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Política / "CHANTAGEM"
12.05.2017 | 16h30
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Taques nega "arapongagem" oficial e diz que vai processar Zaque

Governador acusa promotor de Justiça de ter fraudado protocolo de denúncia junto ao Palácio Paiaguás

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O governador Pedro Taques, que negou ter relação com esquema de grampos ilegais

THAIZA ASSUNÇÃO E LAURA NABUCO
DA REDAÇÃO

O governador Pedro Taques (PSBD) afirmou que nunca pediu para grampear ilegalmente adversários políticos, advogados e jornalistas e que só teve conhecimento nesta quinta-feira (11), por meio da imprensa, de que integrantes da Polícia Militar de Mato Grosso poderiam estar agindo de tal forma.

 

"Eu nunca pedi que isso fosse feito, se é que o fato é verdadeiro. A pessoa que disse que eu sabia, vai ter que provar", afirmou durante entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (12).

 

Tais afirmações, de acordo com o governador, teriam partido do promotor de Justiça Mauro Zaque. Ex-secretário de Estado de Segurança Pública, ele teria feito uma representação junto à Procuradoria Geral da República (PGR) dando conta da existência de uma rede clandestina de “grampos” telefônicos no Estado.

 

Zaque teria levado o assunto também diretamente ao governador, em novembro de 2015, quando ainda estava à frente da Pasta. Taques sustenta, todavia, que além de uma conversa informal, nunca recebeu qualquer informação do promotor acerca da denúncia.

 

Zaque me disse que eu tinha que mandar o Zaqueu embora. Disse que estava fazendo coisa errada. Eu disse 'ponha no papel. Quem é governador sou eu. Você não pode me chantagear'

“Ele me procurou e disse que o comandante Zaqueu estava fazendo coisas erradas e que eu precisava exonerá-lo. Eu pedi que colocasse aquilo no papel. O governador recebe muitas denúncias, em festa, em fila de mercado. Sempre tem um dizendo que alguém está fazendo algo errado. Eu não recebi o papel e não sei até hoje de nada de errado”, disse o governador.

 

"Fraude"

 

De acordo com Taques, Mauro Zaque teria feito duas denúncias acerca do assunto, sendo que a segunda, para o governo do Estado, trata-se de uma fraude.

 

Segundo ele, na primeira, o então secretário de Segurança teria afirmado haver um esquema ilegal de interceptações telefônicas no presídio Ferrugem, em Sinop. Tal acusação foi, de acordo com o governador, protocolada junto ao chefe de gabinete da governadoria e, posteriormente, encaminhada ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que não encontrou indício de irregularidades e arquivou o caso.

 

Já na segunda, Zaque relataria informações complementares à primeira, desta vez relacionadas ao presídio de Cáceres. Nesta ocasião é que o promotor teria solicitado a exoneração do ex-comandante da Polícia Militar Zaqueu Barbosa.

 

"Eu conheço o Zaqueu há 20 anos. Quem me apresentou foi o Zaque. Quando Zaque foi secretário houve uma rusga. Zaque me disse que eu tinha que mandar o Zaqueu embora. Disse que estava fazendo coisa errada. Eu disse 'ponha no papel. Quem é governador sou eu. Você não pode me chantagear'. Governador não pode aceitar chantagem de quem quer que seja". 

 

"Entrou o Fábio Galindo e ele me disse que tinha que ter outro comandante, porque era um novo secretário e precisava de outro comandante. Ele me apresentou dois e eu escolhi. O Roger Jarbas entrou e também pediu pra trocar o comandante da PM".

 

O governador sustenta, no entanto, que o protocolo que o promotor alegaria ter feito contém indícios de fraude. A primeira irregularidade, segundo ele, seria o fato de Zaque não ter entregue a denúncia novamente à chefia de gabinete (por se tratar de acusação sigilosa), mas no protocolo principal do Palácio Paiaguás.

 

O indício mais evidente, para o governador, seria o fato de o número do documento ser o mesmo de um processo da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), referente a um pleito do município de Juara.  

 

O processo que o Zaque disse que protocolou não existe no Palácio Paiaguás

“O processo que o Zaque disse que protocolou não existe no Palácio Paiaguás. O número que ele deu no Governo é um processo da Sinfra, em que o presidente da Câmara de Juara pede providências em relação a uma estrada. Eu nunca vi esse processo. Soube de tudo isso ontem pela imprensa", disse o governador.

 

Representação

 

Taques afirmou ter tomado conhecimento da segunda denúncia de Zaque por meio da imprensa. Segundo ele, foi a reportagem do programa Fantástico que apresentou o protocolo que o promotor teria feito junto ao Palácio Paiaguás. A informação teria chegado aos jornalistas porque o ex-secretário também encaminhou a denúncia à Procuradoria Geral da República (PGR).

 

Diante do fato, o governador afirma que ele é quem representará Zaque. Além da própria PGR, a quem Taques pede uma investigação sobre a suposta fraude no documento protocolado no Palácio Paiaguás, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) deve ser acionado para investigar a conduta do promotor.

 

Taques relatou que já orientou o atual secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, a investigar o caso dos supostos “grampos” ilegais. O governador vai pedir a suspensão das atividades do "Guardião" - sistema utilizado pelo Ministério Público para fazer as interceptações telefônicas - até os esclarecimentos dos fatos.

 

"Fatos graves precisam ser investigados. Determinei que o secretário Rogers faça a investigação. Vou pedir ainda hoje que o Gaeco suspenda imediatamente as atividades do Guardião. Se houve interceptação clandestina eu não sei. Precisamos investigar. Eu não sei nem se meu nome foi interceptado", disse.

 

Sobre os motivos que teriam levado o promotor de Justiça a supostamente agir de tal forma, o governador disse não poder fazer qualquer avaliação.

 

“Se foi vingança ou outro motivo, não me cabe analisar isso. Quem vai analisa caso de vingança é psiquiatra. Se a pessoa está chateada, não me cabe aquilatar”.           

 

Defesa à honra

 

Durante a entrevista coletiva, Taques explicou ainda que exonerou o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, para que este o defenda junto à PGR, por conta da denúncia feita por Zaque.

 

"Quanto ao doutor Paulo Taques, que é meu advogado, eu o exonerei a pedido, ontem, para que ele faça a minha defesa do único patrimônio que eu tenho, que é a minha honra", disse.

 

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joaoderondonopolis  12.05.17 22h37
Não governador, quem vai investigar é o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, só assim tem credibilidade a investigação.
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