O advogado Sebastião Carlos de Araújo Prado, apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito pela morte da estudante Eiko Uemura, em função de um relacionamento amoroso que teve com a jovem, falou pela primeira vez após o episódio, acontecido em abril de 2009.
O corpo de Eiko foi encontrado no Portão do Inferno, um precipício de cerca de 30 metros, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, a 40 km de Cuiabá. Ontem, o MPE contrariou os laudos do IML, apontou a tese do suicídio e pediu o arquivamento do caso.
Durante quase dois anos de investigações pela Polícia Civil, Prado teve sua vida exposta e ficou nos holofotes, sendo acusado de um crime envolto em mistérios e com várias revelações. Por três vezes, ele teve o pedido de prisão negado pela Justiça de Chapada dos Guimarães, devido à falta de provas concretas.
Ao MidiaNews, ontem, Prado afirmou que recebeu com alívio o parecer do Ministério Público Estadual, que pediu o arquivamento do inquérito que investigou o caso, por entender que se trata de suicídio, e não homicídio como revelou a Polícia Civil.
"Sempre tive a certeza de que o caminho da Justiça seria esse, pois jamais deixei de contribuir com as investigações. E, principalmente, tinha plena convicção da minha inocência e dos meus atos, e que, de nenhuma forma, poderia ser abruptamente ligado a um crime, outrora já esclarecido como suicídio. Hoje, com os fatos analisados com destemor por um verdadeiro promotor de Justiça, fico tranqüilo de que injustiças não mais ocorrerão neste caso", afirmou o advogado.
Prado afirmou que, durante as investigações, enfrentou tudo de cabeça erguida, pois tinha convicção de sua inocência. "Foi bastante difícil... A princípio, não conseguia acreditar que isso estava acontecendo comigo - sendo investigado por um crime e, principalmente desta natureza. Mas, munido pela fé do Deus que eu sirvo e minhas próprias convicções, enfrentei tudo de cabeça erguida. Afinal, quem melhor, senão eu eu mesmo, para saber da minha inocência?", disse o advogado.
Questionado se houve má-fé por parte do delegado responsável pelas investigações, Márcio Pieroni, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que, por três vezes, pediu a sua prisão, Sebastião Prado afirmou que prefere não acreditar nisso. Ele lembrou que nunca foi ouvido no inquérito comandado por Pieroni.
"Se houve má-fé, eu não sei, até mesmo porque eu nunca tive contato com este delegado, que sequer me chamou para ser ouvido no inquérito do qual foi titular. Eu prefiro acreditar que ele se equivocou, apesar de ter que fazer muito esforço para crer nisso. Portanto, deixo nas mãos de Deus. Não serei hipócrita de julgar alguém com a mesma medida em que fui julgado", destacou.
Ao finalizar, o advogado afirmou que a única coisa que deseja, daqui pra frente é "trabalhar e viver em paz, esquecer desta experiência e jamais vivenciar outras".
Operação Tabajara
O advogado de Prado, Ulisses Rabaneda, afirmou, por meio de nota, que as investigações resultaram em uma "Operação Tabajara", que teve como suporte "e-mails anônimos enviados a um programa de televisão" e que teve seu conteúdo valorado como verdade absoluta por quem, segundo ele, deveria observar o Art. 5° IV da Constituição Federal".
Confira a nota na íntegra:
"A defesa de Sebastião Carlos Araújo Prado, ante a promoção de arquivamento do inquérito policial que apura a morte da estudante Eiko Naiara Uemura, requerida pelo Ministério Público Estadual, manifesta-se da seguinte forma:
1. Foram aproximadamente 2 (dois) anos de investigação sobre a morte da estudante, para se concluir o óbvio, ou seja, de que o investigado Sebastião Carlos A. Prado não teve qualquer participação na tragédia;
2. Ao longo deste período, o Sr. Sebastião Carlos sempre contribuiu com os atos policiais, porém, mesmo assim agindo, teve seu telefone grampeado por mais de um ano, sendo devassada toda sua intimidade e da sua família, teve requerida sua prisão por 3 vezes, teve seus bens apreendidos para perícia, tinha seus passos seguidos de perto pela polícia, teve seu direito de defesa violado (salvo a tempo por uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal), ou seja, passou por todos os dissabores de uma investigação que se prolongou de maneira desnecessária;
3. Diz-se prolongação desnecessária porque já no primeiro laudo pericial se concluía pela inexistência de crime, sendo que tudo o que foi produzido no inquérito policial, mesmo quando ainda tramitava em Chapada dos Guimarães, reafirmava isso, ocasião em que o delegado atuante naquela cidade assegurou que iria pedir o arquivamento dos autos, que só não se deu ante a exumação do cadáver e a confecção de um equivocado laudo, mesmo já passados 31 dias do fato;
4. Portanto, dinheiro Público foi mal gasto com perícias, viagens, diárias, tudo para serem amealhadas mais de mil páginas em uma investigação que serviu apenas para arruinar a imagem de pessoas inocentes, em uma verdadeira "operação tabajara", que teve como suporte e-mails anônimos enviados a um programa de televisão e que teve seu conteúdo valorado como verdade absoluta por quem deveria observar o Art. 5° IV da Constituição Federal;
5. A conclusão do i. Promotor de Chapada dos Guimarães, colocada em consistente e juridicamente irrepreensível parecer, apenas demonstra tudo isso, sendo que a defesa reafirma que sempre acreditou na Justiça e no Ministério Público, que atuaram de forma independente e imparcial, fruto de um regime democrático conquistado com tanto sacrifício.
Ulisses Rabaneda
Advogado"
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1 Comentário(s).
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| Paulo Roberto GB Filho 12.01.11 19h13 | ||||
| Poxa Dr. Carlos Sebastião, que mais prefiro chama-lo de nobre causidico "Carlinhos", fico feliz com esta notícia, pois conheço vc a muito tempo e pelo que te conheço sempre tiveA comigo que vc jamais seria capaz de tamanha barbari, existe uma passagem biblica que diz que A VERDADE VOS LIBERTARA, e foi justamente o que esta acontecendo, a verdade prevalecendo mais uma vez, que Deus te abençoe e certamente com sua perseverança certamente resgarará sua imagem perante toda a sociedade, caracteristica essa que sempre admirei em vc. Abraços meus e de minha família. | ||||
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