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VLT "TRAVADO"
19.07.2017 | 17h54 Tamanho do texto A- A+

Juiz dá prazo para Estado e Consórcio atenderem exigência do MP

Ciro Arapiraca pediu que Executivo se manifeste de forma "concreta, conclusiva e definitiva"

MidiaNews

Os vagões do Veículo Leve sobre Trilhos, no centro de comando, em Várzea Grande

Os vagões do Veículo Leve sobre Trilhos, no centro de comando, em Várzea Grande

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

O juiz federal Ciro José de Andrade Arapiraca, da 1ª Vara de Mato Grosso, deu prazo para o Governo do Estado e o Consórcio VLT modificarem o acordo para retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos conforme pedem o Ministério Público Estadual e Federal.

 

No início do mês, os órgãos se manifestaram contra o acordo por entender que o Governo não sanou ou não deu resposta adequada às irregularidades comprovadas na ação judicial para retomada das obras.

 

Segundo Arapiraca, Estado e Consórcio terão três dias para apresentar as modificações.

 

“A se iniciar pelo Estado de Mato Grosso, a partir do dia seguinte à data desta decisão e, para o Consórcio VLT, com início em 25/07/2017, para manifestação e/ou apresentação de nova minuta de acordo que contemple as condições e modificações exigidas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, sendo facultado ao Estado de Mato Grosso a juntada de sua manifestação no último dia do prazo para o Consórcio VLT”, disse.

 

Diante da longa espera pela composição amigável do litígio é cediço instar, novamente, o Estado a fim de que se manifestem de forma concreta

Na decisão, o juiz afirmou que não poderá homologar o acordo sem a adesão do Ministério Público, autor processual. Para ele, sem acordo com o MP, “não há sequer proposta de acordo a ser homologada”.

 

Arapiraca pediu que o Executivo se manifeste de forma concreta, conclusiva e definitiva.

 

“Diante da assertiva retro, é forçoso reconhecer que, sem a adequação da minuta de acordos às condições e obrigações defendidas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, sobretudo em relação às matérias de natureza indisponível e, portanto, reputadas pelo órgãos como inconciliáveis, não se mostra possível a homologação da avença firmada entre o Estado de Mato Grosso e o Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande”, afirmou.

 

“Nesse sentido, diante da longa espera pela composição amigável do litígio objeto dos autos, neste momento, é cediço instar, novamente, o Estado de Mato Grosso e o Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande, a fim de que se manifestem, concreta, conclusiva e definitivamente, sobre a viabilidade de adequação das condições e obrigações firmadas na minuta de acordo às modificações apontadas pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual”, completou.

 

Retirada de processo

 

Segundo as movimentações dos autos, o processo foi retirado pelo procurador-geral do Estado, Rogério Gallo, ainda nesta quarta-feira (19).

 

Acareação

 

Em conversa com a imprensa nesta semana, o secretário de Estado de Cidades, Wilson Santos (PSDB), disse que irá pedir uma acareação com os técnicos que subsidiaram os pareceres do Ministério Público Estadual e Federal.

 

Para ele, com esse encontro será possível sanar uma série de apontamentos feitos pelos órgãos de controle. O que não for possível ser sanado, será decidido, segundo ele, pelo próprio Arapiraca.

 

O acordo

 

O acordo foi assinado em março deste ano, após inúmeras reuniões entre o governador Pedro Taques (PSDB), o secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos, o controlador-geral do Estado, Ciro Rodolpho Gonçalves, o procurador-geral do Estado, Rogério Gallo, e suas respectivas equipes, com representantes do Consórcio VLT.

 

Pelo entendimento, o Estado vai pagar R$ 922 milhões para a conclusão integral da implantação do modal. Desse total, o Governo tem em caixa R$ 322 milhões. O restante depende de empréstimo.

 

A previsão, até então, era de que as obras fossem retomadas em maio deste ano com prazo de conclusão total de 24 meses.

 

Entretanto, no acordo entre Governo e Consórcio, o cronograma prevê a entrega da primeira etapa em março de 2018, no trecho entre o Aeroporto de Várzea Grande e a estação do Porto, em Cuiabá.

 

Para financiar o valor necessário para a conclusão das obras, o Governo obteve sinalização da União de empréstimo de R$ 600 milhões junto à Caixa Econômica Federal, faltando apenas o aval da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

 

Entretanto, o Ministério Público vem se colocando contra o acordo. Apontam irregularidades e que o entendimento não segue relatório da auditoria da KPMG, encomendado pelo próprio Executivo.

 

O VLT

 

A obra do VLT foi iniciada em agosto de 2012 e deveria ter sido entregue em junho de 2014, antes mesmo do início dos jogos da Copa do Mundo em Cuiabá.

 

Entretanto, os sucessivos atrasos levaram a gestão anterior do Executivo a fazer um aditivo, prevendo o término para 31 de dezembro daquele ano.

 

Porém, as obras foram paralisadas antes deste prazo, já que o Estado não realizou os pagamentos solicitados pelo consórcio.

 

Desde então, a gestão Taques vem travando uma batalha judicial por conta de erros encontrados nas obras e até mesmo no contrato.

 

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