THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO
Mesmo “escondida” entre duas grandes avenidas de Cuiabá – a Getúlio Vargas e a Isaac Póvoas -, a Rua 24 de Outubro, conhecida como a eterna “Rua do Poder”, no bairro Popular, não passa despercebida pelos cuiabanos e turistas que chegam na Capital.

"A Rua 24 de Outubro é conhecida em todo o país; quem chega a Cuiabá, sabe que não pode sair da cidade sem conhecer a via"
A via estreita e perpendicular é um dos principais pontos turísticos da cidade, pois concentra em um só local as histórias, casarões antigos e armazéns tradicionais com construções modernas, estabelecimentos comerciais, gastronômicos e artesanais, que fomentam a cultura local e divulgam os trabalhos de artistas regionais.
“A Rua 24 de Outubro é conhecida em todo o país. Quem chega a Cuiabá sabe que não pode sair da cidade sem conhecer a via”, afirmou Creuza Medeiros, proprietária do Armazém da Creuza.
A empresária é considerada a divulgadora oficial da Rua 24 de Outubro.
“Eu amo a Rua 24 de Outubro e acredito no seu potencial. Fico muito orgulhosa de ver, cada vez mais, gente chegando aqui. É lugar que não tem como deixar de visitar, pois a história está mantida e convive em harmonia com o comércio atual”, disse.
“A rua está proporcionando os melhores anos da minha vida e, sem dúvidas, não pretendo sair daqui”, completou.
Assim como Creuza, outros comerciantes se dizem "apaixonados" pela rua e não pretendem se desvincular do local.
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Bruno Cidade/MidiaNews
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Creuza Medeiros fala do orgulho que tem pela Rua 24 de Outubro
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É o caso de Jaine Roque, proprietária do Sweet Teacher, e de Cinthia Lima e Castilho Oliveira, donos do Habañero Hamburgueria.
“A rua é muito próspera, já tinha uma credibilidade por conta da história e agora pela arte, o artesanato e a gastronomia. Então, eu acredito no futuro da via e espero não sair daqui”, afirmou Castilho.
Apesar do seu grande potencial, a Rua 24 de Outubro sofre com a ausência do poder público.
De acordo com os comerciantes, não há segurança e iluminação na via, a pavimentação está desgastada e as calçadas destruídas.
Conforme Cinthia, do Habañero, a falta de policiamento afeta o faturamento dos estabelecimentos, alguns dos quais estão fechando as portas mais cedo para não correrem o riscos de ser assaltados, além de comprometer a segurança dos clientes.

"A Prefeitura precisa olhar com bons olhos e investir na Rua 24 de Outubro, porque nós, comerciantes, já investimos na via, mas, infelizmente, o poder público não faz o mesmo"
“A Prefeitura precisa olhar com bons olhos e investir na Rua 24 de Outubro, porque nós, comerciantes, já investimos na via, mas,
infelizmente, o poder público não faz o mesmo”, afirmou.
A história De acordo com historiador Aníbal Alencastro, a Rua recebeu o nome de 24 de Outubro em homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas, que, nessa data, em 1930, assumiu o comando do país, por meio de um golpe militar.
Conforme o historiador, antigamente a rua era chamada de Lava Pés, em memória aos garimpeiros que chegavam da Estrada da Guia e, antes de entrar na cidade, lavavam os pés na antiga Praça das Mãos dos Homens, hoje, Praça Clóvis Cardoso.
Conforme Alencastro, o crescimento da cidade melhorou os aspectos urbanísticos da Rua 24 de Outubro, que antes não tinha asfalto e saneamento básico, como esgoto e água tratada.
Essa mudança, segundo o historiador, fez com que o local deixasse de ser um reduto residencial para abrigar os comércios.
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Bruno Cidade/MidiaNews
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Ronaldo Rodrigues, proprietário da Casa das Molduras
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“Quando Cuiabá começou a ter essa expansão imobiliária, as famílias da Rua 24 de Outubrp começaram a migrar para outros locais. Hoje, são poucos os que permanecem na via. E então, os casarões começaram a dar lugar a esses comércios”, afirmou.
Para a Alencastro, a rua começou a se transformar em um referencial cultural, artístico e turístico a partir da abertura da Casa das Molduras, há 30 anos.
O local reúne o serviço que dá o nome ao estabelecimento à comercialização e exposição de trabalhos de artistas plásticos de renome entre os cuiabanos, como Jonas Barros – que mora ao lado do referido comércio.
Um dos proprietários da Casa das Molduras, Ronaldo Rodrigues, acredita que dar um espaço aos artistas regionais para a exposição de suas obras, bem como fomentar a comercialização – aliada ao carro-chefe da casa, que são as molduras -, fez com que o local passasse a ser atrair pessoas de todos os cantos.
“Desde o primeiro ano, trabalhamos com os artistas plásticos. Acredito que o que fez com que a rua se tornasse o que é hoje é a sua localização, além do empenho de todos os moradores e comerciantes em preservar a história, a cultura cuiabana”, disse.
PersonagensDona Maria Natividade, 72 anos, e o Seu Deudato Aquino da Silva, 70 anos, viram de perto a mudança da Rua 24 de Outubro.
Eles moram na rua desde que nasceram e afirmam que as mudanças trouxeram melhorias, mas também prejuízos.
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Bruno Cidade/MidiaNews
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Seu Deodato passa o fim da tarde sentando na porta de casa, na Rua 24 de Outubro
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“Antigamente, a gente podia dormir de janelas abertas. Hoje, isso não é possível porque não temos mais segurança. Mas, agora, contamos com asfalto, esgoto e água, o que não tínhamos antes”, disse Deudato.
Já Dona Maria contou que sente saudades das serenatas que os homens faziam para conquistar as mulheres, na Rua 24 de Outubro.
“Era muito bonito, hoje ninguém faz isso, né”, afirmou.
Outros personagens que fazem parte da história da Rua 24 de Outubro são o atual governador Pedro Taques; o desembargador Mauro José Pereira; o artista Liu Arruda (um dos ícones da cultura mato-grossense, já falecido); o historiador Virgílio Corrêa e o advogado Elarmin Miranda.
Também tiveram suas vidas e histórias marcadas pela famosa rua o professor Ranulpho Paes de Barros (pai do jornalista e político Antero Paes de Barros), o ex-governador e ex-prefeito de Cuiabá, Frederico Campos; os ex-governadores Júlio e Jaime Campos. o ex-senador Benedito Canellas; o ex-prefeito de Cuiabá, Roberto França; o ex-prefeito de Várzea Grande, Júlio Domingos de Campos, "Seo Fiote" e o ex-deputado estadual Zanete Cardinal.