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EM SÃO PAULO
16.11.2014 | 14h26 Tamanho do texto A- A+

Lhama doméstica surpreende pedestres em área nobre

A lhama dos Jardins parece ter sido cuidadosamente penteada antes de sair

Reprodução

Lhama do empresário Dinho Diniz atrai olhares em seus passeios pelos Jardins (zona oeste de SP)

Lhama do empresário Dinho Diniz atrai olhares em seus passeios pelos Jardins (zona oeste de SP)

FOLHA DE S. PAULO
"Que bicho é esse?", pergunta-se o executivo Fábio Pimentel ao ver passar pela calçada uma lhama, enquanto atravessa a avenida Brasil, dirigindo rumo ao trabalho.

Ele pensa que é um pedaço de sonho que retorna durante a monotonia do trânsito matinal paulistano na via nos Jardins (zona oeste de São Paulo). Mas não é.

Fotografa e envia a imagem a uma amiga com a mensagem: "Acho que vi um homem levando uma lhama, de coleira, para passear". O animal é de verdade e costuma flanar pelo bairro durante a semana.

A lhama já apareceu até no programa da apresentadora Ana Maria Braga e causa espanto entre motoristas, pedestres, crianças e guardas que vigiam as grandes casas das redondezas.

"A ema!", exclama um vigia de dentro de sua guarita, referindo-se ao animal, que para ele "parece um camelo".

No entorno da igreja Nossa Senhora do Brasil, onde se reúnem os cães de estimação dos vizinhos, passeadores preferem não arriscar. "Aquele bicho lá" é a expressão mais usada para descrever o animal.

O dono da lhama, o empresário Dinho Diniz, sócio do cantor Seu Jorge no bar Karavelle, não quis falar com a reportagem sobre o "pet".

Abordado pela Folha, o passeador do animal também não quis conversa. Respondeu apenas a palavra "Amora" ao ser questionado sobre o nome do bicho. E seguiu acompanhando o trote. Na barraca de frutas da esquina da casa de Diniz, o vendedor esbanja fotografias do animal em seu celular.

Amora não lembra aquelas lhamas de pelos embaraçados que esperam os turistas em Machu Picchu, no Peru. A lhama dos Jardins parece ter sido cuidadosamente penteada antes de sair por aí, arrastando olhares surpreendidos pelos asfaltos do bairro nobre de São Paulo.

Ornamental

De origem andina, a lhama é mais comumente criada em países como Peru e Bolívia, onde pode servir para corte de lã e alimentação. No Brasil, é vista como "animal ornamental", diz o zootecnista Fabio Hosken.

"Não é silvestre. É domesticável, como cachorro. Qualquer um pode criar, desde que tenha espaço. É dócil e, se acostumada desde pequena, fica mansa. Se criar no pasto, fica mais arisca, dá coice", afirma Hosken.

A lhama é considerada animal doméstico, de acordo com o Ibama, que dispensa autorização para sua criação ou comercialização. Elas precisam tomar vermífugo e ser vacinadas contra a febre aftosa. Comem ração para bovinos ou equinos.

Não cheiram mal nem fazem barulho. O único incômodo é o péssimo hábito de cuspir eventualmente, diz o zootecnista. Um animal adulto custa em torno de R$ 4.000.

Apesar de terem se adaptado muito bem ao clima brasileiro, as lhamas ainda não têm presença consolidada no país. Já nos Estados Unidos, o mercado ultrapassa os 100 mil animais, de acordo com dados do International Lama Registry, entidade que reúne estatísticas sobre a criação.

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