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Opinião / EDUARDO MAHON
14.11.2017 | 20h00
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Sobre quem faz e fica

Há nomes que merecem permanecer na memória da Cultura de Mato Grosso; já outros...

A propósito de políticas públicas, quero chamar atenção para a diferença entre quem faz e fica nos registros históricos e quem fala demais e acaba sendo esquecido.

 

Sobre a educação musical cuiabana, por exemplo, grandes nomes ensinaram o povo a entender e apreciar música de qualidade: Zulmira Canavarros, Maria Benedita Deschamps Rodrigues (Dunga), Honório Simaringo, José Agnelo, Mestre Albertino, Vicente dos Santos, Tote Garcia, Luiz Cândido, e mais recentemente, Ivonildo Gomes de Oliveira, o mestre China, Moises Martins, Neurozito, Bolinha, Vera e Zuleica, Henrique e Claudinho etc.


Foi com o 1º reitor eleito da Universidade Federal de Mato Grosso, Benedito Pedro Dorileo, que tivemos a Orquestra da UFMT, a partir do núcleo de músicos concursados. Em 1980, ingressaram por meio de avaliação quatro músicos – Cézar Wulhynek (spalla), Hella Gilda Von Hepp (violino), José Lourenço Parreira (violino) e Conrado Correia Ribeiro (violoncelo), núcleo fundador da Escola Preparatória de Aprendizes da Orquestra Sinfônica da UFMT. Esse foi um marco incontestável para a música mato-grossense – o nascimento de uma instituição pública e não de mais uma empresa privada.


Nesse diapasão, é preciso fundar o Conservatório Musical de Mato Grosso. Uma instituição pública que tenha como acesso um concurso atraente para que músicos de todas as partes do Brasil possam somar-se definitivamente à instituição.

Sobre a educação musical cuiabana, por exemplo, grandes nomes ensinaram o povo a entender e apreciar música de qualidade

A estabilidade funcional do músico não atenta contra a técnica, muito ao contrário: permite a realização de projetos de médio e longo prazo com características exclusivas do grupo convivente, além de contribuir para criar e manter uma escola para jovens músicos, sucessores das turmas inaugurais. Isso é o pensamento de longo prazo, consistente, em prol do Estado de Mato Grosso.


Instituições privadas são importantes? É claro. Mas precisam sobreviver e objetivam o lucro, o que é muito natural numa sociedade capitalista. São formadas por músicos que sobrevivem de cachê, aparecem eventualmente e vão embora no dia seguinte da apresentação. O que deixam de legado aos mais jovens?

 

Importa saber se o Estado de Mato Grosso quer ou não um centro de formação em música que seja público e permanente, composto por gente gabaritada e aprovada em concurso público.

 

Importa pensar daqui vinte, cinquenta, cem anos, com o fito de oportunizar às novas gerações de mato-grossenses o preparo e o ingresso nos quadros desta instituição a fim de desenvolver projetos que identifiquem o povo consigo mesmo.


Benedito Pedro Dorileo é um homem reservado. Não fica culpando o passado pelo presente, nem tampouco ansiando o futuro. Ao contrário: fez do limão, uma limonada e cunhou o “fazejamento”, ou seja, mão na massa.

 

Deixou um legado consistente em matéria de políticas públicas, ajudou a Universidade Federal a pensar na cultura mato-grossense. Criou, além do núcleo da Orquestra Sonfônica, a pró-reitoria de cultura, então chamada Coordenação de Cultura, onde Marília Beatriz de Figueiredo Leite conduzia projetos com a ajuda de Therezinha de Jesus Arruda, Konrad Vimmer, Peter Ens, Leônidas Querubim Avelino, José Serafim Bertoloto, Clóvis Resende de Mattos, Wladimir Dias-Pino. Isso é valorizar a prata da casa, sem cair no perigo da endogenia.


Sendo uma instituição pública onde caciques não monopolizam a batuta, fomos enriquecidos por vários maestros titulares passaram pela história da Orquestra da UFMT: Konrad Wimmer, Marcelo Bussiki, Ricardo Rocha e Roberto Vitório.

 

Em 2002, Silbene Perassolo foi a primeira mulher a dirigi-la e hoje, como se sabe, é Fabrício Carvalho quem rege os músicos da nova geração. Tenho certeza de que era essa a intenção original do grande Secretário de Cultura, João Carlos Vicente Ferreira ao fundar a Orquestra de Mato Grosso – uma instituição que fosse pública e que ensinasse música de forma contínua, retroalimentando a própria formação por músicos mato-grossenses.


Por fim, quero lembrar do nosso Cel. Octayde Jorge da Silva que incentivou a música na então Escola Técnica Federal, da grande Dunga Rodrigues que conduziu por muitos anos o Conservatório, do querido Habel dy Anjos que estudou a nossa viola de cocho, do nosso saudoso Rabelo Leite que divulgava a música mato-grossense nas rádios por onde passou e de tantos outros que se doaram ao ensino público, gratuito e universal – isso sim um valor a se orgulhar.

 

Por fim, palmas para a Orquestra Cuiabana de Choro, conduzida pelo brilhante Eduardo Fiorussi, o mais novo sopro cultural do Estado de Mato Grosso, assim como a maestrina Flávia Veira, tudo sob supervisão do grande pró-reitor cultural da UFMT Fernando Tadeu de Miranda Borges. Destes nunca esqueceremos. Quanto ao resto...

EDUARDO MAHON é advogado e escritor em Cuiabá.




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2 Comentário(s).

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Dadacha  14.11.17 15h48
Querido colunista, Lembremos também da Orquestra de Flautas da UFMT, cuja maestrina levou o Brasil e o nome de Mato Grosso a nos representar no exterior... provavelmente deles vocês irão esquecer....né?
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Philippe  14.11.17 12h34
''Que seja público e permanente, composto por gente gabaritada e aprovada em concurso público'' Será que tudo se resume para os 'intelectuais' em aparelhamento estatal? Chega disso, eu não quero pagar a conta! Se não bastasse a lei Rouanet.
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