19.05.2024 | 08h:12

NO QUINTAL DE CASA


Ex-doméstica realiza sonho e faz sucesso com restaurante

Há 30 anos Soelma Aparecida da Silva veio a Cuiabá visitar a avó e nunca mais foi embora

Mônica Carvalho / Emporio da foto

Soelma da Silva, proprietária do restaurante Quintal do Boa

Quando embarcou em uma viagem para Cuiabá há cerca de 30 anos, a goiana Soelma Aparecida da Silva, conhecida como Sol, planejava ver a avó e ir embora em cerca de 15 dias. Mas o destino lhe reservava outros planos.

 

Passados 30 anos, o que era temporário virou definitivo e ela continua morando na Capital. E empreendendo. Hoje o quintal de sua casa virou fonte de renda e, do tempero plantado, ela fez brotar o seu diferencial, ao abrir embaixo de uma de suas árvores, o restaurante Quintal do Boa, no bairro Boa Esperança. 

 

Eu trabalhava como doméstica, fazia faxina para juntar dinheiro e transformar o quintal do Boa no que ele é hoje

O restaurante foi aberto há 10 anos, nascido de um sonho antigo de Sol. Após trabalhar capinando lotes e atuar durante 20 anos como empregada doméstica, a mulher, nascida em Mineiros (GO), decidiu que era hora de colocar os planos em prática e vender suas primeiras marmitas de comida caseira.

 

“Sempre gostei muito de cozinhar. Então, falei: por que não ganhar dinheiro com isso? Já tinha o sonho de montar um negócio, mas não é fácil montar um restaurante. Eu trabalhava como doméstica, fazia faxina para juntar dinheiro e transformar o Quintal do Boa no que ele é hoje”, declara Sol. 

 

Dezessete por cento das mulheres empreendedoras de Mato Grosso precisam lidar com a dupla jornada de trabalho, segundo a pesquisa Empreendimento Feminino em Mato Grosso, divulgada pelo Sebrae em 2024. Para Sol essa realidade não foi muito diferente. Mãe solo de quatro filhos, o início do empreendimento foi complexo, tendo que se dividir entre dois trabalhos, além dos cuidados com a casa.

 

“Continuo com muito orgulho da nossa classe, de empregada doméstica. Todas são muito guerreiras. Na época eu trabalhava em dobro. Trabalhava de segunda a sexta lá [na casa do antigo patrão] e sábado, domingo e feriados abria aqui [o restaurante]”.

 

Com mais de três décadas na Capital, Sol se considera cuiabana de coração. No restaurante os pratos inspirados na regionalidade e feitos com temperos 100% naturais fazem sucesso. 

 

Todos os dias no restaurante tem maria isabel, estrogonofe de pintado, sua especialidade, entre outros pratos. Mas nos primeiros dias como cozinheira, seus almoços eram marcados pelas galinhadas, já que o restaurante começou os trabalhos com apenas 5kg de arroz, um frango e 1kg de costelinhas de porco. 

 

Em passos pequenos e com uma panela grande, ela foi em direção a seu público fiel que persiste até hoje nas mesas de plástico dispostas no fundo de seu quintal.

A gente não tinha carro e aí nós saímos a pé com a panela na rua para entregar

“Costumo brincar que a gente lançou serviço de pé delivery. A gente não tinha carro e saímos a pé com a panela na rua para entregar”, recorda Sol.  

 

O delivery, que começou de maneira simples, hoje é um dos pontos fortes do restaurante. Com abertura do espaço para comer no local apenas aos sábados e domingos, o administrador do estabelecimento e filho de Sol, Eric Silva, conta que atrair o público para os aplicativos de delivery foi um dos grandes diferenciais, principalmente no período de pandemia, quando o comércio fechou as portas. 

 

“As dificuldades apareceram no início para consolidarmos nosso nome. Tivemos que persistir na pandemia, principalmente por ter que fechar a casa. Como crescemos no boca a boca, porque não tínhamos redes sociais como agora, a gente chegava a ficar online nas plataformas até duas da manhã para tentar achar clientes. Então, abrimos a loja às 9h da manhã e fechávamos às 2h da madrugada”, declara Eric. 

 

Apesar de manter o restaurante aberto por 17 horas diariamente, as entregas começaram tímidas - a produção de cinco marmitas já era motivo de celebração na casa. 

 

“Quando a gente começou a abrir, a nossa meta era vender, na época da pandemia, cinco iFoods por dia. Quando chegava em cinco, a gente pulava de alegria. Eu falava: mãe, batemos nossa meta! A gente começou solidificando ali a base para ter essa realidade de hoje. Atualmente recebemos em torno de 1,5 mil motoboys por mês no restaurante”, orgulha-se Eric. 

 

Com 12 colaboradores na equipe atual, o Quintal do Boa continua a crescer e os planos já começaram a ser traçados pelos empreendedores, que visam alcançar o público também em Chapada dos Guimarães. Mas sem deixar de lado o conceito de casa de vó, com o cantinho do caldo à vontade e repleto de plantas no quintal, já que este é o maior orgulho da empresária. 

 

“Hoje eu tenho orgulho de cada detalhe aqui, de cada planta no quintal. Eu molho elas, eu converso, eu agradeço por elas embelezarem o espaço que todo mundo gosta. Tenho orgulho de ter uma equipe muito boa, porque sem essas pessoas não iria dar tão certo”

 

Conforme o Sebrae-MT, para 39% das mulheres donas de negócio, a concorrência é a maior barreira a ser enfrentada, mas Sol não vê problemas em competir com outros restaurantes na região.

 

“Eu sonho em abrir outra loja, um outro Quintal do Boa com o mesmo nível desse. Penso em Chapada, mas fica um pouco longe, então talvez eu abra primeiro aqui em outro bairro. Mas eu vejo que Chapada tem muitos turistas. Lá já tem lugares ótimos, mas porque não levar mais um? Tem espaço para todos”.

 


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