A divulgação de um relatório internacional, no dia 23 deste mês, apontou que o salário médio das brasileiras com educação superior, representa a módica quantia de 62% do que recebe um homem com a mesma escolaridade. E, para que houvesse a visibilidade da desigualdade de gênero, as mulheres invadiram as redes sociais com a hashtag #meuamigosecreto, relatando situações de machismo por elas vivida.
O mencionado relatório, intitulado Education at a Glance 2015, colocou o Brasil em primeiro lugar, em um ranking de 46 outros países, em diferença salarial entre homens e mulheres.
A mídia e as redes sociais muito têm contribuído para que as mulheres possam mostrar o que elas sempre tiveram que suportar. Relatos extremamente curiosos, e que tem nos remetido ao cotidiano, foram expostos.
De tudo que já presenciei na labuta diária, alguns se encaixariam perfeitamente nessa campanha: "não temos o que dividir, sempre trabalhei muito mais do que ela"; "meu filho não tem educação, porque ela não o ensinou"; "várias vezes cheguei em casa e o jantar não estava pronto"; "minha filha só tira notas baixas na escola, por culpa dela"; "você é péssima administradora de casa."

Nos hospitais, quando a mulher se prepara para viver um dos momentos mais especiais da sua vida, com a chegada do bebê, sofre as mais terríveis discriminações. "Não chora, na hora do bem bom você não chorou". "Deixa de ser fraca, isso não dói nada". "Cala a boca, sei que no ano que vem você estará aqui de volta".
Na calada da noite, aquelas que necessitam voltar para casa sozinhas, nos coletivos de ônibus, se desesperam. São esfregadas e cantadas diariamente.
Ao descerem nos pontos, temem pelo medo de ser violentadas. O caminho para casa é de aflição. As ruas desertas e escuras fazem com que elas sejam prezas fáceis.
Sem contar os absurdos que muitas ouvem apenas ao transitar pelas ruas: "Ô, lá em casa"; "Quer tomar um chope, princesa?".
Mulheres, várias, tem sido intoxicadas e estupradas em festas. Nem mesmo o direito à diversão está seguro. Às vezes, a saída com os amigos e amigas acaba se tornando o pior dia da vida delas.
Dias atrás, uma jovem de 17 anos foi estuprada por "amigos" da faculdade, após a ingestão de bebida alcoólica que a tirou a consciência. Foi encontrada muito ferida, inclusive, com a retida de parte dos seios por uma mordida. O passeio se tornou filme de terror.
Nos variados locais de trabalho, mulheres são assediadas sexualmente. Parece mentira, mas, isso ainda acontece nos dias atuais.
"Você é muito bonita, gostaria de lhe proporcionar um cargo melhor". "Meu filho gostaria muito de lhe conhecer, poderiam namorar". "Aqui você pode subir rapidinho na carreira, desde que...".
Uma nova modalidade de diferença de gênero, não tão nova, pois sempre ocorreu, é a violência institucional. A mulher tem o seu trabalho reconhecido e alcança um cargo de chefia.
Os questionamentos são diversos: "não me diga que terei que atender a ordens de mulher"?; "não aceito que uma mulher seja minha chefe"; "só poderia vir de uma mulher". Nossa!
O trabalho ainda deve ser árduo e contínuo pela não discriminação de gênero. Os avanços estão sendo sentidos, com as mulheres deixando de aturar determinadas condutas.
Os relatos mostrando que nada disso é normal, fazem com que as mulheres deixem de aceitar condutas machistas. Um erro socialmente aceito e reproduzido, passa a ser normal. Uma vida sem discriminação é o que queremos!
ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é Defensora Pública Estadual e Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso.
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1 Comentário(s).
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| Antonio Carlos 30.11.15 10h05 | ||||
| No trabalho aquelas piadinhas sempre existem....mas a gente percebe que quando a mulher não gosta, elas param, mas a maioria das mulheres permitem esse tipo de piadinhas que na reportagem esta sendo chamada de assedio. | ||||
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