Cuiabá, Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019
SEM AGROTÓXICO
11.02.2019 | 16h54 Tamanho do texto A- A+

Índios cultivam soja sem agrotóxico em 2,2 mil hectares em MT

Mais de 17 mil hectares são destinados ao plantio de grãos

Reprodução

Grãos colhidos na região são destinados às multinacionais para exportação

DO G1

Os índios das etnias Manoki, Nambiquara e Paresi realizam a colheita de 2,2 mil hectares de soja convencional, em Campo Novo do Parecis, a 397 km de Cuiabá. Eles desenvolvem a agricultura nas terras indígenas há 15 anos e mais de 17 mil hectares são destinados ao plantio de grãos.

 

De acordo com o presidente da cooperativa indígena, Ronaldo Zokezomaiake, 95% do tratamento dos grãos são feitos sem o uso de agrotóxicos.

“Realizamos o tratamento biológico para tentar erradicar a questão química, pois temos cuidado com as questões ambientais”, pontuou.

 

A mão de obra é dos próprios índios que trabalham na terra para garantir o sustento da família.

 

“Fico muito orgulho de nós índios conseguirmos trabalhar dentro da própria terra”, ressaltou o encarregado da área, Jucinei Ozoizaece.

 

Para o operador de máquina Cleomar Azonazokae, de 23 anos, o trabalho que eles realizam na região é importante, pois não precisam buscar trabalhos fora de suas terras.

 

“É um prazer enorme de poder trabalhar com as máquinas e mostrar para o nosso povo do que somos capazes”, disse.

 

A venda
 

Os grãos colhidos na região são destinados às multinacionais para que seja realizado a exportação do produto.

 

No entanto, os índios não conseguem fazer a venda direta, pois não possuem o licenciamento ambiental nas áreas de cultivo. Com isso, eles realizaram uma parceria com os fornecedores de insumos, que passaram a ser os responsáveis pela negociação.

 

Os índios compram os insumos, fornecem o maquinário e a mão de obra e, em troca, recebem o valor total do lucro.

 

A cada saca de 60 kg, eles recebem R$ 63. Para os produtores, esse valor poderia ser maior se eles tivessem autonomia para explorar as próprias terras.

 

“É necessário um licenciamento. Estamos tentando resolver junto aos órgãos do governo e logo poderemos ter a origem do nosso produto e comercializar direto com os armazéns”, explicou o presidente.




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2 Comentário(s).

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alcides beltrani de almeida  12.02.19 08h49
PARABÉNS AOS INDIOS, ESTES TEM MEU RESPEITO.
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Marcos   11.02.19 20h56
Eles não precisam de lucro porque suas contas são todas pagas pela Funai. Se precisassem de resultados, pagar suas contas então certamente usariam agrotóxicos.
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