Cuiabá, Domingo, 24 de Março de 2019
ALUNOS EXECUTADOS
13.03.2019 | 14h26 Tamanho do texto A- A+

Atiradores matam ao menos oito em escola em Suzano

Luiz de Castro, 25, e Guilherme Monteiro, 17, eram ex-alunos da instituição e se mataram após o crime

Reprodução

Massacre em escola estadual de Suzano ocorreu na manhã desta quarta-feira (13)

DA FOLHA DE S. PAULO

Dez pessoas morreram em um ataque a tiros na escola estadual Professor Raul Brasil em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13). Entre as vítimas estão cinco alunos, duas funcionárias e o dono de uma locadora de carro próxima ao local. Os atiradores são ex-alunos da instituição e também se mataram.

 

As duas funcionárias foram identificadas como Eliana Regina de Oliveira Xavier, agente de organização escolar, e Marilena Ferreira Umezu, 59, coordenadora pedagógica.

 

Quatro alunos morreram no local (Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira e Samuel Melquíades Silva de Oliveira) e um quinto, João Vitor Ramos Lemos, morreu enquanto era levado ao hospital. O dono da locadora é Jorge Antonio Moraes, que chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu. 

 

Os disparos começaram por volta de 9h, quando Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, foram até a locadora, atiraram em Jorge e roubaram o veículo Onix branco.

 

Então, a dupla foi até a escola, onde entraram encapuzados e dispararam contra os alunos. No momento em que viram os policiais chegando, eles se mataram —a polícia ainda não sabe se eles se suicidaram ou um teria atirado no outro.

 

Há ao menos outras nove pessoas feridas, ainda de acordo com João Camilo Pires de Campos, secretário de Segurança Pública de São Paulo. 

 

A dupla levava um revólver calibre 38, quatro carregadores, uma besta (espécie arma medieval que dispara flechas), uma caixa que aparenta ser explosivo e garrafas montadas como coquetéis molotov.

 

A Folha conversou com Juliano Simões de Santana, vizinho da escola. O morador disse que ouviu os disparos próximo ao intervalo das aulas do período matutino.

 

"Moro ao lado, ouvi um tumulto e fui para lá. Cheguei e vi várias crianças saindo correndo ensanguentadas. Um desespero, professor, funcionário, todos correndo", afirmou.  

 

​​​A Raul Brasil tem alunos apenas a partir da 5ª série. São 1.067 estudantes no total, a maior parte deles no ensino médio (693), boa parte nos anos finais do ensino fundamental (358) e alguns na educação especial (16), segundo informações de 2017. Ao todo, são 105 funcionários. Num prédio anexo, funciona um centro de estudo de línguas.

 

Pouco depois de participar de coletiva de imprensa sobre as enchentes no estado, o governador João Doria (PSDB) cancelou sua agenda para o resto do dia e decidiu ir para Suzano para acompanhar de perto o ocorrido.

 

"Estou muito impactado com o que eu vi aqui nesta escola, é uma cena muito triste. A mais triste que vi em toda minha vida. São adolescentes que foram brutalmente assassinados. Aos pais de vítimas e aos feridos, nossa solidariedade", afirmou Doria, que pediu à secretaria de Saúde garantia de apoio psicológico aos atingidos e decretou luto oficial de três dias no estado.

 

Além do comandante da PM, o general João Camilo de Campos, secretário de Segurança Pública, e Rossieli Soares, secretário de Educação, acompanham o governador no local.

 

Foram acionadas seis unidades de resgate dos Corpo de Bombeiros, três do Samu, dois de suporte avançado e dois helicópteros águia. A PM também enviou uma equipe do Gate para apurar os artefatos parecidos com bombas.

 

A polícia isolou a rua que dá acesso à escola. Só a perícia e carros de resgate passam no local. Um gabinete de crise foi montado na quadra da escola para concentrar as informações sobre o ataque.

 




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