ENQUETES

Você já decidiu em quais candidatos irá votar nestas eleições?

PUBLICIDADE

Política / GRAMPOS
21.10.2017 | 14h20
Tamanho do texto A- A+

Delegada acusa Jarbas de armar “cilada” para atingir Mauro Zaque

Alana Cardoso disse que se sentiu "coagida" por ex-secretário de Segurança Pública

MidiaNews

Clique para ampliar

A delegada Alana Cardoso, uma das responsáveis pela operação

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A delegada Alana Cardoso acusou o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, de armar uma “cilada” ao interrogá-la sobre o caso dos grampos na operação Forti, em maio deste ano. 

 

Segundo a delegada - que foi uma das responsáveis pela ação -, o objetivo de Rogers era obter informações para atingir o promotor de Justiça Mauro Zaque – ex-secretário de Segurança e autor da denúncia sobre a existência de grampos em Mato Grosso.

 

Além disso, conforme Alana, Rogers questionou sobre a conduta dos delegados Alessandra Saturnino e Flávio Stringueta no caso.

 

Jarbas foi preso no dia 27 de setembro, durante deflagração da Operação Esdras, acusado de integrar um organização criminosa acusada de montar uma estratégia para atrapalhar as investigações relacionadas aos grampos ilegais e obter a suspeição do desembargador Orlando Perri.

 

A declaração de Alana foi dada no dia 5 de setembro em depoimento à delegada Ana Cristina Feldner, até então responsável pela investigação do caso de interceptações ilegais em Mato Grosso.

 

O esquema de escutas clandestinas na operação Forti foi levantado pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, em ofício encaminhado à Corregedoria do Tribunal de Justiça e ao Governo do Estado. 

 

A operação Forti, que não chegou a ser deflagrada, realizou diversas escutas telefônicas em fevereio de 2015, entre elas a de duas pessoas que não tinham relação alguma com os fatos. São elas: Tatiane Sangalli,  ex-amante do ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques, e a ex-assessora dele, Caroline Mariano dos Santos. Devido a este fato, Paulo Taques chegou a ser preso acusado de mandar grampear as duas mulheres. Ele também foi detio na operação Esdras. 

 

Que recorda que com relação ao Dr Mauro Zaque, o Dr Rogers insistiu com diversas perguntas, questionando a declarante se o mesmo tinha conhecimento, se o mesmo participava das reuniões, de como era a participação dele na operação Forti, se ele solicitou as interceptações, se ele ouviu os áudios

No depoimento, Alana afirmou que quatro horas depois que o ofício chegou ao Executivo, Rogers já a convocou a prestar esclarecimento sobre o ocorrido.

 

"Esclarece que numa reunião da Amdepol [Associação Mato-grossense dos Delegados de Polícia] justamente para tratar do assunto 'grampos telefônicos' quando o telefone do Dr Wagner Bassi tocou e este disse que era Dr Rogers Jarbas e que iria atender pois deveria ser importante; Que o Dr Wagner Bassi disse 'ela está aqui' e passou o telefone para a declarante; Que a declarante sentiu-se extremamente constrangida; Que então Dr Rogers Jarbas disse que assim que acabasse a reunião que a declarante deveria ir diretamente ao gabinete do mesmo", diz trecho do depoimento.

 

Conforme Alana, na ocasião Rogers Jarbas lhe entregou o ofício da juíza Selma e questionou o que ela tinha a dizer sobre o assunto, argumentando que o governador Pedro Taques estava "furioso" e que ele precisava tomar o depoimento dela naquele momento.

 

A delegada argumentou que explicou resumidamente o trabalho que realizou na operação, mas só prestaria declarações formais na Corregedoria da Polícia Civil.

 

"Que então o Dr Rogers Jarbas disse que não precisaria da Corregedoria da Polícia Civil e mudou a postura, passando a fazer bastante elogios a conduta proba e ética da declarante; Que Dr Rogers Jarbas passou a explicar que ele concordava com tudo o que a declarante havia feito e apenas justificava que o governador estava furioso e que queria acalmá-lo; Que o Dr Rogers disse que o assunto era importante e que necessitava de urgência; Que então Dr Rogers determinou que a declarante fosse até a sala do Dr Gustavo Garcia [então secretário adjunto de Segurança] e que fizesse as declarações e que ao final era para chamá-lo", diz outro trecho do depoimento.

 

Alana disse que, naquele momento, pensou em "gritar" ou até "ir embora", porém temeu que Rogers e Gustavo poderiam alterar o depoimento ou mesmo dar-lhe voz de prisão.

 

Durante o depoimento, Alana afirmou que Garcia tentava orientá-la e induzi-la a escrever de uma outra forma. "Que a declarante respondia que não entendia assim, pois insistia que não havia feito nada ilegal", disse.

 

Conforme a delegada, assim que terminou o depoimento, Rogers leu as declarações e respondeu: "Não é isso que eu quero".

 

"Que então perguntou o nome do analista que havia participado da operação; Que a declarante responde que não recordava; Que então ele disse 'você sabe, o governador já sabe, foi o Rafael Meneghini, se você não colocar vai ficar parecendo que está protegendo'; Que a declarante insistia que seria ser ouvida formalmente, dentro de um procedimento regular e que nessa oportunidade poderia levar todas informações necessárias; Que foi o próprio Dr Rogers quem digitou o nome do analista Rafael Menighini”, afirmou.

 

“Cilada”

 

Midianews

Secretário afastado da Sesp Rogers Elizandro Jarbas

O ex-secretário de Estado de Segurança, Rogers Jarbas

Foi por causa da insistência de Rogers em citar o nome do analista que Alana afirmou ter percebido que estava em uma “cilada”.

 

“Que na época a declarante não entendia a importência dessa informação, porém depois tomou conhecimento que Rafael Meneghini quando saiu da Sesp, pois trabalhou naquela secretaria na gestão do Dr Mauro Zaque, foi trabalhar no Gaeco e ao que soube teria inclusive trabalhado na mesma sala do cabo Gerson Correa; Que acredita que possam ter pensado que Rafael Meneguini tivera acesso às informações da 'grampolândia da PM’”, declarou. 

 

Neste momento, conforme a delegada, Rogers começou a questionar sobre a participação de Zaque, Alessandra e Stringueta na operação.

 

"Que recorda que com relação ao Dr Mauro Zaque, o Dr Rogers insistiu com diversas perguntas, questionando a declarante se o mesmo tinha conhecimento, se o mesmo participava das reuniões, de como era a participação dele na operação Forti, se ele solicitou as interceptações, se ele ouviu os áudios", disse.

 

"Que o Dr Rogers também fez diversas perguntas sobre a Dra Alessandra e Dr Flavio Stringueta; Que naquele momento ficou claro para a declarante que o objetivo do Dr Rogers era colher informações acerca do Dr Mauro Zaque, Alessadra e Flávio e, não da declarante; Que ainda nessa linha, perguntou se Rogers também iria ouviar a Dra Alessandra e Dr Flávio ao que foi respondido categoricamente que 'não, com ele não tem conversa! Com você eu converso! Com eles não'".

 

Ao final, a delegada declarou que não teve dúvidas de que as perguntas e as informação que o então secretário queria obter naquela inquirição tinha por objetivo "atacar o trabalho durante a gestão de Mauro Zaque". 

 

Veja fac-símile do depoimento: 

 

 

Leia mais: 

 

Delegada diz estar “surpresa” e garante que agiu dentro da lei

 

Delegada acusa ex-adjunta da Sesp por “grampo” em operação

 

Delegado diz que juíza foi “infeliz” e “maculou” operação policial

 

Juíza suspeita que delegada tenha feito "barriga de aluguel" em ação

 

Delegada citada por juíza diz que caso é grave e envolve "honra"

 

Polícia investigou e grampeou suposta amante de ex-secretário

 




Clique aqui e faça seu comentário


2 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

JDias  22.10.17 08h29
JDias, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
joaoderondonopolis  21.10.17 19h27
Parabéns delegadas Alana, Alessandra e delegado Flávio, foram foram peças fundamentais para quase elucidações dos crimes, não faltando também do desempenho do Desembargador Dr.Perri, parabéns Desembargador.
68
9
1999-2018 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados

Ver em: Celular - Web