Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
MEMÓRIA DESTRUÍDA
14.03.2022 | 08h57 Tamanho do texto A- A+

Casarão histórico desaba após fortes chuvas em Cuiabá; veja

MidiaNews já havia alertado sobre os riscos em 2019; construção era do século XVIII

MidiaNews

O casarão que pertenceu à família Cuiabano caiu neste domingo (13)

O casarão que pertenceu à família Cuiabano caiu neste domingo (13)

VITÓRIA GOMES
DA REDAÇÃO

O tradicional casarão que pertenceu ao fazendeiro Manoel Pereira Cuiabano, e que foi lar de Jejé de Oyá, desabou neste domingo (13) após as fortes chuvas que caíram em Cuiabá.

 

O imóvel, localizado atrás Paróquia Nossa Senhora da Boa Morte, já apresentava risco de desmoronar desde 2019. À época o MidiaNews chegou a noticiar as condições do casarão, que fica no Centro Histórico de Cuiabá.

 

Na última visita feita pela reportagem, a casa estava com enormes rachaduras externas, internas e parte do telhado já havia desabado.

 

Já na tarde de ontem, uma forte chuva atingiu a Baixada Cuiabana no início da tarde. Além de alagar pontos da cidade, a enxurrada enfraqueceu ainda mais a estrutura fragilizada, que desabou.

 

“O casarão da família Cuiabano, atrás igreja da Boa Morte desabou, está no chão, já era esperado”, anunciou um morador da região.

 

Os destroços do que sobrou do casarão se espalharam pela calçada e nas ruas do Centro Histórico. Não houve feridos.

 

A situação do casarão reflete o de outras tantas construções históricas que estão em situação de abandono.

 

O imóvel agora se junta a outras estruturas que se perderam por causa das chuvas, como a Casa de Bem Bem, construída em 1850, localizada na Rua Barão de Melgaço, que caiu em dezembro de 2017, e a Gráfica Pêpe, construída no século XIX e que desmoronou em 2019.

 

Imóvel histórico

 

Apesar de não ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o casarão carrega as memórias da cidade em suas paredes.

 

Segundo o fundador do grupo do Facebook “Cuiabá de Antigamente”, Francisco Chagas, a casa foi construída no século XVIII pelo fazendeiro Manoel Cuiabano, uma importante personalidade para a economia e comportamentos de Mato Grosso.

  

“Ele foi fazendeiro e dono de lojas. Fazia parte de um grupo de livre pensadores, pessoas que se colocavam contra a Igreja Católica, e até chegou a ser excomungado pelo bispo”, afirma.

 

Seu Maneco, como era conhecido popularmente, também mantinham uma amizade próxima com o presidente Eurico Gaspar Dutra.

 

“Ele era amigo do Marechal Dutra, que quando veio a Cuiabá como presidente da República, visitou o velho amigo nesse casarão”, relata Chagas.

 

A casa também foi o local de criação do colunista social Jejé de Oyá, falecido em janeiro de 2016. De acordo com Francisco, a mãe de Jejé era empregada doméstica da família Cuiabano.

 

O colunista nasceu na fazenda de Manoel, em Rosário Oeste, e foi trazido para Cuiabá ainda pequeno. Ele cresceu morando nos fundos do imóvel histórico. 

 

Leia mais:

 

Com rachaduras, lar onde cresceu Jejé de Oyá pode desabar

 

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Casarão Família Cuiabano

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Casarão Família Cuiabano

Victor Ostetti/MidiaNews

Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves

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Casarão histórico danificado na Rua Batista das Neves




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COMENTÁRIOS
9 Comentário(s).

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MARCOS GOMES  15.03.22 08h52
Triste por parte da história cuiabana ir a chão, mas se ele não era tombado pelo IPHAN, então a responsabilidade era dos proprietários, que se não tinham condições financeiras para reforma, que então vendesse o imóvel. O fato que ninguém quer falar é que o governo não tem responsabilidade com algo que não é dele.. agora, se vcs querem manter o que resta ainda da história Cuiabana nos casarões, comecem a fazer algo de verdade que não seja só ir na internet e falar abobrinhas…
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Marcelo Rodrigo  14.03.22 23h28
Como é comum em Cuiabá agora já podem construir uma sala comercial e alugar ou virar um estacionamento, é assim que funciona, o que vale é dinheiro para esse povo forasteiro, dane-se a história de Cuiabá, para eles a história e sinônimo de povo preguiçoso, para que lembrar não é?
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jose ricardo  14.03.22 18h04
Uma "salva de palmas" para as famílias tradicionais de Cuiabá. Não conseguem manter um imóvel sem uma ajudinha do governo.
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Pedro  14.03.22 16h05
Existe três coordenadoria de patrimônio na capital , a estadual , a municipal e a federal. Hoje não existe mais fiscalização, historiadores é só na teórica , não tem a prática. Infelizmente, se não parar de chover, vamos perder mais imóveis do século passado, é só olhar pra cima que muitos estão cheio de rachaduras. Não demora para o próximo ser o Palácio da Instrução.
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Jussara oliveira  14.03.22 15h43
LiterAlmente tombada. Essas casas velhas não tem nenhuma serventia. A cidade deve ter a feição do tempo. Patrimônio histórico deve se restringir a fotos e registros expostos em Museus. Cuiabá merece uma revitalização progressista.
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