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COTIDIANO
18.01.2016 | 15h50 Tamanho do texto A- A+

Cadeirante se arrisca ao pedir esmola na Getúlio Vargas

Homem conta que tem 45 anos, recebe média de R$ 40,00 por dia e recusa assitência social

Marcus Mesquita/MidiaNews

Gildo é separado e disse que tem três filhas, que moram em Cuiabá

Gildo é separado e disse que tem três filhas, que moram em Cuiabá

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

Um homem em uma cadeira de rodas surge em meio ao semáforo fechado da avenida Getúlio Vargas, no cruzamento com a avenida São Sebastião, em Cuiabá. Com as pernas inchadas e feridas, ele passa pelos veículos e pede dinheiro.

 

Entre motoristas que abrem a janela do carro e outros que ignoram o apelo, o cadeirante volta para a calçada da avenida quando a luz verde do semáforo acende.

 

Muitas vezes, quando o sinal se abre, os carros avançam e passam perto da cadeira de rodas. Alguns buzinam e até xingam o cadeirante.

 

Arredio ao repórter, o homem se identifica como Gildo José de Oliveira e diz ter 45 anos. Ele conta que foi morar na rua após ser baleado e atropelado duas vezes.

 

Antes do acidente, Gildo trabalhava como marceneiro, em Curitiba (PR). O cadeirante está na avenida Getúlio Vargas há cinco meses.

 

Os pedidos que faz aos motoristas se restringem à ajuda financeira. O cadeirante explica que não gosta de "ajuda espiritual" ou “lição de moral”, pois acredita que somente o dinheiro poderá trazer algum tipo de benefício direto e imediato.

 

“Eu quero receber ajuda em dinheiro, pois oração não é algo que vai me alimentar ou me dar uma casa. Eu gostaria também de ter uma moradia, pois não gosto de ficar na rua”, diz.

 

Eu quero receber ajuda em dinheiro, pois oração não é algo que vai me alimentar ou me dar uma casa

As moedas e notas que recebe na avenida somam, em média, R$ 40 por dia. O dinheiro, ele gasta para se alimentar e com necessidades básicas.

 

“Ninguém é obrigado a me dar nada. Eu apenas peço que me ajudem e, quem se interessa, me dá alguma coisa”.

 

O homem explica que é separado e tem três filhas, que moram em Cuiabá. Porém, ele não costuma manter contato frequente com elas e prefere se manter afastado.

 

“Não moro com elas porque não gosto de incomodar. Eu vou à casa delas às vezes, para fazer visitas”, diz.

 

Segundo pessoas que trabalham na região, o cadeirante dorme nas imediações da Praça Santos Dumont.

 

Casa de apoio

 

Gildo conta que nunca se interessou em participar de projetos sociais que auxiliam moradores de rua.

 

“Esses projetos e essas casas de apoio são como uma prisão. Nesses lugares, as pessoas são obrigadas a trabalhar para eles, que ficam com todo o dinheiro. Prefiro ter a minha liberdade, mesmo que seja na rua”, explica.

 

“Gostaria muito de ganhar uma casa, pois seria a melhor forma de eu ter a minha independência. Quero um cantinho para morar”.

 

Ele conta que é aposentado por invalidez e recebe um salário mínimo, porém, está há meses sem receber o valor, pois perdeu seus documentos pessoais.

 

“Eu não tenho mais como retirar o meu dinheiro no banco, desde perdi todos os meus documentos”, lamenta.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

Gildo José de Oliveira

Gildo contou que tem 45 anos e trabalhava como marceneiro

Ele diz que está há anos sem fazer consultas. “Não preciso de ajuda médica, não”, limita-se a dizer.

 

Perguntado se usa algum tipo de droga, Gildo se recusa a responder e abandona a entrevista.

 

Perigo

 

Um comerciante, que pediu para não ser identificado, diz que a presença de Gildo não atrapalha o fluxo na avenida, mas que a permanência do cadeirante no sinal é arriscada.

 

“Ele está em uma situação perigosa, pois nem sempre consegue sair da rua quando o sinal fecha. Os carros podem acabar atropelando ele a qualquer momento”, alerta.

 

O comerciante afirma que o cadeirante não gosta de ser empurrado e "fica revoltado" quando acontece uma situação em que alguém conduz sua cadeira de rodas.

 

“Um dia desses um ônibus quase imprensou ele, mas, por sorte, um rapaz parou e foi ajudá-lo. Mas ele não gostou quando o moço empurrou a cadeira de rodas. O Gildo até brigou com o rapaz”.

 

Projetos sociais

 

A Prefeitura de Cuiabá informa que possui um centro de referência especializado em assistência social para atender moradores de rua.

 

Uma equipe de assistência faz as abordagens e oferece uma vaga em alguma unidade de apoio, para que a pessoa possa se restabelecer e, futuramente, retornar em melhores condições à sociedade.

 

As medidas, porém, só podem ser realizadas quando a pessoa se dispõe a abandonar as ruas e ir para um abrigo.

 

Conforme a Prefeitura, medidas compulsórias para a retirada de pessoas das ruas só são adotadas em caso de solicitação da família à Justiça.  

 

 

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Gildo José de Oliveira

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Gildo José de Oliveira

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Gildo José de Oliveira

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Gildo José de Oliveira

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COMENTÁRIOS
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Nina  19.01.16 16h53
40 reais por dia. Ou seja: R$ 1.200 reais por mês livre de impostos. Ganha muito mais do que muito trabalhador de carteira assinada. Pergunta se ele quer trabalhar.
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Angela  19.01.16 10h32
Já passei N vezes pela Getúlio Vargas em plena 17:30 e esse cadeirante fumava crack,sem nenhum pudor.
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Maria  19.01.16 09h34
Enquanto outros estão na mordomia com os dinheiros desviados que atenderia essas pessoas. e se dizem cristãos.
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marcio mitú  19.01.16 09h31
Arrisca porque tem quem incentiva esta pratica. contribuindo ainda mais com esta falsa caridade. se quiser ajudar mesmo coloque numa clinica. sou contra dar este tipo de ajuda.
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saraiva  19.01.16 08h45
Parece que existe um outro nas mesmas condições ali no semáforo em frente o atacadão do porto,nas imediações do shopping dos camelôs e de uma unidade de convivência de idosos-CCI-prefeitura).Pelo visto gostam mesmo é de ficar nas ruas.Sugeria uma visita a esse lá do atacadão e acompanhar o seu comportamento e suas companhias...Isso não deveria continuar.
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