Uma descida do quarto para encontrar um familiar, se sentar com o empresário ou mesmo relaxar. Os lobbies dos hotéis são os espaços de mais fácil acesso a atletas e treinadores das seleções e, por isso, tratados pela Interpol (organização internacional que atua em cooperação com polícias de diversos países) como as áreas mais vulneráveis para tentativas de manipulação de jogos nesta Copa do Mundo.
Eles contam com uma atenção especial da instituição na blindagem a membros das delegações para evitar a abordagem de estranhos. Um acordo com a Fifa permite que dois delegados da Polícia Federal acompanhem permanentemente cada passo dos países.
Eles dormem, viajam e jantam com todo o time.
Não existe, ainda assim, qualquer denúncia ou investigação em andamento sobre possíveis casos no Brasil.
"Não temos uma situação concreta, mas é claro que a preocupação sempre existe. Esses delegados ficam colados no elenco como parte dessa estratégia. A conclusão que tiramos a partir do conhecimento que temos é de que essas áreas públicas dos hotéis são os pontos mais vulneráveis para essas sondagens", explica Luiz Eduardo Navajas, delegado da Polícia Federal e coordenador da Interpol no Brasil, ao ESPN.com.br.
"Às vezes, vamos supor, o dirigente de uma federação vai até o bar para beber um uísque e outra pessoa suspeita se aproxima. Por esse motivo, fizemos essa articulação para que contássemos sempre com profissionais capacitados e que falassem o idioma do país nesses locais", completa.
Antes do pontapé inicial da Copa, o chefe de segurança da Fifa e ex-funcionário da própria Interpol, Ralf Mutschke, chegou a afirmar que alguns árbitros e jogadores foram procurados por pessoas interessadas em manipular resultado de partidas.
O isolamento das equipes nos hotéis com horários restritos para visitas e corredores de quartos exclusivos dificulta, de qualquer forma, uma eventual oferta.
No início do mês, uma agente inglesa e outro sul-africano vieram até o Centro de Cooperação Policial Internacional, estrutura de segurança situada em Brasília, para conceder um treinamento aos 280 representantes das 32 seleções que trabalham no local sobre como coibir possíveis casos durante o Mundial.
A passagem de três dias dos profissionais gerou controvérsia depois de entrevista do secretário geral da Interpol, Ronaldo Noble, à emissora CNN e um mal-entendido sobre o objetivo da visita dos representantes da organização no Brasil.
Ao todo, são até sete policiais de cada país da Copa atuando no Brasil - três deles permanentemente em Brasília e os demais se deslocando com os torcedores e as seleções. Esses últimos retornam para casa na medida em que suas equipes são eliminadas da competição.