a análise de conteúdo sobre as influências contemporâneas no mundo da educação baseados em estudos dos autores Feldmann e Masetto (2009), que abordam a função social das instituições de ensino, formação de professores diante de uma nova perspectiva e o novo perfil do aluno.

 

A historicidade dos estudos dos autores parte das inquietações e questionamentos do grupo de pesquisa do Programa de Pós-Graduação Formação de Professores e Cotidiano Escolar, da PUC de São Paulo, no qual são membros e Feldmann líder, sobre: O que é ser professor nos dias de hoje? Direcionando para influências contemporâneas no mundo da educação que vai além de aspectos formativos, mas de concepção.

 

No entanto, para melhor compreensão e adentrarmos no campo do assunto é necessário realizar uma breve conceituação do que seja influência e contemporaneidade. Segundo pesquisa de fonte diversas ‘web’ o conceito de influência é polissêmico, existindo vários significados e entendimento da palavra, altera diante do contexto da sua empregabilidade ou do seu uso, podendo assim, ser a ação que alguém ou algo tem sobre outra coisa; é sinônimo de poder; exerce a interferência sobre o modo de agir ou de pensar das outras pessoas, ou seja, é a capacidade de agir. Já contemporaneidade vem do latim quer dizer o que coincide com o tempo; sinônimo de contemporâneo; é qualidade de existir no tempo atual.

 

A função social da instituição de ensino passa por desemparedamento dos muros físicos para ambientes virtuais desempenhando o seu real papel de formar comunidade de aprendizagem

Percebe-se diante das primícias conceituais que as influências contemporâneas realizam interferências sociais de comportamento, valores, atitudes que refletem principalmente no mundo da educação. Tais interferências segundo Masetto (2009) são provenientes da revolução tecnológica que hoje torna-se digital e automatizada, trazendo dinamismo para produção e socialização do conhecimento e da informação por meio da conectividade em rede, surgindo assim, uma nova concepção de aprendizagem voltada para “autoaprendizagem, aprendizagem por descoberta e aprendizagem ao longo da vida”.

 

Nesse contexto, a função social da instituição de ensino passa por desemparedamento dos muros físicos para ambientes virtuais desempenhando o seu real papel de formar comunidade de aprendizagem. Masetto (2009) relata que a instituição de ensino se reorganiza numa comunidade de aprendizagem colaborativa formada por alunos, professores, pais, agentes internos e externos do ambiente de ensino. A função das instituições em tal momento foca as questões da “modernidade, pós-modernidade, multiculturais e de integração com grupos sociais em rede através de projetos e parcerias”.

 

As influências contemporâneas não interferem somente na função social das instituições de ensino, mas em todos os aspectos da educação, como a política de organização e de oferta, currículos tornam híbridos, formação de professores transforma em um novo campo de estudos e de práticas, alunos e professores são protagonistas do processo de aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento do conhecimento se estabelece em rede e comunidade de aprendizagem, não sendo mais uma ação unilateral.

 

Em tal perspectiva de análise e estudo Feldmann (2009) com o grupo de pesquisa vem levantar questões contemporâneas sobre a formação de professores nos dias hoje em relação as tendências e influências. Começamos a adentrar em um campo de complexidade de formação inicial e continuada desses profissionais, onde a autora aponta que as transformações de construção de saberes, comportamentos, atitudes oriundas do mundo do trabalho são influenciadas pela universalização da informação, conhecimentos provisórios e instáveis, tecnologias e midiatização, novas formas de conceber a aprendizagem.

 

O ato de formar professores se torna um desafio no mundo contemporâneo e plural que demanda de um novo perfil profissional com capacidade de “articular o pensar e agir, entre a teoria e a prática” (FELDMANN, pág. 74) de forma analítica e correlacional. Para Masetto (2009, pág. 15) o novo papel ou perfil do professor respalda no profissional “requalificado, intelectual e transformador, crítico e emancipador, planejador de situações de aprendizagem; engajador, mediador e incentivador dos alunos em suas aprendizagens, parceiro e colaborativo, digital”.

 

Deparamos com a reconstrução de identidade do profissional professor diante das novas habilidades embasados em novos paradigmas de conhecimentos menos fragmentado, unilateral e simplista, onde o “ensino se faz a partir da imersão de várias ciências” (FELDAMANN, pág. 74). A complexidade faz parte da contemporaneidade pela multidimensionalidade do conhecimento e o desafio da formação de professor não encontra somente em fatores sociais, mas também nos “padrões culturais cristalizados da sua prática”.

 

Diante dessa análise partimos para outro fator de influência no campo de formação que são os paradigmas metodológicos de ensino, segundo Feldmann (2009) as tendências e influências do mundo do trabalho trouxeram novos métodos de ensinar e aprender em uma concepção positivista que não faziam parte do cotidiano da instituição de ensino ou do ambiente de aprendizagem.

 

Os paradigmas metodológicos citados pela autora pautam na racionalidade-instrumental e racionalidade-comunicativa, que na atual abordagem são considerados emancipadores do saber pensar com racionalidade e autônomos no saber aprender onde o indivíduo é responsável pelo seu próprio processo de aprendizagem evidenciado na heutagogia.

 

Feldmann (2009, pág. 75) comenta que a racionalidade-comunicativa vem fortalecer a prática pedagógica enunciada por Paulo Freire baseada na racionalidade dialógica, “o ensino se faz pela construção e reconstrução” de saberes e conhecimentos. Nesse sentido a formação de professores se reconfigura em uma comunidade de aprendizagem na reconstrução e construção de conhecimento e interação de sabres, fundamentado no aprender a aprender, no aprender a conviver em comunidade de forma colaborativa, e, não na formação continuada de aperfeiçoar conhecimentos já existentes numa visão tradicional de formação de professores.

 

Iremos findar a análise dos estudos dos autores Feldmann e Masetto (2009), com a abordagem do perfil do aluno que são considerados os grandes indicadores de influencia contemporânea da formação de professores e do modo de pensar e agir de como se deve estabelecer o processo de ensino. Estamos diante de uma geração exponencial, dinâmica, midiatizada, digital e imersa na tecnologia onde aprendizagem e as informações sobre o mundo acontece de forma espontânea e o questionamento o que é ser professor nos dias de hoje se depara com outra pergunte - como o meu aluno aprende nos dias atuais? Quais são as estratégias e métodos que devem ser utilizadas? Quais são os pilares da educação para o mundo contemporâneo?

 

Observa-se que o ciclo de análise se fecha com a abordagem do perfil do aluno, pois é a partir de suas características a educação se molda. O aluno com a postura passiva e reprodutora, muitas vezes discutidas que deveria ser sujeito se torna protagonista “assumindo o papel de parceiro e corresponsável por sua educação e profissionalização, contextualizada no mundo contemporâneo”. (MASETTO, pag. 14, 2009)

 

ELIZÂNGELA FARIAS DE OLIVEIRA é mestranda em Educação.




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