Gildo José de Oliveira
Um homem em uma cadeira de rodas surge em meio ao semáforo fechado da avenida Getúlio Vargas, no cruzamento com a avenida São Sebastião, em Cuiabá. Com as pernas inchadas e feridas, ele passa pelos veículos e pede dinheiro.
Entre motoristas que abrem a janela do carro e outros que ignoram o apelo, o cadeirante volta para a calçada da avenida quando a luz verde do semáforo acende.
Muitas vezes, quando o sinal se abre, os carros avançam e passam perto da cadeira de rodas. Alguns buzinam e até xingam o cadeirante.
Arredio ao repórter, o homem se identifica como Gildo José de Oliveira e diz ter 45 anos. Ele conta que foi morar na rua após ser baleado e atropelado duas vezes.
Antes do acidente, Gildo trabalhava como marceneiro, em Curitiba (PR). O cadeirante está na avenida Getúlio Vargas há cinco meses.
Os pedidos que faz aos motoristas se restringem à ajuda financeira. O cadeirante explica que não gosta de "ajuda espiritual" ou “lição de moral”, pois acredita que somente o dinheiro poderá trazer algum tipo de benefício direto e imediato.
“Eu quero receber ajuda em dinheiro, pois oração não é algo que vai me alimentar ou me dar uma casa. Eu gostaria também de ter uma moradia, pois não gosto de ficar na rua”, diz.

As moedas e notas que recebe na avenida somam, em média, R$ 40 por dia. O dinheiro, ele gasta para se alimentar e com necessidades básicas.
“Ninguém é obrigado a me dar nada. Eu apenas peço que me ajudem e, quem se interessa, me dá alguma coisa”.
O homem explica que é separado e tem três filhas, que moram em Cuiabá. Porém, ele não costuma manter contato frequente com elas e prefere se manter afastado.
“Não moro com elas porque não gosto de incomodar. Eu vou à casa delas às vezes, para fazer visitas”, diz.
Segundo pessoas que trabalham na região, o cadeirante dorme nas imediações da Praça Santos Dumont.
Casa de apoio
Gildo conta que nunca se interessou em participar de projetos sociais que auxiliam moradores de rua.
“Esses projetos e essas casas de apoio são como uma prisão. Nesses lugares, as pessoas são obrigadas a trabalhar para eles, que ficam com todo o dinheiro. Prefiro ter a minha liberdade, mesmo que seja na rua”, explica.
“Gostaria muito de ganhar uma casa, pois seria a melhor forma de eu ter a minha independência. Quero um cantinho para morar”.
Ele conta que é aposentado por invalidez e recebe um salário mínimo, porém, está há meses sem receber o valor, pois perdeu seus documentos pessoais.
“Eu não tenho mais como retirar o meu dinheiro no banco, desde perdi todos os meus documentos”, lamenta.
Marcus Mesquita/MidiaNews
Gildo contou que tem 45 anos e trabalhava como marceneiro
Ele diz que está há anos sem fazer consultas. “Não preciso de ajuda médica, não”, limita-se a dizer.
Perguntado se usa algum tipo de droga, Gildo se recusa a responder e abandona a entrevista.
Perigo
Um comerciante, que pediu para não ser identificado, diz que a presença de Gildo não atrapalha o fluxo na avenida, mas que a permanência do cadeirante no sinal é arriscada.
“Ele está em uma situação perigosa, pois nem sempre consegue sair da rua quando o sinal fecha. Os carros podem acabar atropelando ele a qualquer momento”, alerta.
O comerciante afirma que o cadeirante não gosta de ser empurrado e "fica revoltado" quando acontece uma situação em que alguém conduz sua cadeira de rodas.
“Um dia desses um ônibus quase imprensou ele, mas, por sorte, um rapaz parou e foi ajudá-lo. Mas ele não gostou quando o moço empurrou a cadeira de rodas. O Gildo até brigou com o rapaz”.
Projetos sociais
A Prefeitura de Cuiabá informa que possui um centro de referência especializado em assistência social para atender moradores de rua.
Uma equipe de assistência faz as abordagens e oferece uma vaga em alguma unidade de apoio, para que a pessoa possa se restabelecer e, futuramente, retornar em melhores condições à sociedade.
As medidas, porém, só podem ser realizadas quando a pessoa se dispõe a abandonar as ruas e ir para um abrigo.
Conforme a Prefeitura, medidas compulsórias para a retirada de pessoas das ruas só são adotadas em caso de solicitação da família à Justiça.
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20 Comentário(s).
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| Nina 19.01.16 16h53 | ||||
| 40 reais por dia. Ou seja: R$ 1.200 reais por mês livre de impostos. Ganha muito mais do que muito trabalhador de carteira assinada. Pergunta se ele quer trabalhar. | ||||
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| Angela 19.01.16 10h32 | ||||
| Já passei N vezes pela Getúlio Vargas em plena 17:30 e esse cadeirante fumava crack,sem nenhum pudor. | ||||
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| Maria 19.01.16 09h34 | ||||
| Enquanto outros estão na mordomia com os dinheiros desviados que atenderia essas pessoas. e se dizem cristãos. | ||||
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| marcio mitú 19.01.16 09h31 | ||||
| Arrisca porque tem quem incentiva esta pratica. contribuindo ainda mais com esta falsa caridade. se quiser ajudar mesmo coloque numa clinica. sou contra dar este tipo de ajuda. | ||||
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| saraiva 19.01.16 08h45 | ||||
| Parece que existe um outro nas mesmas condições ali no semáforo em frente o atacadão do porto,nas imediações do shopping dos camelôs e de uma unidade de convivência de idosos-CCI-prefeitura).Pelo visto gostam mesmo é de ficar nas ruas.Sugeria uma visita a esse lá do atacadão e acompanhar o seu comportamento e suas companhias...Isso não deveria continuar. | ||||
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